capítulo 5

1220 Words
### 🎙️ CAPÍTULO 5: O Controle na Palma da Mão (Ponto de Vista: PH) O visor do radinho de comunicação piscou três vezes antes de DG soltar a voz do outro lado, chiando entre a estática. — *Aí, chefe. O menor já desceu e deixou a encomenda com a branquinha. Ela tentou devolver, bateu o pé, fez biquinho de marrenta, mas o menor meteu marcha e deixou o aparelho lá com ela.* PH deu um sorriso curto de lado, sem tirar os olhos do monitor do computador no seu QG principal. Ele estava recostado na sua cadeira de couro preta, com as duas pernas esticadas em cima da mesa de mogno, bem ao lado de um maço de notas de cem reais empilhadas e de sua pistola Glock com kit rajada. — Visão, DG. Ela falou mais alguma coisa? — PH perguntou, apertando o botão lateral do rádio, mantendo a voz calma, mas com aquele tom de comando que fazia todo mundo em volta pisar em ovos. — *Disse que não queria nada de você, chefe. Que não era mercadoria. A prima dela, a Carol, quase cresceu o olho no celular, mas a branquinha parecia que ia queimar o bagulho com o olhar.* — Deixa ela espumar — PH debochou, soltando o botão e jogando o radinho em cima da mesa. Ele esticou o braço, pegando o seu próprio celular. Na tela, o número novo que ele tinha mandado colocar no aparelho de Alice já estava salvo como "Santa". PH era o dono do morro. Ele não pedia, ele não implorava, ele não esperava a boa vontade de ninguém. No mundo dele, se ele colocasse o olho em uma carga, a carga vinha. Se ele colocasse o olho em uma área, a área era dominada. E se ele colocasse o olho em uma mulher, ela deitava na cama dele mais cedo ou mais tarde. Só que a tal da Alice estava atiçando o lado mais sádico e arrogante dele. O normal era as piranhas do morro — e até as patricinhas do asfalto que subiam pra curtir o baile — se jogarem nos pés dele pelo cheiro do dinheiro ou pelo status de estarem com o chefe. Kamilly mesmo vivia rastejando, aceitando qualquer migalha que ele jogasse só pra postar foto com a pulseira de ouro que ele tinha dado. Mulher pra PH sempre foi isso: um passatempo descartável, uma carne para aliviar o estresse depois de um tiroteio com os alemães ou com os canas. Usou, gozou, mandou descer a ladeira. Mas aquela branquinha... p***a. PH fechou os olhos por um segundo e a imagem dela no baile voltou como um soco no estômago. Aquele vestido rosa canelado colado na cintura fina, a b***a empinada que parecia desenhada pra encaixar na mão dele, e aquela pele branca demais, quase brilhando na fumaça da favela. Mas o que tinha grudado na mente dele de verdade foi o cheiro de flor que saiu do cabelo n***o dela quando ele chegou perto, e o olhar de nojo misturado com medo que ela sustentou contra o dele. Ela tentou bancar a firme, mas o peito dela subia e descia, os lábios de delícia tremendo. Aquela marra toda ia cair. E PH ia adorar quebrar o orgulho dela, pedaço por pedaço, até ela estar implorando pelo toque dele. Ele olhou para o relógio na parede: duas da tarde. Digitou o número da "Santa" e apertou para ligar. Colocou o aparelho no ouvido, tamborilando os dedos cheios de anéis de ouro na mesa de madeira. Chamou uma, duas, três vezes. No quarto toque, a linha ficou muda. Atendeu. — Alô? — A voz dela saiu do outro lado, irritada, mas com aquele sotaque arrastado de menina rica do asfalto que fazia o p*u de PH guinar as calças na mesma hora. — Não sabe ler não, branquinha? — PH soltou o deboche na hora, a voz rouca e mansa, carregada de sarcasmo. — Eu não te dei o papo no bilhete? Quando eu ligar, tu atende rápido. Não gosto de esperar. Houve um silêncio do outro lado, seguido por uma lufada de ar irritada. PH conseguia até imaginar a carinha dela de bico, bufando. — *Eu não quero o seu celular, e não tenho nada para falar com você!* — Alice rebateu, tentando manter a voz firme, mas ele pegou a hesitação no tom dela. — *Eu vou mandar a minha prima devolver isso na sua boca de fumo, ou seja lá onde você fica!* PH soltou uma gargalhada alta, ecoando pela sala vazia do QG. — Tu tá achando que tá falando com teus namoradinhos do Leblon, Alice? — O tom dele mudou de brincalhão para algo frio e cortante em um segundo, o puro Terror do Vidigal assumindo o comando. — Se tu devolver esse celular, eu mando meus moleques buscarem você e te trazerem até aqui pra me entregar em mãos. Aí o papo vai ser outro. Tu escolhe: ou fala comigo na tela, ou fala comigo deitada no meu sofá. Um suspiro chocado veio do outro lado da linha. — *Você é um monstro... Você acha que pode comprar as pessoas? Eu tenho nojo do seu dinheiro!* — Mas do meu corpo tu não teve nojo ontem, né? Fiquei coladão em tu e tu ficou toda arrepiada, que eu senti — PH provocou, voltando com o sorriso de lado, o sarcasmo estalando. — Escuta aqui, branquinha: tu tá no meu morro agora. Aqui a lei sou eu. Eu não quero te comprar, não. Eu quero te dar conforto. Mas se tu quiser do jeito mais difícil, a gente faz do jeito mais difícil. Hoje à noite eu vou passar aí na rua da tua tia pra te ver. É bom tu tá na calçada. — *Eu não vou estar!* — Se tu não tiver, eu entro na casa da Dona Fátima, tomo um café com ela e te puxo pelo cabelo pra dentro do meu carro. Tu escolhe, santa. Sete da noite eu tô passando. Não me faz perder a paciência que hoje eu já acordei com a mente cheia de problema. PH desligou na cara dela sem esperar resposta. Ele jogou o telefone na mesa e deu um tapa na coxa, sentindo a adrenalina do jogo de caça correr pelas veias. Cabelinho entrou na sala logo em seguida, ajeitando o fuzil no ombro, olhando para a cara do patrão com uma expressão de quem já sabia o que estava rolando. — Tu tá rindo sozinho, chefe? Bagulho tá doido lá na baixada, os morador tão falando que a Kamilly tá arrumando confusão com a família da branquinha na feira — Cabelinho avisou, cruzando os braços. — A Kamilly tá espalhando que a mina é informante do asfalto só porque o pai dela tá preso. O sorriso de PH sumiu instantaneamente. O olhar dele virou puro gelo. Ele se levantou da cadeira, ajeitando a pistola na cintura com uma força desnecessária. — A Kamilly tá querendo tomar um corretivo pra largar de ser otária — PH falou, a voz saindo como um rosnado baixo. — Avisa pro DG descer com dois moleques. Ninguém mexe com o que é meu. E a branquinha... a branquinha já é minha propriedade. Quem atravessar o caminho dela, vai prestar conta comigo no micro-ondas. Bora descer.
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