VITÓRIA NARRANDO Sentei no sofá da casa da Ravena tentando disfarçar o quanto eu ainda me sentia deslocada naquele morro. Não era medo exatamente… era consciência. Eu sabia que aquele não era o meu mundo. Mesmo assim, de algum jeito, eu estava cada vez mais dentro dele. Mal encostei no estofado e o filho dela veio correndo na minha direção, os olhinhos brilhando de curiosidade. — Voxê é amiga da minha mamãe? — ele perguntou, com a língua enrolando nas palavras. Eu sorri automaticamente. Balancei a cabeça. — Sou sim. Passei a mão na bochechinha dele, macia e quente. Criança tem uma energia diferente. Não carrega maldade, não carrega julgamento. Só verdade. — Então voxê é minha amiga também? Balancei a cabeça de novo. — Sou sim. Sua amiga também. — Desculpa, viu, doutora? — a mãe

