DIANA
Abro meus olhos ainda pesados pelo sono e fecho em seguida me aconchegando ao travesseiro. Espera...
Não leva mais que alguns segundos para que eu arregale meus olhos surpresa ao constatar que não estou no meu quarto. Só então me dou conta que tem um braço enorme atravessando minha cintura e um corpo colado ao meu. Movimento a cabeça devagar e olho por cima do meu ombro. Meu coração erra uma batida quando vejo que o homem que me segura de forma tão possessiva é Nathaniel Wayans.
– p**a merda! – levo uma mão a boca para abafar o som quando ele se move e me aperta mais ainda.
Espero o que considero ter sido 2 minutos, coloco minha mão por cima da mão dele e a ergo com delicadeza, deslizo até o chão gelado e me asseguro que ele ainda está dormindo, fico de pé e corro meus olhos pelo quarto procurando minhas roupas, encontrando minha camisola de seda à alguns metros.
Não acredito que vim aqui usando isso...
Deixo para pensar depois e visto, em seguida procuro minha calcinha mas não encontro em lugar nenhum. Caminho na ponta dos pés até passar pela porta e fechar novamente soltando um suspiro pesado.
Ando pelo corredor até chegar à sala de estar, sorrio percebendo que não sou completamente louca quando encontro meu sobretudo favorito e minha bolsa, me cubro e saio do apartamento do Nathaniel o mais rápido possível, desço pelo elevador e continuo andando até meu carro, entro e então me permito surtar, enfio minhas duas mãos entre meus cabelos e encosto a testa no volante tentando lembrar de ontem a noite.
– Mas que loucura! O que deu em você? doida! doida! doida! – bato com a testa contra o volante, desisto de forçar minhas memórias pois já estava com uma dor de cabeça péssima, suspiro pesadamente, conserto a postura dou uma arrumada no cabelo, mesmo que não desse pra ficar muito apresentável e dirijo para casa.
[...]
Chego em casa e encontro minha amiga sentada no sofá com uma cara nada contente e braços cruzados na altura do peito, ela se levanta e me dá um abraço.
– Eu estava tão preocupada com você Di... – Fani se afasta e me segura pelos ombros, me dando uma sacudida em seguida, sorrio para ela tentando aliviar minha barra. – Onde você se enfiou garota? Te liguei dezenas de vezes e deixei milhares de mensagens! o porteiro disse que você chegou e saiu de novo, tem noção que quase chamei a polícia por sua causa? – Meio exagerada como sempre – Mas o Noah disse que não posso relatar o desaparecimento de uma pessoa adulta se ela sumiu apenas algumas horas. Acredita nessas leis? – Ainda bem que o noivo tem juízo de sobra por eles dois. Um juiz que tem juízo, dou risada desse raciocínio, talvez eu ainda esteja um pouco embriagada. – Quem disse que pode dar risada? Estou falando muito sério, onde você estava, afinal? – Aí está a pergunta que eu não queria ter que responder.
– Estefânia podemos continuar essa conversa mais tarde? Minha cabeça está explodindo. – Faço uma careta de dor para ela.
– Tudo bem, mas não pense que vai escapar de mim, entendido? – Fani solta meus ombros e balanço a cabeça em sinal de concordância.
– Prometo. – Ergo o mindinho e assim que ela cruza nossos dedos...
FLASHBACK
"– Promete? – ergo meu dedo em direção a alguém.
– Prometo! – Nosso dedos se cruzam.
– Então tudo bem. – Ergo meus olhos para observar o sorriso sedutor com o qual ele me olhava."
– Tá se sentindo bem Di? Você ficou pálida. – Levo a mão direita e esfrego minha testa.
– Estou bem, só preciso dormir um pouco, não me chamem nem mesmo se começar a chover meteoros. – Passo por ela e cruzo com Noah na escada.
– Na próxima envia pelo menos um emoji por favor Di, ela não me deixou pregar os olhos.
– Foi m*l Noah.
– Tranquilo, também já fui jovem. – Ele dá um tapinha no meu ombro e fala distante como se fosse um senhor revivendo lembranças distantes. – Amor vamos dormir um pouquinho agora?
– Só um pouquinho. – Continuo subindo antes deles começarem com a melação.
Entro no meu quarto, coloco minha bolsa na penteadeira, penduro meu sobretudo no cabide ao lado da porta, me jogo na cama e apago pela próximas 6 horas.
NATHANIEL
Começo a despertar e percebo que um certo alguém não está na cama, levanto meio atordoado e a chamo, mas ao que parece esse alguém fugiu na surdina.
Volto para o quarto e avisto uma pequena calcinha de renda na entrada do closet, pego em minhas mãos e solto uma risada nasalada.
– Quem diria... – Tenho a estranha sensação de que fui usado pela primeira vez, porque será? – Será que é porque foi a garota que saiu às escondidas e não eu? – Fecho a prova de que ela esteve aqui em punho e me jogo na cama. – Não tem importância – Sorrio olhando em minhas mãos. – Sei exatamente onde te encontrar fugitiva.
Fecho os olhos e durmo novamente.
[...]
Acordo com o som irritante do telefone, alcanço o objeto e entreabro os olhos para ver quem é.
– O que você quer Fani? Esqueceu que é domingo?
– Esqueceu quem disse que ia sair hoje com o Noah pra fazer os últimos ajustes do terno? Já passou das 11 horas, tá vendo? por isso que eu disse que eu iria cuidar disso... – Estefânia começa a tagarelar no telefone – Se fosse minha responsabilidade já estaria tudo pronto, mas não, o senhor multimilionário tinha um alfaiate particular e ia cuidar de tudo...
– Tá bem, tá bem, posso ter cometido o erro de esquecer de avisar para a noiva histérica que marquei um horário para as 16 horas, pois não estava nos meus planos tirar um juiz tão renomado da cama em um dia de folga. – Minto descaradamente.
– Fala sério? – Fani pergunta um tanto desconfiada.
– Claro que estou falando sério. – Eu não estava.
– Onde eu estou com a cabeça? devo estar mesmo à beira da histeria. Muito obrigada chefinho, sabia que podia contar com você. Então o que acha de me redimir por esse erro vindo almoçar aqui em casa? Depois pode assistir o jogo com o Noah.
– Ok, já estou a caminho. – Desligo o telefone e procuro o contato do Raul.
chamando...
– Bom dia, senhor Nathaniel.
– Bom dia Raul, sei que era para eu estar aí duas horas atrás mas tive um contratempo. Podemos remarcar a última prova para as 16 horas?
– Claro, vou trabalhar o dia todo hoje.
– Combinado então, até mais tarde.
Levanto da cama e vou direto para o banho, visto uma calça jeans e uma camisa preta, coloco meu relógio favorito no pulso e passo perfume.
Passo na cozinha para beber um copo de água, pego a chaves do apartamento, do carro e dirijo o caminho todo sem segurar o sorriso que escapa com os pensamentos que estou tendo.