Meu Ursinho, seja gentil comigo.
.Kitty Pots.
— Voxe já pecisa i? — Molly indaga com um beicinho.
— Dicupa, eu tenhu ti tabala dati a poco. Mas feliz anivesalio. — Sorrio largo.
Molly sorrir me dando um grande abraço.
— Quer que eu a leve? — Damon pergunta gentilmente como sempre.
— Bligada, mas naum pecisa. Eu venho oto dia pa binca. — Molly assente acenando pra mim. — Tchauuu. — Fecho a porta deixando os dois sozinhos.
Sorrio largo, eles fazem um casal tão fofo.
Eu e Molly termos Infantilismo nos torna duas crianças que gostam de brincar e fazer travessuras, desde que nos livramos de nossos pesadelos pudemos finalmente sermos felizes e nos aceitar como somos.
Me mudar para cá foi bem radical, mas eu me sinto bem melhor aqui, agora eu tenho a Molly como melhor amiga e isso é muito legal, Damon também é como um irmão mais velho, ele é muito gentil comigo e isso me deixa muito feliz.
Os dois são minha família agora.
E sem duvida eu faria tudo por eles.
Coloco as chaves na mesinha de vidro assim que chego em casa e me deito no meu sofá, Pascal( Meu gato que adotei no orfanato no tempo em que estive lá.) pula em cima de mim e mia se deitando em minha barriga.
Eu tirei folga hoje para ir no aniversário de Molly, mas quando todos foram embora e eu vi que estava segurando vela, decidi vir pra casa.
Já que ultimamente Damon não tem passado muito tempo com a Molly, e ela tem andado mais carente do que já é.
Suspiro, acho melhor ir para biblioteca, vou me senti melhor lá, no meio de todos aqueles livros e histórias que com toda certeza merecem ser contadas.
(...)
Não...
Me escondo debaixo da mesa com falta de ar, meu aparelho auditivo não está me ajudando muito.
Tapo meus ouvidos sentindo dor por meus aparelhos chiarem tanto.
Como isso veio parar aqui?
Há várias pessoas correndo para todos os lados e tiros ecoando pela biblioteca.
Eu sou muito sortuda mesmo.
Onde já se viu tiroteio em um biblioteca, por favor não destruam os livrinhos.
Os tiros começam a ficar mais distantes, até que eu não os ouço mais, eu sou um imã para situações assim, Molly é a prova.
Saio de baixo da mesa e vejo tudo muito bagunçado.
Vários policiais entram e eu começo a andar para a saida mais próxima.
Sai por uma saida diferente já que as outras estavam todas fechadas.
Mas como eu sou uma pessoa bem sortuda, eu tropecei em algo e fui direto para o chão.
Hoje não é o melhor dia, mas também não é o pior.
Olho para trás e me supreendo por ver um homem enorme sentado, ele está segurando o braço, mas parece estar desacordado.
Ele é MUITO maior que eu. Tipo... muito mesmo.
Eu não cresci muito desde que sai daquela casa, mas esse homem deve ter uns dois metros de altura.
Não que eu tenha mais de um metro e meio para saber a diferença.
Olho para seu rostinho e vejo que ele tem bastante cicatrizes, tadinho deve ter doido.
Arregalo os olhos.
Ele... ele é... o ursinho, o homem com quem eu sonho nos meus aniversários.
O que ele faz aqui?
Como eu vou ajudar? Será que ele estava envolvido no tiroteio?
— Eu vo ti ajuda, ta bom? — É, eu não bato nada bem.
Como eu vou carregar ele?
Eu e minhas ideias malucas.
Eu nunca pensei que o veria realmente, quem diria.
Eu vou cuidar de você, ursinho.
Céus, onde estou com a cabeça?
(...)
Cinco anos antes.
Acordo com batidas fortes na porta que com toda certeza deve estar aberta, abro meus olhos tendo a visão de Sier já com seu rosto irritado.
Me sento na cama sentindo meu corpo dolorido.
- Vai ficar na cama até quando? - Ele diz sem paciência. - Se não levantar logo, eu vou te tirar dessa cama pelos cabelos. - Ele fala friamente.
- Ja tô ino. - Falo simples.
Ele sai andando e eu olho para o quarto vazio que tem apenas minha presença e a de um colchão no chão.
Respiro fundo e prendo meu cabelo mesmo que com o corpo doendo tanto.
A alguns anos atrás minha mãe se casou com um homem que ela acreditava amar e nós duas pagamos o preço pelos seus ingênuos sentimentos, mas não demorou muito para que ela desistisse dessa vida e fugisse.
Desço pelas escadas e meus olhos encontram algo que pela primeira vez me causou reconhecimento.
Sier abre a porta para duas pessoas, um Homem grande que segura com força uma Garota pequena que está amarrada e amordaçada.
