DIANA
Todos saíram para a última prova de ternos, Fani decidiu ir para dirigir já que ambos beberam, mesmo que tenha sido pouco.
Pego meu telefone para verificar as horas. 17:25. Uma última conferida no espelho, estou usando um vestido rosa simples, uma maquiagem que parece que estou sem maquiagem, nada que diga "estou me importando muito com tudo isso", mesmo que eu esteja me importando. Bufo, afasto o nervosismo e tomo coragem para ir.
Chego ao apartamento do Nathaniel em 30 minutos, verifico o horário, 18:06. Respiro fundo diante da porta e bato 3 vezes, sendo aberta em poucos segundos, e lá estava ele... com seus fios pretos ligeiramente bagunçados e úmidos, ele está vestindo somente uma calça moletom, encaro seu abdômen e engulo seco.
– Espero que não se importe. – Saio do transe e o olho confusa.
– Com o quê?
– Com o que estou vestindo. – Arqueio a sobrancelha – Qualquer coisa que pareça uma tentativa de te seduzir é mera coincidência. – Um risinho escapa dos meus lábios, Nathaniel me dá espaço para entrar. – Sinta-se em casa.
Tiro meu casaco, minha bolsa e sento no sofá deixando minhas coisas ao meu lado. Nathaniel ocupa o espaço do meu lado esquerdo e limpa a garganta se preparando para falar. Me movo para ficar de frente para ele e dobro minha perna direita.
– Eu não tenho muito a dizer. – O interrompo – Então vamos facilitar as coisas, você faz as perguntas que quiser fazer, prometo responder honestamente e depois esquecemos o que aconteceu.
– Ok senhorita Diana. Aqui vai minha primeira pergunta. – Nathaniel me encara de uma forma muito intensa, sinto a necessidade de desviar minha visão para algo menos intimidador mas não faço. – Você é capaz de esquecer tão fácil como está fazendo parecer? – Nathaniel parecia furioso agora.
Me acovardei e desviei o olhar, começo a brincar com minhas mãos cruzadas, sei que prometi ser honesta, mas se as coisas que ele perguntar forem nesse sentido não vai dar certo. Por outro lado, não sou capaz de mentir olhando nos olhos de ninguém e ele parece saber quando levanta meu queixo e insiste que responda.
– Não! – Respondo irritada e retiro sua mão do meu queixo, mas Nathaniel volta a agarra-lo.
– Segunda pergunta. Você continua me desejando Diana Olsten? – Fecho e suspiro cansada.
– Sim...
– Pode olhar pra mim? – A voz de Nathaniel se tornou suave, quase doce, sua mão calorosa deixou meu queixo. Abro os olhos lentamente, subindo de seu abdômen perfeito para sua iris castanha. – Eu também te desejo Diana. Desde a primeira vez que a vi, até quando só te via de relance, porque parecia que onde eu chegava você sumia, a menos que fosse obrigatório ficar por ser algo relacionado ao casamento, comecei a pensar que você tinha asco de mim ou algo parecido. E depois de ontem continuei pensando em você a todo momento, e sentindo essa coisa... – Nathaniel movimenta a mão em círculos, indicando seu peito. – Eu nunca senti tanto t³são por uma mulher.
– Entendo o que você quer explicar, eu também sinto essa coisa...– Faço o mesmo movimento circulatório. – Foi por isso que te procurei.
– Última pergunta. – Nathaniel pronuncia e me concentro nele novamente. – Diana, você aceitaria manter um relacionamento casual comigo, até que isto passe ou até que possamos entender esse sentimento?
Pude ver nos olhos dele que não tinha um motivo objetivo para estar me fazendo essa pergunta, estava apavorada por não saber o que dizer, ele parece querer uma resposta imediata. Não, a verdade é que eu quero responder que aceito agora. Mas também sinto um medo gigantesco, não é medo de descobrir o que é esse sentimento, mas sim, de que esse sentimento se torne algo mais forte. Pior que isso, pavor de que se torne mais forte para mim.
