Vincenzo
O barulho frenético da Boate bate contra minha cabeça. A multidão parece as barras de uma gaiola, e eu flexiono minha mão esquerda contra a dor formigante e maçante que sobe até meu cotovelo, tentando aliviar os nervos, mas nada realmente me acalma. Agora, não me importo com a distração. Estou obcecado com a garota que derramou sua bebida no meu colo durante a maior parte desses dois dias e só estou de volta a esse inferno lidando com multidões porque espero encontrá-la novamente.
Melissa Rosselini. Eu sabia que havia uma chance de encontrá-la aqui, já que seu irmão Lúcio é o dono do lugar, mas não tinha ideia de que teria uma primeira impressão tão espetacular. Eu me inclino para trás em meu assento na área do lounge VIP na sacada com vista para a pista de dança e fecho meus olhos, um sorriso nos lábios, pensando na maneira como ela me pediu para limpá-la com uma mistura incrível de confiança e nervosismo, como se ela me quisesse tanto a ponto de superar sua aversão natural de f***r com homens estranhos em banheiros de boates.
Eu não tinha planejado ir tão longe com ela, mas depois que aquelas palavras saíram da boca dela, como diabos eu iria me controlar?
A música está muito alta e a multidão me deixa desconfortável. Continuo procurando as saídas e imaginando a debandada caótica que aconteceria se houvesse um incêndio ou um atirador ativo ou algo assim. Quero me agarrar aos bons pensamentos, imaginando minha boca entre as pernas da minha futura esposa, exceto que isso sempre acontece comigo em espaços fechados. Minha mente começa a voltar para a escuridão e o desconforto formigante no meu braço marcado se intensifica até que eu bebo até ficar em um estupor ou saio de qualquer situação que esteja desencadeando minha reação r**m. Mas estou me colocando nisso, como me coloquei na outra noite, na chance remota de vê-la novamente antes que tudo seja oficializado.
Meus homens Salvatore e Constantino estão ocupados flertando com a garçonete e não percebem quando Lúcio Rosselini aparece na área VIP. Ele passa por seus seguranças e se aproxima, e meus guarda-costas inúteis só o veem quando ele já está sentado na cadeira ao lado da minha e apertando minha mão. Eles se movem para se aproximar, mas eu dou a eles um aceno brusco — e pelo menos eles têm o bom senso de parecer envergonhados. Fodidos inúteis.
— Estou feliz que você esteja aqui de novo — Lúcio diz por cima da música. Ele sorri para mim, um pouco simpático e alto demais para o meu gosto, mas me disseram que ele é o melhor líder da Máfia da Famiglia Rosselini em tempos de guerra. É difícil imaginá-lo cavalgando para a batalha, mas ouvi os rumores, e se eles estiverem pelo menos meio corretos, ele é um homem formidável. Eu o respeito por isso.
— Eu não conseguia ficar longe. Meus homens gostam muito da sua hospitalidade.
Falo alto para que eu possa ser ouvido enquanto dou a eles um olhar penetrante. A garçonete sai correndo, seu rosto ficando rosa com a minha insinuação.
— E Bruno me disse que Don Renzo falou com sua irmã hoje sobre o nosso acordo.
— É sobre isso que eu queria falar com você. Lúcio olha para as escadas que levam a boate principal.
— Renzo contou a ela sobre a situação e ela ficou um pouco surpresa. Na verdade, ela está aqui agora e quer vir falar com você, mas eu disse a ela que é melhor ela ficar longe e se acalmar por alguns dias primeiro.
Minhas sobrancelhas se erguem.
— Mande-a subir se ela quiser falar comigo.
— Eu não sei.
Ele se mexe desconfortavelmente na cadeira.
— Olha, Vincenzo, posso ser direto com você? Mel está meio chateada e não está em um ótimo estado de espírito agora. Tenho certeza de que ela vai dizer algo e******o. Talvez seja melhor se você ficasse longe por agora.
Ele está tentando me expulsar. Se não fosse tão hilário, eu ficaria insultado, mas, para a sorte dele, acho isso mais do que um pouco divertido. Ele provavelmente acha que a irmã está brava por causa do acordo, e tenho certeza de que isso é uma grande parte disso, mas suspeito que sei o verdadeiro motivo pelo qual ela está furiosa agora.
— Mande-a subir. Teremos uma conversa civilizada.
Lúcio limpa a garganta.
— Tem certeza? Estou falando sério, ela está em pé de guerra.
— Ela vai ser minha esposa em breve. Eu poderia muito bem conhecer o temperamento dela agora e aprender a lidar com isso.
