91

1777 Words

91 -- Urso Narrando Eu joguei o celular no estofado do sofá e deixei o corpo pender para trás, sentindo o peso do mundo esmagar meus ombros. 100% de compatibilidade. O número não saía da minha cabeça. Meu sangue era a cura. O meu sangue, que já tinha causado tanta desgraça por aí, agora era a única coisa sagrada que podia manter aquele pretinho vivo. Mas a Juliana... ah, a Juliana não perde a mania de querer me peitar. Li a última mensagem dela, aquela ameaça de fazer da minha vida um inferno, e soltei uma risada seca, uma risada que veio lá do fundo do peito, misturada com fumaça e ódio. — Inferno, Juliana? — sussurrei para o teto, pegando o maço de cigarro em cima da mesa. — Tu não sabe que eu sou o dono do morro, mas o inferno é minha casa há quatro anos? Risquei o isqueiro e dei a

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