FERA NARRANDO Eu tava saindo de casa com a vitoria do meu lado, cabeça já organizada com o que eu tinha pra resolver naquele dia, quando o rádio chiou na minha cintura. Aquele barulho nunca vem à toa. Parei no meio da escada, apertei o botão e ouvi a voz do moleque da contenção: — Fera, colar aqui na boca que preciso passar uma parada pra tu. Olhei pra vitoria. — pode ir.— ela disse com aquele sorriso lindo dela e eu concordei mesmo não querendo deixar ela descer sozinha. Ela assentiu e saiu rápido. Eu mudei o rumo na mesma hora, subindo em direção à boca. O morro podia até ter amanhecido mais tranquilo depois da invasão, mas confiança demais é erro de amador. Quando virei a última viela, o Sombra já tava encostado no muro, me esperando. Braço cruzado, semblante fechado. — Qual