O homem grande eu conheço por ser um dos colegas de trabalho sujo de Sier, mas a garota...
- Kitty, traga duas cervejas. - Sier grita e eu ando apressada para cozinha, buscando as cervejas na geladeira.
Olho para a garota Ruiva que parece está assustada, decido lhe mostrar um sorriso gentil para que ela não sinta tanto medo, mesmo ela parendo vários anos mais velha que eu e eu sendo apenas uma criança decidi pelp menos tentar conforta-la nem que fosse um pouco.
Eu só tenho treze anos.
- Tá ati. - Coloco as carrafas sobre a mesa ouvindo sua barriga roncar.
Olho para ela e vejo seu olhar em meus pés, por algum motivo.
- Eu não vou beber, pelo menos não hoje. - Louis diz se ajeitando no sofá e mantendo a garota ao seu lado.
- Está com vergonha de beber na frente da garota? - Sier Rir.
- A mocinha é a sua enteada, Sier? - Louis me olha e eu ando para cozinha a procura de coisas para fazer um sanduíche.
- É, eu cuido da pirralha agora que a v***a da mãe dela foi embora. - Paro por alguns segundos e depois volto a fazer o sanduíche.
Faço o sanduíche o mais rapido que consigo e volto a sala colocando o prato a sua frente com um pouco de suco.
- Eu fiz um sanduichi voxe palece está doenti, melho tume um poquinhu. - Digo gentilmente.
Sorrio da forma mais gentil e reconfortante que consigo, ela me olha surpresa e ainda bem assustada.
O terror que sofremos não é algo que pode ser explicado tão facilmente.
- Você parece ser uma mocinha bem educada, eu agradeço em nome da Molly. - Ele diz tirando sua amordaça, o ignoro completamente.
- Não seja gentil com ela. Aquela aberração só fez a obrigação dela. - Abaixo a cabeça.
- Tem voxe está chamano de abelação? - Olho curiosa para a Ruiva que tem seu rosto sério.
Ela fala como eu... será que temos a mesma condição psicológica?
- Saiba, ti a única abelação ati é voxe. - Louis rir e Sier olha para mim com raiva.
- A minha pequena agora deu para falar tudo que pensa. - Ouço a Gargalhada de Louis. - Acho que ela precisa descansar.
- Kitty. - Sier me ordena. - Leve a garota até o quarto de cima, e a tranque lá. - Um frio percorre a minha barriga ao pensar que ela pode estar prestes a começar a sofrer o mesmo que eu.
E eu serei a pessoa que irá leva-la para sua própria prisão.
Me aproximo dela e a ajudo a se levantar, Louis retira sua corda e eu pego em sua mão a levando para cima.
- Cantus... cantos anos voxe tem? - Ela fala com a voz embargada.
- Tezi, e voxe... hum? -Digo percebendo que ela está apenas tentando não enlouquecer.
- Decesseis. - Assinto.
- Eu vou te dexa ati pa voxe descansa um poquinho, eu espelo ti voxe tonsiga se liva dele. Boa sorti. - Falo sincera.
- Espela... - Ela para e me olha. - Nós duas, podeliamos fugi.
Sorrio de um jeito triste.
- Discanse, ta bom? - Fecho a porta e começo a caminhar para baixo.
Fugir? Eu... conseguiria fugir?
Sete anos antes.
- Eu não aguento mais você, v***a miserável. - Sier bate na mamãe e ela cai no chão, seus olhos me encontram e ela sorrir mexendo seus lábios.
"Vai ficar tudo bem"
Eu sou boa em ler lábios, já que eu não ouço muito bem e tenho que usar um aparelho.
- Você e aquela aberração que você chama de filha, vocês duas são inúteis, para que me servem? Só para dar despesas. - Ele vem até mim e puxa meus cabelos me arrastando até a mamãe.
Eu não chorei, a mamãe diz que não gosta de me ver triste, já temos tristeza demais para eu encomoda-la com minhas lágrimas inúteis.
- Olha para ela. OLHA PRA ELA! - Ele grita impaciente. - Você que fez essa aberração, tem que sofrer. Vocês duas vão para o inferno por serem assim. - Ele me joga nos braços da mamãe e sai batendo a porta.
Me levanto e sento na frente da mamãe me ajeitando mesmo que com dores em todo corpo, se tornou algo frequentemente normal.
- Obrigada por ser forte por mim. Eu te amo minha pequena, obrigada. - Ela me abraça chorando.
Tudo bem mamãe, eu consigo ser forte por você.
(...)
- Mamãe? - Olho para minha mãe que está com uma mala na mão, ela se vira para mim e faz sinal de silêncio.
