56 — Juliana Narrando A primeira semana em Florianópolis passou como se o tempo tivesse resolvido me pedir desculpas. O barulho aqui é outro. Não tem o "pá-pá-pá" seco do fuzil, nem o rádio chiando no portão. O que eu ouço agora é o vento batendo nas palhas dos coqueiros e o som constante do mar, que parece que vai lavando a minha alma a cada onda que quebra na areia. Minha casinha já está com a minha cara. Consegui mobiliar tudo rápido, do jeito que eu sempre sonhei: móveis de madeira clara, mantas de algodão, muitas plantas e aquela claridade que entra pela janela e não me deixa esquecer que eu estou viva. O luxo daquela fortaleza no morro não me faz falta nenhuma. Aqui, o meu luxo é conseguir dormir oito horas seguidas sem acordar com o coração na boca, achando que a polícia está inv

