MARIA JÚLIA (MAJU) NARRANDO Se tem uma coisa que minha mãe sempre fez foi falar a verdade, mesmo quando ela doía. Desde que eu me entendo por gente, desde a época em que eu ainda sentava no balcão da lanchonete com os pés balançando no ar, ela repetia como um mantra: — Maju, não se envolve com homem do movimento. Isso nunca termina bem. Na época, eu revirava os olhos. Achava exagero, medo antigo, coisa de quem já apanhou demais da vida. Hoje… hoje eu entendo cada palavra. Cada olhar preocupado. Cada silêncio pesado depois que algum nome conhecido era citado. A nossa lanchonete sempre foi um ponto movimentado aqui no morro. Café saindo toda hora, salgado quente no balcão, gente entrando e saindo sem parar. Trabalhador cedo, criança depois da escola, e, claro, o pessoal do movimento. Se

