92 -- Manu Narrando Eu não queria saber de mais nada. O Gardernal que se entendesse com o rádio, com o Urso e com as guerras dele. No momento em que a Dona Nádia saiu daquela casa e o clima de fim de mundo se instalou no morro, eu senti que meu lugar não era mais ali, assistindo tudo de camarote. Por quatro anos, eu fui o arquivo secreto dessa história. Eu fui a mão que segurou o celular escondida debaixo do cobertor pra ouvir o choro do Pedro, a voz que acalmou a Juliana quando o dinheiro faltava ou quando a doença batia na porta. Saí do morro sem dar satisfação. O Gardernal gritou meu nome lá da esquina, mas eu só levantei a mão e continuei andando. Peguei um Uber no pé da favela e, enquanto o carro cortava a cidade em direção à Barra, eu sentia um frio na barriga que nem no dia do meu