- Meu amor, a mamãe vai viajar, eu já volto.- Ela se abaixa a minha frente. - Enquanto eu estiver viajando, eu quero que você seja gentil e muito boa, não importa o que aconteça, tudo que te fizer m*l você vai ter que se livrar, fique com esse sorriso lindo que eu amo tanto, espere a mamãe aqui. ta bom? - Assinto.
A mamãe sai e eu me deito no sofá.
Será que ela vai demorar muito?
Eu espero que ela volte logo, eu não quero ter que ficar muito tempo sozinha com o homem m*l.
Cinco anos depois.
Olho para as rosas do jardim lembrando do dia que a mamãe foi viajar.
Ela sempre dizia para eu ajudar as pessoas, e ser gentil com quem eu achava que tinha que ser.
A Molly é igual a mim, ela não tem deficiência auditiva, mas ela também não é livre, e se comporta igual a mim como uma pessoa com fetiches estranhos e jeito de falar esquesitamente diferente do normal.
Não achei que havia pessoas como eu, já que eu sou uma aberração, eu pensei que fosse amaldiçoada, mas a Molly disse que isso é muito bom, essa minha forma de agir não é anormal e sim uma qualidade.
Suspiro.
O que eu devo fazer?
- Onde você estava? - Sier me aborda assim que eu entro.
- Eu tava no jadim. - Digo o olhando nos olhos.
- Você não vai trabalhar hoje? - n**o.
- Eu tô di folga. - Ele rir.
- Eu já disse que você tem que trazer dinheiro pra casa se quiser continuar a morar aqui, não tem essa de folga.
- A senhola Wilder falou ti eu tinha ti tila essa folga ou ia me demiti. - Ele solta meu braço.
- Então eu quero essa casa limpa, temos visitas esqueceu? - n**o.
- Eu vou arruma. - Ele anda até a sala e se joga no sofá.
Suspiro novamente e coloco um sorriso no rosto assim que Molly aparece.
- Tão é voxe ti tuida das rosas. - Assinto.
- Minha mãe dostava de floles, quelo ti ela as veja cando volta. - Molly me olha com pena, eu não sei porque ela me olha assim, mas acredito que seja algo bom, eu espero.
Abaixo a cabeça quando Louis entra na cozinha e beija o rosto de Molly, vejo o olhar de repulça estampado no rosto de Molly.
Ela me contou que Louis é um homem obcecado por ela e que a sequestrou.
‐ Me traria um café? - Ele olha pra mim, me levanto indo pegar o tal do café.
Eu não gosto nenhum pouquinho dele.
Encho uma xícara e levo até ele a passos largos.
Olho fizamente para seu rosto pensando como ele pode ser tão r**m assim, não é sequestrando que se conquista uma mulher.
Olho para o café tendo uma ideia que com toda certeza, trará sérias consequências, mas as quais eu irei arcar sozinha.
Assim que ele estende a mão para pegar o café eu simplismente deixo cair em seu colo, tendo a certeza que ele terá queimaduras bem graves.
Isso é pela Molly, seu feio.
O grito de dor dele me faz sentir m*l pelo que eu fiz, me sinto m*l por estar quase me tornando tão r**m quanto ele, eu não deveria ter feito isso, mas desde que ele chegou com a Molly naquele estado contra sua vontade, eu sinto cada fibra do meu corpo implorar para dar uma voadora nele.
Joga café quente é mais simples e mais fácil também.
Molly arregala os olhos e esconde sua risada, olho para ele tentando se limpar e fico parada esperando pelo que virá.
Como um demônio furioso Sier Anda até mim e levanta bem sua mão.
- Sua... - Sinto meu rosto arder de uma forma absurda, sem espera Sier me puxa pelos cabelos até meu quarto, evito de lutar pelo fato de saber que seria pior, vejo quando ele tranca a porta e apenas fecho os olhos esperando tudo acabar.
Eu já sabia que isso iria acontecer, eu sempre sei.
Mas eu não perderia a chance de ferir o Louis.
Não mesmo.
Como será que a mamãe está agora? Pelo tempo que ela está demorando, ela provavelmente já deve ter visitado a metade do mundo, quando ela vai voltar?
Meia hora depois de um castigo ele se vai e me deixa trancada, respiro com muitas dores e me sento com certa dificuldade.
Eu costumo ter um sonho, com um homem, é um sonho bem estranho mas eu tenho em todos os meus aniversários, será que amanhã no meu aniversário eu vou sonhar com ele?
Ele sempre está com uma roupa preta e me protege das coisas más, das coisas que me fariam m*l, mas eu não vejo seu rosto.
Espero conseguir sonhar com ele dessa vez... qual será nossa próxima aventura?
Três dias depois do tiroteio na biblioteca.
Torço o pano no balde e o deixo na testa do homem em minha cama.
