SOMBRA NARRANDO Eu estava fazendo a ronda pelo morro, como sempre faço quando quero espairecer a mente e, ao mesmo tempo, mostrar presença. Subi a viela da Caixa, desci pela 12, passei na contenção onde os vapores ficam mais atentos. O rádio chiava baixo na cintura, o cheiro de maconha misturado com gordura frita vindo das casas abertas. Domingo é sempre mais movimentado. Eu estava quase virando para a praça quando o Juninho me chamou no canto. — Sombra. Parei a moto só no freio, ainda sentado. — Fala. Ele olhou para os lados antes de soltar. — A Sabrina está lá na lanchonete da Maju. Está causando. Meu maxilar travou na hora. — Causando como? — Falando alto, provocando… parece que já teve discussão. Não precisei ouvir mais nada. Eu já tinha passado a visão para Sabrina uma vez

