Sentimento de culpa.

1934 Words
_ Ana acorda com a comissária lhe chamando para almoçar e levanta atordoada e sem saber onde está, um pouco moca pela compressão do avião, ela boceja e faz alguns exercícios para não tampar o ouvido novamente, abre a porta e olha para os lados, ela procura Josephine e não a encontra, segue pelo curto corredor até chegar a salinha de almoço, a comida está posta, mas, apenas para ela. - Onde está a senhorita Josephine? _ Ela pergunta e a moça lhe fala que ela não quer comer nada, apenas pediu uma bebida e se trancou no quarto. Ana olha para o prato com fome, ela devora tudo o que há na mesa, há espaguete, batatas e arroz integral, também carne assada e com molho, uma comida caseira e deliciosa, ela come bem e logo toma uma taça de vinho branco para relaxar, aproveita para ler um livro e se distrai, o celular está em modo avião, mas, ela aproveita também para trabalhar, horas depois assiste a um filme, colocando os fones. Josephine chama a comissária bem tarde, quase noite e pede mais bebida, ela senta no sofá atrás da salinha de jantar e não percebe que Ana está logo ali, deitada e assistindo no computador, Ana ouve uma conversa estranha e tira os fones para ouvir o que se passa. - Eu não quero saber, já mandei que apagasse meu número, o que tivemos foi algo passageiro, Romina, não quero mais isso e nem foi bem um namoro, eu sempre deixei claro que não poderia te dar mais que sexo! Amo outra pessoa. _ Ana alcança ouvir o nome da mulher, Romina, "- que diabos de nome é esse?", ela pensa consigo, a chamada está em viva voz e ela não sabe como que Josephine conseguiu falar, segue ouvindo. - Essa mulher tem um noivo, se ela te amasse não estaria com ninguém! Você deve ficar comigo e vou te encontrar em Paris! _ Josephine está perdendo a paciência, ela bate no sofá, irritada, pede para a mulher parar de falar, pois, já não tem mais paciência, mas, é em vão. - Romina, vou te falar mais uma vez, Ana pode estar com quem quiser, não deixarei de amá-la e com essa atitude, não amarei você e mais ninguém, eu não posso desistir da mulher que amo, e você não mudará isso, se aparecer no meu trabalho, não conhecerá mais nenhum lugar, entendeu? _ Josephine desliga a chamada, Ana coloca os fones de volta e finge não ter escutado nada, ela deita quieta e espera para ver o que seguirá adiante, mas, está feliz por ouvir as palavras dela, quando sente um balançar de poltrona, ela fecha os olhos e finge dormir, a vampira levanta e a vê ali, com os olhos fechados, ela pede um cobertor para a comissária que o traz, cobre Ana e dá-lhe um beijo na testa desligando o computador para ela dormir, pede algo para comer e a moça traz também, umas frutas e sementes, ela pede para a moça sentar com ela e começam a conversar. - Há quanto tempo trabalha para mim Dê? _ A moça pensa bem e responde. - Há mais ou menos três anos senhorita. _ Já me viu alguma vez assim como hoje? Eu sou patética, não sou? Aqui, correndo atrás de uma mulher que pertence a outro e eu não consigo aceitar, ela me contou e a culpei, não sei como aceitar isso! _ A comissária sorri e olha para ela com expressão tranquila. - Senhorita, o que a senhora e ela viveram deve ter sido muito forte, então pelo que entendi o medo lhe afastou dela certo? _ Josephine diz que sim, que ela sofreu um acidente com um vampiro e quase morre e ela se culpa por não estar lá, que não acha justo estar com ela e colocar sua vida em perigo. - Eu culpei a minha filha pelo que aconteceu, me culpei por não estar lá e ela apenas sorriu para mim quando me viu. Ela poderia ter morrido por minha culpa e não quero perdê-la! Tenho medo de perdê-la. _ A moça ola para Ana deitada que houve tudo e apenas espera o momento para levantar, ela olha de volta para Josephine e lhe diz o óbvio! - Ela é humana, nós somos frágeis por natureza, mas, podemos ser fortes, veja, ela está viva e se um vampiro não conseguiu matá-la, é porque a senhora chegou no momento certo, também porque ela é forte e poderia acontecer um número infinito de coisas, o problema é que na eternidade, perde-se apenas, mas, vale viver intensamente senhorita. Se a ama, deve aceitar tudo o que ela tem de humano para oferecer! _ Josephine ouve a comissária e olha para Ana, ela sabe que errou feio e não a pode julgar por ser de carne e osso, por se sentir abandonada, pelo que viu no elevador, ela pensa que sente hoje o que Ana sentiu naquele momento e sabe o quanto dói, ela sabe que foi egoísta e que amar é deixar a pessoa livre também, então pensa que deve deixar o amor de sua vida seguir com quem ela escolheu, afinal, ela deu a liberdade de Ana fazê-lo. - Eu já sei o que fazer, obrigada por essa conversa e pelos conselhos, Dê, pode fazer o seu trabalho, mas, come algo, ok? Ah, bebe uma tacinha de vinho, não vai te causar demissão! _ A moça sorri para ela e levanta, Josephine come e vai para o quarto, ela deixa a porta encostada e deita, Ana olha para os lados e levanta devagar, está descalça e pega o notebook para guardar, ela o leva para o quarto, mas, ao passar vê a porta de Josephine