05 — Juliana Narrando
Eu sempre disse que não ia cair na dele, mas ali, prensada entre a parede fria e o corpo pegando fogo do Diego, eu entendi que meu corpo já tinha decidido por mim há muito tempo. No momento em que ele me tirou do chão, meu mundo girou. A pegada dele não era de quem pedia licença, era de quem tomava o que queria, e aquela possessividade me deu um choque de realidade que eu nunca tinha sentido.
Minhas pernas se trancaram na cintura dele quase sozinhas. Eu precisava daquele contato. As mãos dele eram enormes, cobriam quase a minha b***a inteira, apertando a carne com uma vontade que me fazia soltar uns gemidos que eu nem reconhecia. Não era carinho, era fome. Uma fome que combinava com o jeito que ele me cheirava, como se quisesse me engolir viva.
— Diego... — o nome dele saiu num sopro, porque eu já tava sem ar nenhum.
A boca dele tinha um gosto de urgência. Cada vez que a língua dele invadia a minha, eu sentia um puxão lá no baixo ventre. O volume dele, duro e quente, batia direto na minha i********e por cima do short, e aquela roçada tava me deixando louca. Eu sentia que tava me melando toda, um calor líquido que escorria só de sentir a pressão do corpo dele contra o meu. Era um fogo que parecia que ia me queimar por dentro.
Eu enterrei minhas unhas naquele ombro largo, sentindo os músculos dele travados sob a regata. O cheiro dele, aquele perfume amadeirado misturado com o suor do pagode tava me deixando tonta. Eu queria mais. Queria que ele continuasse falando aquelas loucuras no meu ouvido, dizendo que era doente por mim, porque naquele momento, eu também tava ficando doente por ele.
Cada mordida que ele dava no meu pescoço, cada apertada mais forte que deixava minha pele latejando, só me fazia querer subir mais alto. Eu tava entregue. A Juliana certinha, a vendedora da loja que fugia de bandido, tinha sumido. Ali só tinha uma mulher que tava descobrindo que o perigo tinha o melhor beijo do mundo.
Eu não conseguia mais pensar no amanhã, nas operações, nem no que minha mãe ia falar. Eu só conseguia sentir o Diego, a força dele, e essa vontade absurda de nunca mais descer desse colo.
— Vamos embora daqui agora, Ju... não aguento mais um segundo sem te ter por inteira — o Diego falou com a voz toda quebrada, raspando a barba no meu pescoço.
Eu fui voltando pro chão devagar, sentindo minhas pernas meio bambas quando meus pés tocaram o piso sujo do banheiro. Mas ele não soltou. Ficou ali grudado, as mãos enormes ainda apertando minha cintura, a boca dele fazendo um estrago na minha nuca, subindo pra trás da orelha. Eu tava toda arrepiada, meu corpo tava pedindo pra eu dizer "sim", mas o medo deu um estalo na minha cabeça.
— Diego, melhor não... — eu disse, tentando afastar o rosto dele, mas sem muita força. — Melhor a gente parar por aqui. Se a gente sair desse banheiro juntos, não tem mais volta. Todo mundo vai saber.
Ele parou por um segundo, me olhou bem no fundo do olho, com aquele olhar de quem já tinha decidido o futuro.
— Parar agora? Tu tá maluca? — ele deu um sorriso de canto, aquele jeito de quem sabe que já me ganhou. — É impossível, Juliana. Tu acha mesmo que depois desse beijo eu vou te deixar voltar praquela mesa e fingir que nada aconteceu? A gente vai sair daqui e tu vai comigo.
Ele não esperou eu responder. Segurou minha mão com força, entrelaçando os dedos nos meus, e abriu a porta do banheiro de uma vez. O som do pagode deu um soco na minha cara de novo, mas eu m*l conseguia ouvir a música.
O Diego me puxou pra perto, passando o braço por cima do meu ombro, me prendendo no corpo dele como se eu fosse um troféu ou um segredo que ele cansou de esconder. Ele saiu cortando o salão com aquela banca de chefe, a cara fechada pra quem olhava, mas me apertando do lado dele pra ninguém nem ousar encostar.
Eu via o povo abrindo caminho, via os olhares de choque das meninas e o cochicho começando. O clima mudou na hora. O "Urso" tava passando com a vendedora da loja, e o jeito que ele me segurava dizia pra todo mundo o que ele sempre quis gritar: que eu era dele.
Eu tava morrendo de vergonha, mas ao mesmo tempo, aquele braço pesado dele me protegendo me dava uma segurança que eu nunca tinha sentido. A gente tava atravessando o pagode e eu sabia que, dali pra frente, a minha vida nunca mais ia ser a mesma.
Ele arrancou com o carro, mas não tirou a mão de cima de mim. Enquanto dirigia com uma mão só, a outra tava ali, apertando a minha coxa com força, subindo a mão pelo meu short, me deixando elétrica. Eu olhava pela janela, vendo as luzes do morro ficarem pra trás, e o coração parecia que ia sair pela boca.
Quando vi que ele tava pegando o caminho da pista principal, em direção a um daqueles motéis de luxo, que o povo diz que tem até piscina dentro do quarto, eu gelei.
— Motel, Diego? — perguntei, olhando pra ele de lado.
Ele soltou aquela risada grossa, um som que vinha lá do peito e que, confesso, me dava um arrepio na espinha.
— Por que? É virgem, Juliana? — ele soltou, com aquele deboche de quem já sabia a resposta.
Eu dei um sorrisinho sem graça e respondi logo:
— Não, ué... só perguntei.
Na mesma hora, o clima no carro mudou. O Diego fechou a cara, os dedos dele cravaram na minha coxa com mais força e ele me encarou por um segundo com um olhar que parecia que ia me atravessar.
— Perdeu com quem? — a voz dele saiu seca, gelada, cheia daquela possessividade que me dava medo e t***o ao mesmo tempo.
Eu dei uma risada nervosa, tentando descontrair porque o homem parecia que ia explodir de ciúmes de uma coisa de anos atrás.
— Eeeeeu em! Doido... — falei, balançando a cabeça. — Tu é muito maluco, Diego. Vai querer saber da minha vida inteira agora?
— Estranho.. — ele falou olhando pra frente
— Estranho o que? E você? Perdeu a virgindade com quem? Doideira.
Ele não riu de volta. Voltou o olho pra estrada, mas a mão continuou ali, me marcando, como se estivesse avisando que, de hoje em diante, o passado não importava mais, porque agora eu era propriedade dele.