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Don Juan de São Pietro: O Conquistador

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intro-logo
Blurb

Juan Tenorio comanda o submundo de São Pietro com a frieza de um Don e a beleza de uma maldição divina. Ele conquista tudo o que vê, até que Lara Duarte, uma jornalista obstinada, decide expô-lo. Mas quando uma sentença de morte é colocada sobre a cabeça dela, Juan a sequestra para sua própria proteção. Presos em uma cobertura de vidro enquanto uma guerra explode nas ruas, o ódio se transforma em um desejo perigoso. Ele é o monstro que ela deveria destruir; ela é a única fraqueza que pode matá-lo.

“— Você veio porque queria ver o pior que eu tinha a oferecer — ele sussurrou, encurralando-me contra o vidro. — Queria ver se a força bruta era real.

— Eu sou uma jornalista...

— É tudo real — ele me cortou, a voz rouca vibrando na minha pele. — Eu sou um monstro, Lara. Mas só com quem tenta me ferir. Você queria transparência, Srta. Duarte?

Ele roçou o polegar no meu lábio inferior, e meu corpo inteiro traiu minha mente.

— Então vamos ser transparentes. Desligue o gravador. Porque eu quero você.”

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Capítulo 1: Prólogo - A Profecia de Vênus
A noite era um sussurro de morte. A cada beco que eu entrava, a cada rua escura que eu seguia. Eu temia, mas temia mais com o que aconteceria se não fizesse aquilo. Eu não aceitaria a perdição. A minha, talvez, mas não a do meu filho que eu carregava no ventre. Eu só precisava seguir em frente. Continuar andando independente das dores nos meus pés, dos olhares e dos cochichos dos estranhos. Minha barriga era bem visível, qual castigo enfrentariam aqueles favelados no inferno se me atacassem? Supersticiosos malditos e nojentos, contudo, era mais do que eu precisava para mantê-los longe de mim. Então cheguei ao local, sujo como qualquer coisa daquele canto da cidade. Sujo como as pessoas e seus olhares injetados de tanto se drogarem. Que imundície. O ar no cubículo fedia a incenso barato, mofo e ratos. Um amontoado de fezes no qual aqueles porcos dormiam, pessoas perdidas e sem futuro. Por que não morriam de uma vez? Mas era o tipo de gente que mais trazia lucro aos negócios do meu marido. Don Diego Tenorio não sabia que eu estava ali, e que nunca soubesse, minha gravidez nunca me livrou dos seus tapas. O anel no meu dedo, símbolo de um sangue puro e real... sempre coçava para que eu a tirasse. No entanto, eramos família. Família não se abandona. Vive e morre junto. E eu queria meu filho vivo comigo. Empurrei as contas de madeira do buraco manchado no qual me metia, o som seco delas se batendo pareceu alto demais naquele silêncio. Minha chegada não seria nada sutil. A mulher sentada no escuro nem levantou a cabeça. Eu apertei a seda do meu vestido sobre a curva da minha barriga. Sete meses. Sete meses de terror, de médicos caros balançando a cabeça, de sussurros de "inviável" e "coração fraco". “Seu filho vai morrer minutos após o nascimento”. Desgraçados inúteis. Se a medicina para a qual eu pagava valores exorbitantes todos os meses não conseguia salvá-lo... eu iria para o outro lado, nem que tivesse que vender minha própria alma ao demônio. Como a minha estranha anfitriã, semelhante a uma bruxa com cabelos desgrenhados, não disse nada, a primeira voz que se ouviu foi a minha. — Disseram que você pode... ver e fazer... — Minha voz falhou. Eu, que nunca falhava. Tive que engolir o orgulho, que agora tinha gosto de toda a sujeira ao redor. — Meu filho. Os médicos dizem que ele vai nascer morto. A vidente finalmente levantou os olhos. Eram opacos, como vidro velho. — Eles estão certos. O ar sumiu dos meus pulmões. Senti o sangue gelar e fugir do meu rosto. Eu vim aqui buscar esperança, não a confirmação da minha sentença. Velha desgraçada... eu poderia ter voado no seu pescoço. Mas não, não. Isso faria m*l a ele. Minha mão segurou minha barriga. Por ele, eu viveria. E me humilharia. — Não! — Eu bati a mão na mesa dela, fazendo os cristais tilintarem. — Tem que haver um jeito. Um santo. Um deus. Diga-me para quem devo rezar. Para quem devo ficar de joelhos. Eu pago qualquer preço. Eu cubro esse seu buraco de ouro se for preciso! A mulher riu. Um som arranhado, feio, que fez minha pele se arrepiar. — Os deuses que você conhece, Doña, só ouvem preces de poder e dinheiro. Eles não se importam com vidas. Nenhum deus irá salvar o herdeiro do seu sangue. Senti meus joelhos fraquejarem. Era o fim. — Mas... — ela continuou, e seus olhos nublados pareceram focar em algo acima de mim, como se visse minha aura. — Uma deusa talvez o faça. Uma mulher divina que entende a súplica de uma mulher mortal. Ela se levantou com uma agilidade que eu não esperava daquele corpo velho. Caminhou