FERA NARRANDO Já fazia uma semana desde que eu tinha mandado o aviso pro Sombra. Uma semana inteira preparando a cabeça, o corpo e o terreno. Aqui dentro, o tempo não passa — ele pesa. Cada dia é contado como munição. E hoje… hoje era o dia de virar essa p.orra. Levantei antes da luz fraca que entra pelas frestas da cela. O pavilhão ainda tava meio morto, só o barulho de gente roncando, tossindo, se mexendo no colchão fino. Lavei o rosto na pia gelada e fiquei alguns segundos encarando meu reflexo rachado no metal. Olho fundo, mandíbula travada. Não era nervoso. Era foco. Hoje ninguém ia dormir do mesmo jeito que acordou. Saí da cela com a cara fechada e comecei a passar de cela em cela. Não precisava falar alto. Aqui dentro, quem manda não grita. Um olhar resolve mais do que discurs