— Você é um homem mais forte do que eu — ele murmura e se levanta. Ele gesticula para seus seguranças e um deles desaparece.
— Vou mandar bebidas para você e a Mel e talvez algumas garotas para seus homens?
— Eu vou querer as bebidas, mas não as meninas. Se sua irmã está tão brava quanto você diz, acho que vou precisar dos meus guardas de alerta o tempo todo.
Lúcio ri, mas eu não estou brincando. Tenho a sensação de que ela vai tentar me matar, e eu gostaria que alguém estivesse aqui para pará-la antes que eu tenha que matá-la eu mesmo.
Um minuto depois, ela aparece no topo da escada, seu rosto marcado por uma fúria fria, suas mãos fechadas em punhos. Ela está usando jeans e um moletom, não o vestidinho preto sexy que ela usou na primeira noite em que nos conhecemos, o que seria uma pena se ela não parecesse tão fodidamente bem sem se arrumar. Eu tinha visto fotos dela antes de vir para cá na minha casa em Chicago, mas ela era muito nova e não mostrava a beleza e sedução que ela é agora.
Ela é magra e baixa, com cabelos grossos e escuros, e lábios carnudos que parecem o paraíso mesmo quando estão pressionados juntos e descoloridos. Seu corpo é imaculado, curvilíneo exatamente onde eu gosto, e sua pele macia tem gosto de mel e uísque. Seus olhos azuis encaram os meus e os de Lúcio, certo, ela parece que vai tentar me dar uma joelhada no p*u de novo, mas dessa vez ela não vai parar até que eu esteja vomitando de agonia.
Acho a ideia de afastá-la estranhamente excitante. Outro lembrete de quão fodido eu estou.
— Você não deveria estar aqui de novo — ela diz, de pé na minha frente. Salvatore e Constantino vão para o outro lado da sala de estar e fingem que não estão prestando atenção.
— Se você fosse esperto, teria corrido de volta para casa.
— Por que eu faria isso? Eu tive um gostinho do meu futuro e acontece que eu gostei.
Ela dá um passo à frente, seus ombros tremendo.
— Você sabia quem eu era?
— Sim — eu digo e inclino minha cabeça para o jeito que suas narinas se dilatam.
— Devo mentir e fingir que foi uma surpresa?
— Não, eu não quero que você minta, eu só quero entender o que diabos você estava fazendo?
Eu dou um tapinha na cadeira em que o irmão dela estava há apenas um minuto.
— Sente-se e nós conversaremos.
— Prefiro ficar de pé. Se eu chegar mais perto, vou tentar te esfaquear na maldita garganta. Um casamento arranjado? E você sabia disso?
Ela praticamente engasga com essa última parte, e se eu fosse uma pessoa normal, eu poderia até me sentir m*l com isso.
Em vez disso, não sinto nada, apenas vontade de sair logo desse prédio lotado.
— Vou te lembrar que foi você quem me agrediu naquela noite.
— Você me arrastou para um banheiro — ela diz e joga as mãos para cima.
— Que diabos foi isso?
— Eu planejei te limpar. O que realmente aconteceu foi uma surpresa agradável.
— Você sabia, p***a.
Ela dá um passo mais perto.
— Durante todo esse tempo, você sabia, e não disse nada. Você simplesmente deixou acontecer. Você me deixou fazer coisas que me dão vergonha.
Eu levanto uma mão quando a garçonete chega. Ela coloca duas bebidas na mesa, um vinho para Melissa e outro uísque para mim. Eu tomo alguns goles grandes, segurando o copo com minha mão esquerda porque o frio é bom para minhas cicatrizes. Melissa está olhando para a pele queimada e manchada, e quando eu levanto meus olhos interrogativamente, ela rapidamente olha para seus pés.
— Como eu deveria te contar? — pergunto, mantendo minha voz o mais tranquila possível. — Não era minha função dar essa notícia. Eu estava lá naquela noite para me encontrar com seus irmãos, não para falar com você, e o que aconteceu entre nós foi um total golpe de sorte.
— Golpe de sorte?
Ela ri amargamente e pega seu vinho, virando metade em dois grandes goles.
— Deus, eu estou tão envergonhada com essa coisa toda, e você está sentado aí como se isso não fosse grande coisa. Nós deveríamos nos casar e nós, p***a — Ela se interrompe como se não conseguisse dizer.
— Tivemos um momento muito especial juntos no banheiro masculino desta boate — eu digo, lutando para manter uma cara séria.
Pedindo a Deus ajuda pra não fodê-la. Ela está ficando tão perturbada e eu acho isso mais do que sexy quando suas bochechas ficam vermelhas e seu maxilar se move.