até uma luneta antiga, coberta de poeira, que estava num canto. Com um gesto rápido, ela abriu a porta dos fundos da loja. O ar frio e poluído de São Pietro invadiu o cubículo, uma lufada de realidade. Quase tornando nossa conversa, meu desespero por algo superior, em uma encenação rasa e ridícula. Mas eu acreditava, eu tinha que acreditar. O céu da metrópole m*l tinha estrelas, apenas brilhos apagados em meio ao cinza que, quem não conhecia, podia jurar que eram nuvens de chuva, porém era apenas poluição. A vidente ajustou o foco da luneta e fez um gesto com a cabeça para que eu me aproximasse. Hesitei. O nojo lutava contra a última centelha de esperança. A esperança venceu. Inclinei-me, o peso do meu filho desequilibrando meu corpo, e olhei pela lente. No breu, um único ponto de luz brilhava. Era impossível, uma agulha de diamante no veludo sujo do céu. A estrela mais brilhante. — Vênus — a voz da velha soou como um cântico no meu ouvido. — A Estrela da Noite. A única que ouve as mães. Vênus o abençoará se a ela rezar. Seu filho vai nascer e muito saudável será. Mas ensine a ele humildade, pois lindo há de ser. E por sua beleza, um dia ele irá morrer. Meu sangue, antes gelado, ferveu. Eu me afastei da luneta como se ela estivesse em chamas. — Farsante! — Eu cuspi, o veneno voltando à minha boca. — Bruxa! Como ousa amaldiçoar meu filho? Acha que pode me assustar? Eu sou a rainha das sombras de São Pietro! Você sabe o meu nome? — Carmen Tenorio — ela respondeu, sorrindo, apesar dos meus insultos. — E agora até Vênus sabe. Eu não respondi. Apenas saí, com nada entrei e com nada fui embora. Meu coração batendo tão forte que doía no peito. Morrer por sua beleza? Que absurdo. Eu corri para fora da loja e andei até cansar novamente. Por minutos ou horas, divagando entre o que mais eu poderia fazer por ele. Meu filho. Ele viveria por mim nesse mundo. Eu daria um jeito. Jurei por ele que daria. De volta às calçadas movimentadas do centro de São Pietro, eu me perguntei como pude ser tão estúpida. Tão desesperada a ponto de ouvir uma charlatã de um beco imundo, nas favelas mais afastadas da cidade. Eu estava cansada. Precisava me sentar. Na praça, eu vi um banco, mas não consegui dar nem cinco passos em direção a ele. A dor me atingiu. Não foi uma contração. Foi uma faca de fogo líquido rasgando meu ventre. Um grito ficou preso na minha garganta. Não. Não agora. Não aqui. Eu parei, tentando respirar, e foi quando senti. O líquido quente. Ele jorrou por minhas pernas, encharcando o vestido caro, formando uma poça escura no concreto sujo da calçada. Meu mundo inteiro desabou. O parto estava começando. Ali. Cedo demais. Não, não, não. Não podia ser. Fiz a única coisa que o desespero me permitiu naquele momento. Eu gritei. Pessoas pararam. Rostos desconhecidos se viraram para mim. — A bolsa dela estourou! — Alguém chame uma ambulância! — Deita ela, deita ela no chão! Mãos me agarraram, me forçaram a deitar no chão sujo da praça. As luzes dos prédios giravam acima de mim. A dor veio de novo, me partindo ao meio. Eu ia morrer. Meu filho ia morrer. Não era justo. Eu tinha que ser mãe. Eu devia um herdeiro. Eu ia falhar com Don Diego. Eu ia falhar com a família Tenorio. Em meio ao pânico e à dor cegante, meus olhos buscaram o céu. E eu a vi. Entre dois arranha-céus, brilhando com uma intensidade desafiadora, lá estava ela. Vênus. A profecia da velha ecoou na minha cabeça. ...lindo há de ser, e por sua beleza, um dia ele irá morrer. Eu não me importava com a morte dele, desde que ele tivesse uma vida primeiro. Fechei os olhos, ignorando os gritos ao meu redor, a sirene distante, a humilhação. Eu rezei. Não para o Deus da catedral de mármore, mas para a “estrela” que me observava. — Deusa... — Eu sussurrei, a voz rasgada. — Deusa mais bela, salve o meu filho. Dê-me um filho saudável... e eu a honrarei o resto da minha vida. Eu e minha linhagem. Eu gritei. Um som primitivo, animal, que rasgou a noite de São Pietro. E então, cortando o barulho do trânsito e das vozes assustadas, outro som respondeu. Um choro. Um choro agudo, furioso e cheio de vida. Meu corpo inteiro relaxou. Eu comecei a soluçar, uma mistura de alívio e choque que me sacudia inteira. — É um menino! — Uma mulher ao meu lado disse, a voz embargada. Ela o enrolou no próprio casaco, aquele bebê minúsculo, vermelho e barulhento, e o colocou em meus braços, ali mesmo no chão. Meu Juan. Eu o agarrei. Ele estava quente. Ele respirava. Ele estava vivo. O barulho da ambulância ficou ensurdecedor, as luzes azuis e vermelhas finalmente nos alcançando. Em breve estaríamos em um hospital. Eu apertei meu filho contra o peito e olhei uma última vez para a estrela brilhante. Estávamos vivos. Graças à Deusa. Tudo por Vênus.

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