capítulo 7

933 Words
### 🎙️ CAPÍTULO 7: O Ninho do Predador A subida na garupa da moto foi uma tortura sensorial. Alice foi forçada a colar todo o seu corpo contra as costas largas e firmes de PH. Cada vez que ele acelerava a máquina pelas curvas fechadas e íngremes do morro, o impacto jogava os quadris dela contra a b***a dele, fazendo o sangue de Alice ferver de uma mistura incômoda de pânico e t***o involuntário. Ela segurava nos ombros tatuados dele com tanta força que suas unhas quase perfuravam a pele bronzeada do dono do morro. PH apenas ria, sentindo o aperto e acelerando ainda mais de propósito, sabendo exatamente o efeito que causava. Quando a moto finalmente parou, Alice estava trêmula. Eles estavam no topo absoluto do Vidigal, em frente a uma casa de três andares que parecia uma fortaleza de luxo no meio da comunidade. Tinha paredes de concreto escuro, portão de ferro reforçado e dois soldados de fuzil na entrada que bateram no peito em sinal de respeito assim que PH desceu. — Desce aí, santa. Chegou no teu destino — PH debochou, tirando o capacete e bagunçando os cabelos pretos com os dedos cheios de anéis. Alice desceu, as pernas vacilando um pouco. Ela tirou o capacete com pressa e o entregou para ele, tentando recuperar a pose de menina intocável do asfalto, embora seu short jeans estivesse ligeiramente amassado e seu coração parecesse uma bateria de escola de samba. — Eu não queria vir aqui, PH — ela disse, cruzando os braços sobre o peito, os olhos escuros faíscando. — Mas veio — ele rebateu com um sorriso cínico, segurando-a pela cintura com uma das mãos e a empurrando de leve para dentro da casa. — Agora entra e para de reclamar, que marra em jejum dá azia. O interior da casa era um soco no estômago de qualquer estereótipo. O chão era de porcelanato preto brilhante, com uma TV gigante na parede, sofás de couro legítimo e uma cozinha americana impecável com eletrodomésticos de última geração. No canto da sala, uma mesa de vidro exibia algumas garrafas de bebidas caras e um rádio transmissor que não parava de chiar baixo. — Senta aí. Vou pegar uma água pra tu lavar essa boca cheia de marra — PH disse, caminhando até a cozinha com aquela pose de quem é dono do mundo. Alice continuou de pé, no centro da sala, olhando ao redor com desconfiança. Ela ouviu os passos dele voltando e se virou rapidamente. Ele trazia um copo de água gelada, mas o fuzil dourado que antes estava na moto agora estava encostado na parede da cozinha. Sem a arma, PH parecia ainda mais perigoso. O peito nu sob a luz da sala exibia cada músculo definido, cada linha de suas tatuagens realistas que subiam até o pescoço. — Bebe — ele ordenou, estendendo o copo. Alice pegou o copo, tomando um gole devagar para acalmar a garganta seca. PH deu um passo à frente, quebrando a distância de novo. O hálito dele, quente e com cheiro de menta, roçou a testa dela. — Tu foi corajosa lá embaixo — ele comentou, a voz descendo para aquele tom rouco que fazia as pernas de Alice fraquejarem. — Peitar a Kamilly no meio da rua... Tu tem marra de verdade, ou é só pose pra agradar a prima? — Eu só não aceito que ninguém me humilhe — ela respondeu, sustentando o olhar, embora sentisse o calor dele irradiando contra o seu corpo. — E eu não sou informante. Meu pai... meu pai errou, mas eu não tenho nada a ver com o crime dele. — Eu sei disso, branquinha — PH deu um passo ainda mais próximo, os olhos negros dele descendo para a boca avermelhada e úmida de Alice. — Se eu achasse que tu era informante, tu não estaria na minha sala tomando água. Estaria subindo o morro dentro de um pneu. Eu sei de tudo o que acontece aqui. Inclusive que tu não consegue tirar os olhos de mim desde que pisou no baile. — Isso é mentira! — ela protestou, dando um passo para trás, mas suas costas bateram diretamente na parede fria de porcelanato. PH não perdeu tempo. Ele deu mais um passo, encurralando-a completamente. Ele apoiou as duas mãos na parede, uma de cada lado da cabeça de Alice, prendendo-a em seu espaço pessoal. O cheiro dele — perfume importado caro, fumaça de tabaco e aquele calor bruto da pele — invadiu o nariz de Alice de forma devastadora. — Mentirosa — ele sussurrou, o rosto a centímetros do dela. — Tu tá se tremendo toda, Alice. Tua boca tá pedindo meu beijo desde ontem. Pode fingir pra tua prima, pode fingir pra tua tia... mas pra mim tu não consegue esconder. Tu quer o perigo, santa. E o perigo sou eu. — Você é um convencido, arrogante... — ela começou a dizer, mas o insulto morreu na garganta quando PH desceu uma das mãos da parede e segurou o queixo dela com firmeza, forçando-a a olhar diretamente para ele. — Eu sou o dono dessa p***a toda, branquinha — ele corrigiu com um sorriso ladino, os olhos brilhando com uma luxúria predatória e possessiva. — E agora, eu sou teu dono também. Alice tentou respirar, mas a proximidade física era opressiva e absurdamente excitante. O contraste de sua pele branca contra a mão grande e tatuada dele era escandaloso. Ela queria empurrá-lo, queria gritar, mas cada fibra de seu corpo parecia traí-la, implorando pelo toque daquele homem que ela jurava odiar.
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