Estou prestes a negar, ele sabe disso, e por isso não me surpreendo, quando seus lábios encontram os meus. Uma luta começou dentro de mim, enquanto eu pensava se deixava ou não que Nathaniel me beijasse outra vez. Meu coração falho como é gritava sim, minha mente sensata dizia não e meu corpo inteiro clamava por ele.
Seus lábios roçaram os meus, ele dá uma pequena mordida no meu lábio inferior e acabo cedendo a ele, Nathaniel faz um grunhido de satisfação com a garganta quando sua língua encontra a minha, me puxa para ele até que esteja eu seu colo, posiciona minha pernas uma de cada lado do seu corpo, minhas mão sobem de seu ombro para sua nuca e adentram em seus fios macios. Seus braços se apoderaram da minha cintura, me apertando ainda mais contra. Posso sentir o calor da sua pele e sua excitação embaixo de mim. Me movimento contra ele buscando alívio e Nathaniel grunhi outra vez. Suas mãos se posicionam no meu quadril e acompanham meus movimentos, sua boca se afasta da minha e desce vagarosamente até meu pescoço, no primeiro contato um gemido me escapa e suspiro conforme seus beijos continuam incessantemente fazendo uma trilha até meus ombros e subindo até minha boca novamente.
Nos beijamos até a falta de ar se fazer presente, ele se afasta de mim e abro os olhos devagar, encontrando sua maldita forma de sorrir que me deixa com o coração acelerado e as pernas bambas. Ele aproxima seu rosto e roça seu nariz no meu antes de encostar sua testa na minha.
– Por favor... – Diz quase sem fôlego – Não se atreva a dizer que não sente essa mesma vontade... Não posso acreditar na sua negação quando você se entrega a mim na mesma intensidade que me entrego a você. Por favor, não me castiga desse jeito Diana. – Afasto nossa testa e o olho nos olhos para dizer minha decisão com convicção.
– Vamos fazer isso. Mas antes vamos estabelecer algumas condições. – Digo saindo de seu colo e voltando a minha posição inicial.
– Vai ser do seu jeito. – Sua mão repousa na minha coxa.
– Isso fica entre nós, por enquanto não quero que a Fani, o Noah ou qualquer um além de nós dois fique ciente sobre isso.
– Sou ótimo com segredos. – Soa provocativo mas ignoro.
– E nada de provocações na frente dos outros, nada de piadas com duplo sentido ou falas com segundas intenções. – Seu sorriso morre e sorrio por dentro.
– Chata!
– E vamos sempre combinar quando poderemos nos encontrar. nada de surpresas, nada de ligações em horário de faculdade ou de trabalho. Combinado.
– Nem tenho seu número. – Tenho a impressão que ele está emburrado.
– Eu tenho o seu, depois te mando mensagem e você salva meu contato. – Sua expressão se torna inquisidora.
– Onde conseguiu meu número, ou melhor, onde conseguiu meu endereço?
– A Estefânia me deu. Disse que seria para caso quiséssemos organizar uma surpresa ou um presente especial. – Coloco o polegar e o indicador no queixo de forma pensativa. – Na verdade pensando melhor agora... Acho que ela estava sugerindo que deveríamos fazer algo.
– Já tenho um presente especial pra eles.
– O que é? – Pergunto curiosa.
– Conto para você outro dia. – Deixa um beijo na minha testa. – Mais alguma condição, senhorita? – Nathaniel me encara com o rosto muito próximo, sua respiração quente toca minha face.
– Por enquanto é só... Se me lembrar de alguma coisa importante te aviso.
– Finalmente! – Me puxa para o seus braços outra vez e levanta me carregando em seus braços, busco apoio em seu pescoço e aperto um pouco mais minhas pernas a sua volta descansando minha cabeça em seu ombro quando uma lembrança me ocorre.
– Espera! – Me desvencilho dos braços de Nathaniel e escorrego pelo seu corpo– Só um instante. – Vou até o sofá e procuro meu celular na bolsa, enviando um emoji aleatório pra Fani e pro Noah.
Desligo meu telefone e guardo novamente, caminho lentamente até o homem atraente que me aguardava pacientemente, seguro sua mão e o guio até seu próprio quarto.