93 — Juliana Narrando O Dr. Henrique entrou no quarto com uma prancheta na mão e aquele olhar de quem já está com a cabeça no centro cirúrgico. Ele começou a falar de prazos, de jejum, de como o doador precisava se apresentar na recepção em poucas horas para os exames finais de imagem. A Manu estava do meu lado, segurando a minha mão, e eu sentia o coração dele batendo no meu. Olhei para o Pedro. Ele estava ali, segurando o Hulk, com aqueles olhos enormes me encarando. Depois, olhei para o médico e uma ideia louca, daquelas que só uma mãe desesperada e uma mulher que conhece o crime tem, brotou na minha cabeça. — Doutor... — interrompi ele, a voz firme, mas o corpo tremendo. — Eu posso levar ele? O Dr. Henrique parou de falar no ato. Me olhou por cima dos óculos, confuso. — Oi? Levar

