FERA NARRANDO Eu tava na boca resolvendo minhas paradas, do jeito que sempre faço. Dinheiro sendo contado, carga conferida, aviso passado pros vapor, cada um no seu lugar. Nada pode sair fora do eixo ali. A boca é o coração do morro e, se o coração falha, o resto cai junto. Eu tava concentrado, cabeça na contabilidade, quando o rádio chiou no meu ouvido. — Patrão… — a voz veio baixa, tensa. — A Samira tá causando aqui embaixo. Tá discutindo com a moradora nova. Na mesma hora, meu corpo reagiu antes da cabeça. Levantei tão rápido que a cadeira quase caiu pra trás. — p**a que pariu, não importa o que aconteça, não é para deixar ela por a mão na doutora — perguntei, já sabendo a resposta. — pode pá patrão, tô aqui de olho. O sangue ferveu. Na hora. Sem pensar duas vezes. Vitória tinha

