capítulo 14

1202 Words
### 🎙️ CAPÍTULO 14: Provocações, Pólvora e Veneno *(Nota do Autor: O nome da nossa protagonista é **Alice**, como estabelecido no início, mas o ciúme que ela vai sentir hoje vai ser real e violento!).* O morro amanheceu na calmaria que sucede a tempestade. Soldados do PH limpavam as marcas da invasão falhada nas vielas, recolhendo cápsulas de bala enquanto o comércio voltava a abrir as portas devagar. Na cobertura do QG, o clima pós-sexo de Alice era uma mistura de ressaca moral e uma possessividade que ela mesma não conseguia compreender. Ela estava vestida com uma camiseta preta gigante do PH que ia até o meio de suas coxas, sentada na bancada de mármore da cozinha americana enquanto tomava um copo de suco. Seus olhos negros acompanhavam o movimento lá embaixo na pista pelo vidro espelhado da janela. A porta da frente se abriu com um estrondo familiar. Era **Carol**, que entrava rebolando, com um sorrisinho de canto a canto e o cabelo crespo volumoso bem arrumado. Logo atrás dela veio **Cabelinho**, que trazia o fuzil na bandoleira e exibia um arranhão de unha bem visível no pescoço. — Bom dia para quem foi batizada pelo sub-chefe e acordou com a raba renovada! — Carol disparou alto, jogando-se em uma das banquetas ao lado de Alice e roubando um pedaço do seu misto-quente. — Carol, pelo amor de Deus, fala baixo... — Alice corou na hora, olhando de relance para Cabelinho, que apenas deu uma risada de lado, coçando a nuca com aquela pose de malandro satisfeito. — Aí, cunhada, o patrão tá vindo aí com o DG. O clima tá meio tenso porque pegaram umas mensagens da Kamilly com os alemão, mas o Terror tá no controle — Cabelinho deu a visão reta, encostando na parede e cruzando os braços, os olhos escuros dele encontrando os de Carol de um jeito que fez a garota morder o lábio inferior no automático. Foi nesse momento que os passos pesados de PH ecoaram no corredor. Ele entrou no QG sem camisa, exibindo o peitoral largo coberto de suor e tatuagens, com a Glock preta enfiada na bermuda de moletom. Mas ele não estava sozinho. Logo atrás dele, tentando se esfregar no braço dele, vinha uma "Maria Fuzil" da alta do morro chamada **Rayane** — uma morena de cabelos alisados com formol, short micro jeans que parecia a vácuo e unhas de gel decoradas com glitter. Ela tinha o olhar soberbo de quem achava que ia ocupar o lugar que Kamilly tinha deixado vago. — Ah, PH, deixa de ser marrento... Tu sabe que se tu me der a chave daquela lancha que tu tem na marina, eu cuido muito bem de tu depois do plantão — Rayane falava com uma voz manhosa, quase infantil, passando a mão cheia de anéis baratos pelo ombro dele. PH deu um sorriso de lado, aquele deboche clássico e predatório que Alice conhecia bem. Ele sabia exatamente que Alice estava na cozinha olhando. Em vez de afastar Rayane, ele deixou a garota se aproximar, pegando o copo de uísque que DG entregou para ele e dando uma tragada longa no baseado. — Lancha, Rayane? Tu não aguenta nem o tranco da minha moto na subida, vai querer brincar no mar? — PH provocou, a voz rouca e mansa. Ele olhou de canto de olho para a cozinha, vendo o exato momento em que Alice travou o maxilar e apertou o copo de vidro com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Alice sentiu uma queimação esquisita subir pelo peito. Não era medo. Era um ódio puro, cego e possessivo que ela nunca tinha experimentado na vida no asfalto. Ver aquela mulher passando a mão no peito que poucas horas atrás estava colado ao seu... a deixou com vontade de voar na cara da garota. Carol, que não perdia uma oportunidade de botar lenha na fogueira, cutucou o braço de Alice com o cotovelo e cochichou alto o suficiente para o quarto inteiro ouvir: — Ih, amiga... olha lá. A concorrência não perde tempo. O estoque de p*****a do morro é que nem o tráfico: nunca para de render. Rayane percebeu a presença de Alice e mediu a patricinha de cima a baixo com um olhar de nojo. — PH, quem é essa branququela aí com a tua camisa? É a nova faxineira do QG? Porque se for, ela tá meio devagar, né? O silêncio na sala ficou pesado. Cabelinho segurou o riso, dando um passo para trás sabendo que a bomba ia estourar. Alice não aguentou. O orgulho e o ciúme falaram mais alto. Ela desceu da banqueta com passos firmes, a camiseta do PH balançando nas suas coxas. Ela parou bem na frente de Rayane, os olhos negros cravados nos da garota com uma fúria que chocou até o DG. — Faxineira é a sua mãe que não te deu educação para saber onde é o seu lugar — Alice disparou, a voz firme, sem tremer um milímetro. — E se você quer tanto uma lancha, vai trabalhar e compra uma, em vez de ficar se esfregando que nem uma c****a no homem dos outros. Sai da minha frente antes que eu te mostre como uma garota do asfalto resolve o problema no morro! Carol soltou um *"EITA c*****o! VAI TOMAR NO CU!"* e começou a rir alto, batendo palmas. Rayane arregalou os olhos, chocada com a audácia, e olhou para PH esperando que o dono do morro desse um esculacho em Alice. Mas PH estava estático. O baseado continuava entre seus lábios, mas os olhos negros dele brilhavam com puro divertimento e um t***o absurdo ao ver a "santa" dele virar uma leoa por causa dele. O plano de fazer ciúmes tinha funcionado melhor do que ele esperava. Ele tirou o baseado da boca, soltou a fumaça no rosto de Rayane e deu aquele sorriso cínico, cortante como navalha. — Tu ouviu a patroa, Rayane? — PH perguntou, a voz baixa, o deboche estalando. — O papo dela é reto. Rala do meu QG antes que eu perca a paciência e mande os moleques te descerem na coronhada. O espaço aqui já tem dona. Rayane engoliu em seco, o rosto vermelho de humilhação, e saiu pisando duro, batendo a porta de ferro com força. Assim que a porta fechou, PH olhou para Alice, dando um passo na direção dela com uma arrogância possessiva. Ele segurou a cintura dela com as duas mãos, colando o corpo dela ao seu peito nu. — Marrenta pra caralho... — ele sussurrou perto do ouvido dela, a voz rouca de desejo. — Gostei de ver tu marcando território, branquinha. Tu quer o bandido só pra tu, é? — Eu odeio você, PH! Você fez isso de propósito! — ela bateu no peito dele, tentando se soltar, mas ele apenas a apertou mais forte, rindo do surto dela. — Fiz mesmo. Só queria ver até onde ia a tua marra — ele deu um beijo estalado no pescoço dela, deixando claro quem mandava. — Mas agora tu já deu o papo pra todo mundo ouvir: tu é a mulher do dono. E quem manda em tu sou eu.
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