O tapete era macio, mas o chão por baixo dele era duro. Frio. Exatamente o que eu precisava para apagar aquele calor que insistia em tomar o controle de mim. Eu não me sentia assim desde a loucura da adolescência.
Eu puxei o ar para os meus pulmões, sentindo o oxigênio queimar como se eu tivesse ficado submersa por tempo demais.
Minhas mãos tremiam enquanto eu alisava a saia do meu vestido, tentando desesperadamente cobrir a pele que as mãos dele haviam reivindicado segundos atrás.
— O que foi isso?
A voz dele veio de cima. Não estava irritada. Estava... sombria. Rouca de desejo não consumado. Uma vibração baixa que fez minha espinha reagir contra a minha vontade.
Eu levantei a cabeça.
Erro. Um erro terrível.
Juan Tenorio ainda estava no sofá. A camisa jazia esquecida no chão. A luz da cidade refletia no suor leve que cobria os músculos definidos do seu peito e abdômen.
Mas meus olhos, traidores, desceram. O zíper da calça social ainda estava aberto, o tecido escuro tenso, revelando o volume evidente do que eu quase... do que eu quase tomei para mim.
Ele era a imagem da tentação. Um deus pagão esperando adoração.
— Um erro — minha voz saiu falhada, mas firmei o tom na segunda tentativa. — Isso foi um erro.
Eu me coloquei de pé, minhas pernas instáveis parecendo gelatina. Caminhei rápido até a mesa de vidro para pegar minha bolsa e o gravador. Meus movimentos eram bruscos, uma tentativa patética de recuperar o profissionalismo que eu tinha jogado pela janela.
— Um erro? — Ele riu. Foi um som seco, sem humor.
Ouvi o couro do sofá ranger quando ele se levantou. Eu não me virei. Meus dedos fecharam em torno do gravador com tanta força que o plástico estalou.
— Você não parecia achar um erro quando estava arranhando a minha nuca, Lara.
Ele estava perto. Eu podia sentir o calor dele nas minhas costas novamente. A gravidade dele puxando meu corpo, implorando para que eu me virasse e terminasse o que começamos.
Eu girei, colocando a mesa de vidro entre nós como uma barricada.
— Eu sou uma jornalista, Tenorio. Você é minha fonte — eu apontei para ele, para a nudez arrogante dele. — Isso? Isso é antiético. É sujo. É exatamente o que todos esperam de um homem como você, mas eu... eu não sou uma das suas conquistas de uma noite.
Os olhos verdes dele se estreitaram. Ele deu um passo em direção à mesa, ignorando minha barreira frágil.
— Ética? — Ele pronunciou a palavra com desdém. — Você acha que o que aconteceu naquele sofá foi sobre ética? Foi sobre química, Lara. Foi sobre o fato de que você me odeia, mas seu corpo não concorda com sua cabeça.
— Meu corpo comete erros. Minha cabeça os corrige.
Ele parou. Um sorriso lento curvou seus lábios. Ele não ajeitou a calça. Ele não fez menção de se cobrir. Ele queria que eu visse.
Queria que eu soubesse exatamente o efeito que eu causava.
— Você está fugindo.
— Estou indo embora — corrigi, jogando a alça da bolsa no ombro. — A entrevista acabou.
— A entrevista nem começou direito — ele contornou a mesa. Devagar. Como um lobo cercando uma ovelha que se separou do rebanho. — Você viu os planos. Você sabe que eu não sou o vilão que você escreveu na sua mente. E isso te assusta.
— O que me assusta é a facilidade com que você manipula tudo ao seu redor — eu recuei em direção ao elevador. — Os portos, a imprensa... eu.
— Eu não manipulei você — ele parou a um braço de distância. — Eu te ofereci transparência. Você que escolheu o contato físico.
Eu corei. O calor subiu pelo meu pescoço, denunciando a verdade. Ele estava certo. Eu o beijei de volta. Eu quis aquilo tanto quanto ele.
E era por isso que eu precisava sair dali. Agora.
Apertei o botão do elevador. O painel iluminou-se, mas as portas não se abriram. Claro. Código e digital. Eu estava presa na gaiola do leão.
— Abra — eu exigi, sem olhar para ele.
Juan ficou em silêncio por um longo momento. O ar entre nós estava carregado de eletricidade estática. Eu podia ouvir sua respiração, podia sentir o cheiro dele invadindo minhas defesas.
Se ele me tocasse agora... se ele apenas colocasse a mão no meu braço... eu não teria forças para empurrá-lo de novo. Eu cairia.
Ele se aproximou. Senti o corpo dele atrás do meu. Ele estendeu a mão, passando o braço por cima do meu ombro. Eu prendi a respiração, esperando o toque, o abraço.
Mas ele apenas pressionou o polegar no leitor biométrico ao lado da porta.
Um barulho se ouviu e as portas de aço se abriram suavemente.
Eu me virei para entrar, mas ele estava bloqueando o caminho. Ele me olhou de cima, seus olhos varrendo meu rosto, meus lábios inchados, meu desespero.
— Vá, Lara — ele sussurrou, a voz rouca prometendo problemas. — Fuja para sua redação. Escreva sua matéria. Diga a eles que eu sou um monstro.
Ele se inclinou, seus lábios roçando na minha orelha.
— Mas não se engane. Nós dois sabemos que você vai voltar. Porque agora você sabe o gosto que eu tenho.
Eu o empurrei, abrindo espaço suficiente para entrar no elevador. Apertei o botão do térreo freneticamente, como se estivesse ejetando de um avião em chamas.
As portas começaram a se fechar.
A última coisa que vi foi Juan Tenorio, parado no meio da sua sala de vidro, sem camisa, magnífico e aterrorizante, com um sorriso de triunfo no rosto.
Quando o metal se fechou, cortando a visão dele, minhas pernas finalmente cederam.
Eu escorreguei pela parede espelhada do elevador até o chão, levei a mão à boca e tentei abafar o soluço que subiu pela minha garganta.
Eu tinha escapado. Mas, Deus... o que seria da noite se eu tivesse ficado?