Eu estava surtando com a gravidez da Maria.
É como se eu estivesse revivendo, tudo de novo. Eu me via nela e queria decidir por ela.
Ah quem diga o contrário mas, ninguém passa por uma situação como a minha e fica a mesma coisa.
Quando ela disse que nao contou ainda para o Léo, eu senti a aflição dela e eu sei como isso é horrível.
Eu passei por isso.
Fiz o que fiz sem consultar o Diego, afinal ele há tinha outro filho.
Então deduzi que ele não ia querer mais um.
Eu tive crises durante muito tempo depois que segui em frente com a minha decisão,eu sonhava com o bebê direto.
Na maioria das vezes faltava pedaços dele, bracinhos, as vezes uma perna, olho e uma vez sonhei que ele não tinha boquinha.
Tinham sido arrancados no procedimento que fiz, eu ouvia o choro dele...e as vezes até acordada mesmo.
Eu ouvia o meu bebê me pedindo ajuda,me implorando pra não mata lo.
Foi necessário fazer terapia pra acalmar meu coração, pra que eu me livrasse da culpa.
Mas agora diante da gravidez inesperada da Maria, eu percebo que ainda me sinto estranha com o que fiz.
-ei, você tá bem?
Erica me perguntou assim que cheguei na cozinha
-nao,mas vou ficar
-escuta
Ela parou na minha frente
-é a Maria que está grávida, não você tá bem?
Balancei a cabeça concordando
-então relaxa
Ela me abraçou
-eu sugeri que ela fizesse...
Deixei a frase morrer na minha boca, falar a palavra era difícil pra mim.
Erica me soltou num rompante como se eu desse choque
-o que?
Fechei meus olhos quando ela me encarou, eu estava com vergonha
-porque?
Ela me sentou na cadeira
-eu entrei em Pânico quando ela me disse
Eu queria chorar mas não ia
-eu achei que ela quisesse isso, só estava sem coragem então eu....
-ela disse pra você que não queria o bebê?
-nao
disse baixo
-ela disse que estava pensando nisso?
-nao
respondi me sentindo um lixo
-então porque caralh0s você sugeriu algo assim?
Não respondi
-Sassá olha pra mim
Eu não queria encara lá agora mas ela levantou meu queixo, me fazendo encara la
-voce sabe que você mudou depois disso,eu acho que você até se arrependeu...
Sim eu me arrependi na hora em que deitei naquela maçã fria pra fazer o procedimento.So nunca tive coragem de admitir
-lembra das noites m*l dormidas?
Ali eu chorei
-da falta de fome,da depressão pós decisão?
Concordei com a cabeça. Erica sabe minha dificuldade em dizer a palavra,então não usamos.
-então como você pode sugerir algo assim pra alguém?
Ela estava indignada
-E pior pra Maria!
Maria acabou o lance com o Léo porque ela queria algo mais, o relógio biológico dela está apitando e todas nós sabemos disso.
-nós somos família Sabrina, e família a gente acolhe,cuida e ama...sempre foi assim entre nós.
-na minha vez eu não fui amada
Respondi magoada
-voce não quis partilhar e mesmo assim, eu te amei e cuidei de você...não seja ingrata.
Erica disse firme
-me desculpa
Disse já me jogando em seu abraço, eu disse aquilo mas não era verdade, Erica esteve comigo em todos os momentos.
-você tem que pedir desculpas para a Maria ...
- eu vou.
Nos levantamos
-obrigada por me amar
Mais uma vez nos abraçamos e esse abraço me fazia tão bem.
-vamos preparar essa comida que eu tô com fome.
Antes de iniciarmos o telefone da Érica tocou, ela tirou do bolso e respirou fundo quando viu quem era antes de atender
-oi Guilherme
Ela atendeu seca ele gritava tanto, que eu conseguia ouvir os gritos dele e o telefone nem estava no viva voz.
-para de gritar filho da puta
Ela disse entre os dentes e saiu para área da piscina.
Eles discutiram por uns 5 minutos até que ela voltou, mas não comentou nada.
-algum problema?
Perguntei
-nao, mais do mesmo
Ela disse baixo, presa em seus pensamentos.
Eu queria perguntar mais, queria que ela se abrisse comigo,como eu sempre desabafei com ela.
Mas Erica sempre foi mais reservada mais na dela.
Quando ela estava com dificuldades ela não falou, ela se afastou de nós e consequentemente afastou as meninas.
Um dia apareci sem avisar pra ver minha afilhada e fui pega de surpresa, pela situação.
Na mesma hora convoque Maria e Carla e literalmente entramos com uma intervenção,para tirar nossa amiga do fundo do poço.
Guilherme é um escroto, encostado na mulher.
Ele usa um discurso machista de que mulher não nasceu para trabalhar e blá blá blá.
Mas no fundo adora viver as custas da mulher dele.
Tanto é que desde que Erica conseguiu o emprego na cafeteria, ele nunca mais trabalhou fichado.
Vive de biscates mas aí ele procura quando quer, trabalha quando quer e a hora que quer.
Já Erica sai cedo 6 dias da semana de casa.
E no domingo que é a folga o maldito atormenta.
-nao quer conversar?
Insisti ela me olhou e sorriu mas eu vi que ela já não tinha o brilho no olhar de antes, da ligação .
-nao não, hoje é o dia da Maria.
Ela pegou uma baixela e colocou azeitonas
-vamos dar atenção a ela.
Concordei com a cabeça e fomos para a sala.
Guilherme ligou mais duas vezes e Erica desligou o telefone.
Pela cara que ela fez eu sabia que era ele.
Quando Maria vomitou no sofá caro e feio de Carla, foi a deixa de Erica pra ir embora
-meninas me desculpem mas preciso ir pra casa.
-ahhhh não
Carla falou
-tenho que ajudar as meninas com o dever de casa para amanhã
-tudo bem Cá, vai lá.
Ela beijou a cabeça de Maria, abraçou Carla e me deu um beijo no rosto.
-eu amo vocês
Ela disse antes de sair
-te amamos mais amiga
Gritamos em coro, Erica não está bem.
E eu vou descobrir o que tá acontecendo, não vou deixar minha amiga chegar no fundo do poço de novo.
E se o fodido do Guilherme estiver envolvido nessa merda, ele vai se arrepender do dia que botou os olhos na minha amiga.