— Não é melhor que nos casemos agora?
— Não, de jeito nenhum, e eu nunca disse que ia me casar com você.
Isso me faz sentar. Eu também não estou exatamente feliz com essa situação, mas eu não ousaria me recusar a fazer minha parte pela minha família, mesmo que isso signifique ter uma esposa que eu não quero, mesmo uma esposa que claramente me despreza agora.
— Eu não sabia que você tinha escolha — eu digo, o que a deixa ela ainda mais brava. Embora eu não saiba o porquê — não é como se eu tivesse uma p***a de uma escolha também.
— Não sei como funciona de onde você vem, mas meu irmão não vai me forçar a nada. Talvez isso estrague seus planos idiotas, mas você pode se casar com que você quiser, que não me importo, porque não tem como eu passar o resto da minha vida com você.
Respiro lenta e profundamente para me manter calmo. Ela está chateada agora, o que é completamente compreensível, mas acho que ela não entende o que recusar esse casamento fará. Gesticulo para a cadeira ao meu lado novamente.
— Por favor, sente-se e me escute por um segundo.
— Não, eu disse o que vim aqui para dizer, e agora estou farta. Não vou me casar com você. Boa sorte sendo um babaca com outra pessoa.
— Melissa — eu digo, lutando para me manter sob controle.
— Você, sua garota teimosa e egoísta, sente-se e apenas escute.
— Eu sou uma garota teimosa e egoísta? Seus olhos se arregalam e uma risada chocada escapa de seus lábios.
— Você está dizendo que eu sou a egoísta?
— Se você romper esse casamento, estará estragando meses de negociações e colocando toda a sua família em perigo. Não sei o que seu irmão lhe disse, mas esse casamento arranjado não é uma p***a de uma história de amor de conto de fadas. Isso é sobre a sobrevivência de ambas as nossas organizações. Agora, sente-se e ouça.
Ela não se move. Posso dizer que tenho a atenção dela, pelo menos. Seu rosto suaviza e ela parece cética, mas ela não está mais gritando comigo, o que é um passo na direção certa.
E ajuda que eu não esteja mentindo.
— Fale rápido — ela diz e senta-se na ponta da cadeira. Ela vira o resto do vinho.
— Eu saio daqui em dois minutos.
Esfrego meu rosto, além de frustrado com toda essa situação. Quase queria não ter feito sexo oral nela naquele banheiro, exceto que acho que nunca vou me arrepender disso. O olhar de êxtase em seu rosto quando ela gozou na minha língua vale essa p***a de dor de cabeça.
— Sua família está enfraquecida por anos de guerra — digo a ela, falando baixo o suficiente para que ela seja forçada a se inclinar mais para perto.
— Eles precisam de nossas conexões com os cartéis mexicanos para melhor acesso às drogas, e precisam disso rápido antes que seus rivais comecem a invadir seu território.
— Não temos rivais — ela diz, acenando para que eu vá embora.
— A Milano Famiglia e a Rinaldo Famiglia são ambas aliadas. Não há outras famílias criminosas na Filadélfia.
— Ainda não, você está certo, mas as famílias de Nova York vão se mudar em breve. Aqueles tubarões sentem o cheiro de sangue na água, e planejam invadir seu território agora que vocês foram espancados e enfraquecidos, e vai funcionar, a menos que seu irmão faça algo drástico.
Tudo isso é verdade. Renzo supostamente tinha espiões nas famílias de Nova York e eles relataram seus planos, o que coincide com os rumores que ouvimos de nossa própria pequena rede de escuta. Mas posso dizer que ela não acredita em mim.
— Vamos supor que isso seja verdade.
Ela parece realmente não quer ceder.
— O que você ganha com isso?
— Minha família está lidando com nossos próprios problemas internos. Seu irmão nos dará acesso direto aos seus contatos no exterior no comércio ilegal de armas. Planejamos aumentar nosso estoque pessoal enquanto vendemos para várias outras facções no Canadá e na Costa Oeste. Basicamente, vocês recebem drogas e nós recebemos armas. É um acordo perfeito.
Ela olha para sua taça de vinho como se desejasse que ela estivesse cheia novamente. Eu empurro meu uísque em sua direção e ela hesita por um segundo, mas relutantemente aceita.
— O que acontece se não fizermos isso? — ela pergunta, tomando um gole e fazendo uma careta. — Deus, eu odeio essa coisa. — Ela bebe mais e me encara.
— Você está me dizendo que não há outra maneira de vocês dois chegarem a um acordo? Parece um simples
acordo comercial.
