bc

MINHA TENTAÇÃO NO MORRO

book_age18+
440
FOLLOW
2.7K
READ
dark
badboy
lighthearted
like
intro-logo
Blurb

Alice perdeu tudo em um dia. Pai preso por desvio de dinheiro, mãe fugida pra Europa e uma cobertura no Leblon bloqueada pela justiça. A única saída? Se refugiar no morro com a tia que m*l conhecia.

Ela jurou que nunca se envolveria com bandido. Até conhecer PH.

Dono do morro, lindo como o capeta, sarcástico, possessivo e perigoso. Ele conhece cada beco, cada morador... e agora conhece ela.

"O asfalto te ensinou a ter classe, branquinha. O morro vai te ensinar a ter dono."

Entre bailes da Gaiola, olhares que queimam e um desejo proibido que ela não pode controlar, Alice vai descobrir que fugir do asfalto foi fácil. Difícil vai ser fugir dele.

chap-preview
Free preview
capítulo 1
CAPÍTULO 1: A CHEGADA Ele ia ser o primeiro homem a me fazer abaixar a cabeça na vida. E também o primeiro que eu tive vontade de dar um tapa na cara. O morro inteiro parou pra olhar quando ela desceu da moto-táxi. Não foi por causa do barulho do motor velho engasgando na subida. Foi por causa dela. Alice. Shorts jeans curtíssimo, que ela usava no Leblon pra ir na academia, agora suado e grudado na coxa. Pele branca que nunca tinha tomado tanto sol na vida brilhando de suor. Mochila da Farm nas costas, a única coisa de marca que a mãe não conseguiu vender antes de fugir. E cara de quem tinha acabado de perder tudo. Que era verdade. Três semanas atrás ela tinha cobertura com vista pro mar, motorista e cartão black sem limite. Hoje tinha pai na cadeia por lavagem de dinheiro, mãe foragida em Portugal e uma conta zerada. Só sobrou um endereço anotado num papel amassado: Beco da Carol, no topo. — OLHA SÓ SE NÃO É A PRINCESINHA DO ASFALTO! Carol desceu da laje correndo, descalça, de top neon rosa que quase não cabia, cabelo rosa, cheirando a creme de morango barato e caro ao mesmo tempo. A única amiga que não a abandonou quando o sobrenome caiu. Ela pulou em cima de Alice e abraçou com força. — tá mais gostosa que no i********:, guria! p**a que pariu! As Maria Fuzil aqui vão te odiar na hora que te verem! Alice tentou rir. O riso saiu quebrado. A garganta dela estava seca, o coração batendo tão alto que parecia que o morro inteiro ouvia. O cheiro de esgoto, de churrasquinho, de criança correndo, de funk alto... tudo entrou de uma vez. — Carol, eu juro que se não fosse você... Ela não terminou. Porque o barulho de uma moto maior, muito mais grossa, cortou tudo. Não era moto-táxi. Era um ronco grave, raivoso, que fazia as janelas vibrarem. Todo mundo na rua olhou pra cima. As crianças pararam de jogar bola. Um cara que estava na birosca abaixou a cabeça na hora. Uma XT preta, toda no preto fosco, sem placa, subiu a viela sem freio, como se a viela fosse dela. E em cima dela, ele. Carol agarrou o braço de Alice na hora. Com unha. O sorriso dela morreu em um segundo. — Abaixa o olho. Abaixa o olho agora, Alice. É o PH. PH tirou o capacete devagar. Muito devagar. Boné preto pra trás, barba por fazer de uns três dias, pele morena de sol, cordão grosso de ouro brilhando no pescoço. Camisa preta larga, bermuda da Oakley e um olhar... um olhar que não pedia licença. Ele olhava como se já fosse dono. Ele não olhou pra Carol. Não olhou pra ninguém na rua. O olho preto dele travou direto na Alice, da cabeça aos pés, descendo sem pressa pelo shorts curto, pela perna branca, voltando pra boca dela. O morro ficou em silêncio. — Quem é essa, Carol? — a voz dele era baixa, arrastada, rouca de cigarro, mas todo mundo na rua ouviu. Era uma voz que não aceitava não como resposta. Carol gaguejou. Pela primeira vez na vida Alice viu a amiga com medo. — É... é minha prima, PH. Veio do asfalto, vai ficar uns dias aqui com a gente... ela é de boa, é família... PH desceu da moto. Alto pra c*****o. Mais de 1,90. Sombra cobrindo a Alice inteira. Ele chegou perto demais. Perto o suficiente pra ela sentir o cheiro dele - perfume importado caro misturado com cigarro e algo de mato. Perto o suficiente pra ela ver a tatuagem no pescoço dele subindo até atrás da orelha. Ele não tocou nela. Ele pegou na alça da mochila dela com dois dedos, só dois, como se fosse pesar o que ela tinha de valor. Como se ela fosse uma coisa. — Do asfalto pro meu morro, branquinha? — ele sorriu. Mas foi um sorriso que não chegou no olho. Foi um sorriso de quem está se divertindo com a presa. — Você não dura uma noite aqui com essa roupinha. Vão te comer viva. Alice sentiu o sangue subir. Era medo, era vergonha, era raiva de tudo que tinha acontecido nos últimos 20 dias. Da mãe que fugiu, do pai que mentiu, das amigas que sumiram. Ela estava tremendo, mas não era só de medo. — Eu não vim pra durar — ela respondeu. A voz tremia, mas ela não abaixou a cabeça. Olhou direto no olho preto dele. — Eu vim pra ficar. O sorriso dele morreu na hora. O silêncio ficou mais pesado ainda. Carol prendeu a respiração. PH inclinou a cabeça pro lado, devagar, e olhou pra boca dela. Depois pro pescoço suado. Depois desceu de novo. — Então fica esperta — ele falou mais baixo ainda, só pra ela ouvir, mas cada palavra parecia uma ordem pro morro inteiro. — Porque a partir de hoje, tudo que desce e sobe nesse morro passa por mim. Caminhão, moto, gente. Inclusive você. Entendeu, princesinha? Ele soltou a alça da mochila com um puxão leve. Deu um último olhar, descarado, demorado, na b***a dela marcada no shorts, e voltou pra moto como se nada tivesse acontecido. Como se já tivesse resolvido que ela era dele. Antes de ligar, gritou pra Carol, sem olhar mais pra trás: — Hoje tem baile na laje do 7. Traz ela. Quero ver se ela aguenta ficar até o final. Ele acelerou. A XT subiu o morro deixando poeira, cheiro de gasolina e o coração da Alice batendo na garganta, descompassado. Só quando o barulho sumiu é que o morro voltou a respirar. Carol se virou pra ela, branca. — Ai, fodeu — ela sussurrou, segurando a mão de Alice com força. — Alice, fodeu de verdade. Ele nunca olha duas vezes pra ninguém. Ele gostou de você Agora tá marcada. Agora muito fodida de verdade. Alice olhou pra cima, pro topo do morro, pra onde a moto tinha sumido. Ela tinha perdido tudo no asfalto. E no primeiro dia na favela, tinha acabado de chamar a atenção da única pessoa que ela deveria ter evitado.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

CONTRATO DE SANGUE - MÁFIA

read
18.6K
bc

obsessão pela madrasta_um desejo que nasceu no silêncio.

read
5.1K
bc

A NOVA ESPOSA DO MAFIOSO

read
13.1K
bc

Sou toda sua

read
2.0K
bc

Um contrato com o Diab0

read
2.9K
bc

Entre o Ódio e o Amor

read
13.4K
bc

METRALHA - AMOR PROIBIDO NO MORRO

read
8.6K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook