70 — Urso Narrando Eu continuei ali, sentado na poltrona da coroa, com a cabeça estalando. O sonho do molequinho de cara amarrada ainda estava passando na minha frente igual filme de cinema. O cheiro de bebê não saía do meu nariz, era um bagulho doido, como se o ar da sala estivesse impregnado com uma vida que eu não conseguia tocar. Minha mãe ficou me olhando com aquele jeito de quem sabe até o que eu comi no almoço, mas não soltou um "ai". — É, Diego... sonho é coisa séria, mas a gente quase nunca entende de primeira — ela disse, ajeitando as coisas dela. — Mas deixa o sonho pra lá por um segundo. Me fala uma coisa... como é que estão as coisas lá na tua casa? Eu suspirei, já sabendo onde ela queria chegar. — Estão normais, mãe. O morro tá calmo, a arrecadação tá subindo... — Não tô

