### 🎙️ CAPÍTULO 18: A Sombra da Lei e a Decisão do Chefe (Ponto de Vista: PH)
O sol da manhã bateu na parede de vidro da cobertura e o reflexo na mesa de mogno era o puro rastro da noite de ontem. Papéis espalhados, um copo de uísque quebrado no canto e o corpo da branquinha deitada no meu peito, completamente apagada de cansaço. Alice ainda respirava calmo, com os cabelos negros cobrindo parte do rosto e a pele alva cheia das marcas dos meus dedos.
Olhei pra ela e senti aquela queimação esquisita de novo. Ontem o ciúme me cegou. Ver aquele o****o encostando a mão nela me deu um ódio que quase me fez rasgar o cara no meio na frente do morro todo. Ela me chamava de selvagem, chorava, mas se entregava com uma força que me deixava maluco.
O radinho na cabeceira da cama tremeu, quebrando o silêncio. Baixei o volume no talo antes de apertar o botão.
— *Aí, Terror. Visão reta. Cabelinho tá subindo com o DG. Bagulho azedou lá na baixada, chefe.* — A voz do menor da guarita tava tensa.
— Tô descendo. Não acorda a mina — respondi curto, soltando o botão.
Tirei o braço debaixo da cabeça de Alice devagar, cobri o corpo dela com o lençol e levantei. Vesti só uma bermuda preta, enfiei a Glock na cintura e peguei o fuzil dourado na parede. Quando abri a porta da sala, Cabelinho já tava entrando, com o semblante fechado e os óculos escuros na testa. O pescoço dele ainda tinha os arranhões da Carol de ontem, mas o foco dele agora era outro.
— Qual é a neurose, Cabelinho? — perguntei, sentando na cadeira e pegando um cigarro.
— O playboy de ontem, chefe. Tu bateu pouco não, o cara tá na UTI do Miguel Couto — Cabelinho deu o papo, cruzando os braços. — E o pior: o pai do moleque é peixe grande, coronel antigo da PM. Os canas da Civil já meteram o canetão. Tão armando uma operação de força com o CHOQUE e o BOPE pra entrar no Vidigal ainda hoje. Querem a tua cabeça e a do responsável pelo quebra do camarote.
Dei uma tragada longa, soltando a fumaça devagar. O sarcasmo sumiu do meu rosto.
— Eles acham que vão entrar aqui e fazer festa por causa de playboy do asfalto? Avisa pros cria travarem os acessos com os blindados improvisados. Quero a contenção da alta na atividade.
— Já dei o papo, Terror. Mas tem mais uma parada... — Cabelinho hesitou, olhando de relance pro corredor do quarto de Alice. — Estão dizendo lá embaixo que os canas vão usar o nome da Alice. Como o pai dela tá preso e ela subiu o morro faz pouco tempo, tão querendo meter o louco que ela tá sendo mantida em cárcere privado pra justificar a entrada com o pé na porta de todas as casas da baixada. Tão querendo usar a mina de bucha pra te caçar.
O sangue subiu pra minha cabeça na mesma hora. Bati a mão na mesa, o estalo ecoando forte.
— Cárcere privado o c*****o! A mina tá comigo porque eu decidi que ela é minha! — rosnei, a fúria do dono do morro voltando com tudo. — Ninguém encosta a mão na Alice. Se os canas subirem querendo ela, vão tomar rajada de .50 de cima a baixo.
Nesse momento, a porta do quarto abriu devagar. Alice apareceu no corredor, vestindo uma camisa minha que ia até o joelho, os olhos escuros ainda meio sonolentos, mas cheios de preocupação ao ouvir os gritos.
— PH... o que está acontecendo? — ela perguntou, a voz mansa, olhando pra mim e depois pro Cabelinho. — Eu ouvi você falar o meu nome. A polícia está vindo por minha causa?
Caminhei até ela com passos largos, segurando os ombros dela com aquela firmeza possessiva que ela já conhecia. Olhei bem no fundo dos olhos negros da minha santa.
— Os canas tão querendo usar teu nome pra armar um inferno aqui dentro, branquinha — falei, a voz rouca, sem enrolação. — O morro vai virar um campo de guerra nas próximas horas. O BOPE vai subir rasgando.
Alice empalideceu, o peito subindo e descendo rápido na camisa.
— Meu Deus... PH, eu tenho que descer! Se eu falar com eles, se eu disser que estou bem, eles não precisam subir! Minha tia, os moradores... eles vão sofrer por minha causa!
— Tu não vai a lugar nenhum! — apertei o braço dela de leve, trazendo o corpo dela contra o meu peitoral nu. — Tu não vai brotar na pista pra cana te levar e te usar de moeda de troca contra mim. No meu morro, quem resolve a bronca sou eu. Tu sobe com os moleques pro bunker da mata alta agora. Cabelinho!
— Fala, chefe!
— Pega a tua picape. Tu e a Carol vão escoltar a Alice pra gruta da parte alta. Deixa dois cria de fuzil na contenção com elas. Se o quebra começar na baixada, a prioridade é manter as duas seguras. Entendeu a visão?
— Entendido, Terror. Vou buscar a Carol na casa da Fátima agora e a gente mete marcha — Cabelinho ajeitou o fuzil no ombro, o olhar sério de quem sabia que o bicho ia pegar.
Alice olhou pra mim, os olhos cheios de lágrimas, mas com aquela marra que me dava um t***o absurdo. Ela segurou o meu pescoço tatuado, me puxando pra perto.
— Promete que não vai morrer, PH... por favor. Eu odeio o que você faz, mas... eu não quero te perder — ela sussurrou, a entrega sendo total pela primeira vez.
Dei um sorriso ladino, aquele deboche clássico de quem manda na p***a toda, e colei meus lábios nos dela num beijo rápido e molhado, marcando posse antes da tempestade.
— Eu sou o Terror do Vidigal, santa. O asfalto tenta me derrubar faz anos e eu continuo aqui. Vai com o Cabelinho. Quando o tiroteio acabar, eu vou lá em cima te buscar. E tu vai ser minha de novo.