Sabrina narrando Eu nasci pra ser patroa desse morro. Não é sonho de menina. Não é fantasia de adolescente iludida. É necessidade. Eu já perdi coisa demais na vida pra deixar alguém tomar o pouco que eu posso conquistar. Em casa somos só eu e minha mãe. E, pra falar a verdade, nem dá pra dizer que somos duas de verdade. Porque ela só existe quando tá sóbria — e isso quase nunca acontece. Viciada em bebida. Cachaça barata. Passa mais tempo bêbada do que consciente. Quando eu era criança, eu achava que ela dormia demais. Depois eu entendi que não era sono… era fuga. Se eu não corro atrás, a gente passa fome. Todo dinheiro que entra na mão dela vira garrafa. Então eu aprendi cedo que ninguém vai me salvar. Aprendi que, se eu quiser alguma coisa, eu tenho que ser ambiciosa. Tenho que

