RAVENA NARRANDO Eu fiquei no posto o tempo todinho. Desde a hora que colocaram o Zago naquela maca e empurraram ele corredor adentro, eu não consegui sair dali. Nem pra respirar direito. Era o mínimo que eu podia fazer. Ele tinha entrado na minha frente. Eu ainda consigo ver a cena em câmera lenta na minha cabeça. O barulho do tiro.. O impacto. O corpo dele indo pra frente antes do meu cérebro entender que o tiro era pra mim. Se ele não tivesse se jogado… Eu não gosto nem de terminar esse pensamento. Então ficar ali, esperando notícia, era o mínimo. Sentei naquela cadeira dura do corredor e fiquei olhando pra porta da sala de cirurgia como se, se eu encarasse o suficiente, ela fosse abrir mais rápido. O cheiro de álcool, desinfetante e sangue misturado me dava enjoo. Mas eu perm