encostada, ela vê por uma fresta a vampira deitada com o braço cobrindo os olhos e com as pernas cruzadas, com uma blusa azul folgada e de manga longa de seda, pode-se ver os detalhes contornando os s***s dela e parte do decote desce, Ana sente o corpo queimar de excitação, mas, ignora a cena, entrando no quarto, ela senta na cama e olha as últimas mensagens recebidas e há uma de Jake, dizendo que a ama e que quer passar o resto da vida fazendo amor com ela, mas, ela não quer o mesmo e sente isso mais que nunca, seu estômago revira em pensar que pode estar com a mulher que ama e que se entregou a ele, foi bom, mas, não tem amor, ela não quer uma vida de sexo e nada mais, ela quer amar de verdade e ele não é para ela. Ela levanta determinada e para na porta do quarto de Josephine, quando ela finalmente tem coragem, a comissária a interrompe. - Senhorita, que bom, que está acordada, pode avisar a senhorita Josephine que vamos aterrizar? Preciso que ponham os cintos! _ Ana paralisa e diz que já ia chamá-la mesmo e sorri sem graça. A comissária percebe que interrompeu algo, mas, que é para a segurança, então Ana bate na porta e a chama, Josephine dá um salto e olha para ela ansiosa, mas, Ana diz que o avião já descerá! A vampira consente que entendeu e levanta, pega a maleta de mão e Ana faz o mesmo, com os pertences ao lado, elas sentam e afivelam o cinto para descer, o desembarque é tranquilo, ambas esperam pousar para levantar e descer, Ana calça as botas e se prepara para levantar, elas seguem para a porta e Ana vai à frente de Josephine que a apoia com a mão em seu cotovelo ao descer as escadas, o carro de Josephine as espera e há casacos de frio para Ambas, pois está nevando nessa época do ano, Josephine abre a porta para Ana entrar e entra em seguida, sentando ao seu lado. - Josephine, eu... _ Ana para de falar e Josephine pede para ela não dizer mais nada. - Ana, eu entendo agora o que fiz e não precisa me dizer mais. _ Ana olha para ela confusa e tenta falar. - Não, Josephine eu precis... _ Ela a interrompe mais uma vez, não quer ouvir mais e se magoar, ela prefere deixar como está. - Ana, eu tomei uma decisão, dolorosa, mas, não vou te atormentar mais, quero que seja feliz, comigo ou com o lobo! _ Ana percebe o tom dela, carregado de dor, seu olhar pesado e ela olha para o lado e não permite que Ana a veja chorar, ela não quer parecer fraca, Ana olha para o outro lado e percebe que ela está realmente ferida, chora também e fica quieta para ela não perceber, momentos depois elas chegam a casa de Josephine em Paris, é uma bela mansão também, mas, muito maior que a de Vancouver, o motorista abre a porta e estende a mão para a vampira e logo para ela, que desce e observa com olhos arregalados toda a imensidão daquela casa, linda e confortável, ela é levada para o quarto de René, Josephine vai para o quarto dela que fica de frente ao seu, ela olha a vampira entrar e Josephine não a olha de volta, Ana sente a rejeição e entra no quarto, seus olhos marejados, não teve a chance de falar para ela o que ouviu e pelo visto, ela já tem uma opinião para essa situação, se afastar de vez! _ É manhã em Vancouver e Jake acorda em uma cama diferente, ele não lembra com quem passou a noite, olha para o lado e vê que está em um motel, não há ninguém com ele, mas, há um bilhete com o seu nome no criado mudo, ele abre e uma surpresa pós-ressaca lhe atormenta! "- Querido, a noite foi maravilhosa e demolidora, para um cara que não curte vampiras você mostrou uma faceta bem atrevida, é difícil encontrar um homem como você e devo dizer que é mais do que pensava, tirei algumas fotos nossas para guardar de recordação e quero que nos encontremos hoje, ou entregarei essas fotos para a Ana, ah, quando ela chegar, contará que vai deixá-la, já sabe por quê!" - Droga! Mais que droga, ela armou para mim e caí nessa! Vampira infeliz, tenho que me livrar dela. _ Ele não gosta de ameaças, mas, lembra da noite anterior, de fazerem amor no banheiro e gostou, ele gostou e de lembrar fica e******o, ele olha debaixo do lençol e conversa com o "amiguinho". - Por que você só pensa errado? Se pudesse te arrancava, mas, que ela é gostosa, isso é! _ Ele levanta e veste a roupa para ir embora, mas, tem que pagar a conta, "- Claro que ela não pagaria não é?", ele pensa enquanto o recepcionista o cobra caros duzentos dólares pelo pernoite, ele guarda a nota no bolso e vai para casa, seu irmão preocupado pergunta onde ele estava, ele diz que passou a noite com um amigo. - Mano, estava com o Lucke, ele me deu guarita a noite, bebi demais! _ Casey fala para ele inventar uma desculpa melhor. - Cara, não mente, o Lucke veio aqui agora cedo te procurar, ele está furioso, disse que te viu sair do bar com uma mulher, uma mulher muito gostosa e disse que te chamou e você o ignorou! _ Ele puxa Casey em um canto e pede para não contar isso para ninguém, muito menos para Suzi, pois ela pode falar para Ana e ele não quer isso. - Irmão, não conta para ninguém, olha não foi nada de mais, ok?
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