VITÓRIA NARRANDO Os tiros começaram distantes. Primeiro como ecos secos, quase confundindo com fogos. Depois mais próximos. Mais definidos. Rajadas longas que faziam as janelas vibrarem. Eu estava organizando os prontuários quando o primeiro barulho forte fez meu corpo inteiro enrijecer. Felipe. O nome dele veio na minha cabeça antes mesmo de eu admitir o medo. Se ele resolvesse invadir o posto… se resolvesse usar os pacientes como escudo… se resolvesse me usar como moeda… Engoli em seco. Respira, Vitória. Aos poucos os feridos começaram a chegar. Primeiro um com corte superficial na testa. Depois dois com perfuração de raspão. Um menino com a perna atingida por estilhaço. O medo não podia me paralisar. Eu tinha comido, tinha descansado um pouco antes da invasão começar. Não t