Foi exatamente isso que eu disse ao meu pai há dois meses quando ele veio até mim com esse plano. Eu não fiquei feliz com isso, assim como ela não está feliz com isso, mas a explicação dele é a única razão pela qual estou sentado aqui nesta maldita boate falando com uma garota que me odeia profundamente.
— Você sabe tão bem quanto eu que o casamento é mais forte do que qualquer outro vínculo formal. Contratos podem ter desfeitos, mas o casamento é sangue e família. É como nosso mundo tem feito as coisas por muito tempo, e por um bom motivo. O casamento não só fornecerá as armas e drogas que ambos precisamos, mas também fortalecerá nossas famílias ao criar uma conexão inquebrável, porque acima de tudo, precisamos de mais aliados se quisermos sobreviver.
Não vou contar a ela sobre como meu irmão mais novo, Sergio, está atualmente definhando na prisão porque alguém dentro de nossa organização o delatou, ou sobre os assassinatos e tentativas de assassinato de membros de alto escalão de nossa Famiglia. Não há guerra declarada, mas o poder da minha família nunca foi tão ameaçado antes, e meu pai acredita que essa aliança é uma maneira de mostrar força diante da adversidade.
Ela se recosta, cruza as pernas e toma outro gole.
— Acho que não importa que eu não queira nada com você, certo? Porque se eu não fizer isso, minha família vai sofrer.
— E o minha também — eu digo a ela.
— Se dependesse de mim, eu também não estaria aqui agora. Estamos na mesma posição, gatinha.
— Não me chame de gatinha. — Ela fecha os olhos.
— p***a. Agora eu vejo por que Renzo não me contou tudo isso. Ele quer que eu tome minha própria decisão, e isso seria um grande chute de culpa direto no meu crânio.
— Você tem um bom irmão, mas ele é mole demais com você. O fato é que estamos ferrados, gatinha. Você e eu estamos presos juntos, porque se não fizermos isso, nossas vidas serão ainda piores.
— Não tenho certeza de como isso é possível. Ela gira o copo e o bate na mesa.
— Tem que haver outro jeito. Outra pessoa.
— Você quer forçar outra garota Rosselini a se casar no seu lugar?
Eu passo o polegar pela minha boca e estreito meus olhos.
— Eu não sabia que você era tão egoísta.
— Ah, f**a-se — ela diz e se levanta, empurrando a cadeira para trás.
Ela está furiosa de novo, mas sabe que estou certo, e é outra razão pela qual estou passando por isso — porque se eu não fizer, um dos meus irmãos terá que tomar meu lugar, e isso não seria justo com ele.
Eles terão sua vez. Eu sou o segundo mais velho, e é minha vez de cumprir meu dever com a Famiglia, mas até minhas irmãzinhas serão solicitadas a tomar essa decisão impossível um dia no futuro, e não tenho dúvidas de que todas farão o que tem que ser feito.
Porque a família é maior que qualquer um de nós.
— Vá em frente e confirme minha história com seu irmão — eu digo a ela enquanto ela começa a ir embora furiosa.
— Me odeie o quanto quiser, gatinha, mas eu não estou mentindo.
Ela para a alguns metros de distância, mãos fechadas em punhos, e gira para me prender com um olhar que poderia matar um homem insignificante. Ela aponta um dedo na minha direção, e estou impressionado que ele não esteja tremendo.
— Eu não quero ter nada a ver com você, Vincenzo Bianco, ou com a p***a da sua família. Se eu descobrir que você mentiu para mim hoje à noite, eu vou embora. Você entendeu? Se você esconder algo de mim de novo, eu vou enfiar um garfo no seu olho. Você me ouviu?
Eu me inclino para trás na cadeira e coloco um braço sobre o encosto.
— Não se preocupe. Agora que você é minha, eu te darei tudo o que você quiser. Exceto sua calcinha de volta.
Suas bochechas ficam vermelhas e sua boca trabalha em uma ladainha de xingamentos, e ela finalmente se vira e sai furiosa. Eu a observo ir, meu coração disparando em um ritmo rápido no meu peito, e não consigo me lembrar da última vez que me senti assim. Eu queimei prédios e matei homens poderosos, dormi com muitas mulheres bonitas e subi ao topo na sociedade, mas nunca quis alguém do jeito que quero Melissa Rosselini neste momento.
— Parece que foi ótimo — Salvatore diz quando ela sai. Ele se joga na cadeira dela.
Constantino fica perto da grade.
— Aquela garota odeia você.
— Vou me acostumar com ela.
Eu me levanto, e meus homens se juntam a mim.
— Já chega por hoje. Vamos dar o fora daqui.
Porque agora que falei com minha futura esposa, não há mais razão para sofrer neste lugar.