51 — Nádia Narrando Eu estou aqui, sentada nesse banco frio de hospital, sentindo o peso de cada ano que as contas do meu terço carregam. O cheiro de éter se mistura com o cheiro das ervas que eu trouxe escondidas no bolso para benzer o meu filho. Olho para o Diego, deitado nessa maca, rodeado de máquinas que apitam como se estivessem contando os segundos que a sorte dele ainda tem. Ele está salvo. Mais uma vez, a morte passou perto, sentiu o cheiro dele, mas os meus guias desviaram o caminho da bala. Mas a que custo? Enquanto minhas mãos passam pela cabeça dele, sentindo o calor da febre que começa a ceder, meus olhos não conseguem sair da Juliana. Ela está ali na outra maca, apagada pelo remédio, com o rosto pálido e o corpo tão magro que parece que qualquer vento forte a levaria embo

