94 — Urso Narrando Mano, na moral... eu já senti o ferro quente entrar na carne, já senti o cano do fuzil batendo no meu peito em operação, já vi o inferno de perto e nunca tremi. Mas aquele grito... aquele grito varreu a Penha de um jeito que nenhum canhão conseguiria fazer. — PAPAAAAI URSOOOOOOOO! Quando aquela voz fina, aguda, cheia de uma alegria que eu não merecia, bateu no meu ouvido, meu mundo não só parou, ele colidiu com tudo. Foi como se o chão tivesse sumido debaixo da minha bota. Eu virei devagar, meio que no automático, e quando meus olhos focaram... lá estava ele. No meio do largo, entre a poeira e o sol quente, o meu milagre tava de pé. O Pedro. O meu sangue. O meu herdeiro. Ele tava ali, com uma calça de moletom, um boneco do Hulk debaixo do braço e o sorriso mais puro