Eu não sei onde estava com a cabeça de trazer uma pessoa desconhecida para minha casa, eu devo realmente estar ficando louca, mas... algo me diz que ele precisa de mim neste momento, e minha intuição nunca falha, mesmo que ele me mate quando acordar, eu terei feito minha parte.
Será que ele também sonha comigo em seus aniversários?
Balanço a cabeça afastando esse pensamentos.
Quando saimos daquela casa e nos livramos de Sier e Louis, eu fui direcionada para um orfanato já que não tinha ninguém e Molly voltou para sua família, depois de longos cinco anos eu e ela finalmente voltamos a nos ver.
Suspiro a espera, eu já retirei a bala de seu braço, por pouco não acertou seu pulmão, um pouco mais para direita e o atirador teria me dado um belo trabalho.
Eu dando uma de médica é e sempre foi assustador, mas você aprende a não deixar ninguém morrer, quando você mesmo está a beira da morte.
As surras que eu levava me fizeram quase uma cirurgiã das boas.
Toco em seu rosto vendo se a febre abaixou, parece que ele está melhorando.
Espero que ele fique bem logo.
Coço meus olhos com sono, eu não tenho dormido ultimamente, ele resmunga a noite inteira e de dia eu tenho que trabalhar.
Me assusto quando meu braço é segurando com brutalidade.
Olho para cama vendo seus olhos abertos, olhos tão escuros que sinto um calafrio na espinha.
Ele vai... quebrar meu braço?
- Quem é você? - O homem segura meu pescoço com força derrepente ao se levantar, o olho e sorrio simpática não me deixando abalar por seu susto.
Se eu fosse me abalar por todos essas pessoas que passaram pela minha vida, eu perdeira minha sanidade completamente.
A morte não é mais assustadora para mim.
Ele não acha que eu o faria m*l, não é? Sinceramente isso seria impossível, olha o tamanho dele.
- Ti bom ti voxe atordou, eu já estava peocupada.- Digo cansada e ele me olha confuso, toco sua mão com delicadeza e ele a tira do meu pescoço.
Meu braço vai quebrar...
- Do que diabos você está falando garota? - Ele não é tão gentil como nos meus sonhos, mas ele deve estar assustado agora, afinal, eu sou apenas uma estranha.
- Voxe naum develia fala palavas tão feias, isso é falta de educação sabia? - É eu realmente não tenho medo da morte. Sorrio para que ele saiba que eu não o farei m*l, mas parece que não adianta muito.
- Você por acaso ta drogada? - Rio sem graça.
- Eu naum uso intorpecentes. - Digo calma. - Voxe deve está tum fomi, Té ti eu faça algo em especial? - Ele parece bem confuso.
- O que está havendo aqui? Isso é algum tipo de truque ou armação, está me mantendo aqui para alguma coisa? - Me levanto mas ele me força a sentar-me novamente. - Eu estou falando com você, p***a!
- O senhor naum está sendo um cavalheilo, pecisa se mais gentil. - Falo um tanto irritada. Ele me olha furioso.
- Me diz que c*****o está acontecendo, agora mesmo. - Ele grita me apertando.
Que feio.
- Moço, eu só ti touxe pa minha casa puque voxe tava sangando no meio da rua, naum espelava ti eu dexasse voxe morre daquele jeito, Né? - Falo meia verdade, me solto dele e me levanto. - Eu vou faze uma sopinha pa voxe melhola, fica deitadinho, ta bom? - Sorrio simpatica e saio do quarto indo para cozinha, ouço barulhos tendo a certeza que ele está fungindo de mim, volto para o quarto só para confirmar.
Ele fugiu.
Como eu esperava, ele deve ter achado que eu ligaria para polícia ou algo do tipo.
Troco os lençóis da cama e arrumo o quarto o deixando limpinho, depois tomo um banho para me deitar e poder dormir.
Agora ele só vai precisar se cuidar, espero que ele fique bem.
Como será que ele se chama?
Suspiro.
Fico feliz te ter ajudado, fique bem Ursinho.
(...)
.Adam Santnelle.
Seis meses depois de acordar.
Quem era aquela garota? Por que ela me salvou?
E o mais importante, porque tão gentil? Para que aquele sorriso? Aquela voz calma? Ela não estava assustada ou apreenciva, ela... não estava com medo de mim.
Fecho minhas mãos mais uma vez me perguntando o que diabos aconteceu.
Ela realmente não estava com medo, mesmo eu a intimidando e a machucando, ela estava calma e sendo gentil, de uma maneira super fofa de ser e aqueles olhos... mesmo com um sorriso tão gentil eu fui capaz de ver o quanto seus olhos eram tristes.
Quem é essa menina? E por que depois de tanto tempo, eu ainda quero voltar a vê-la?
Quer dizer... eu quero que ela volte a me ver, quero cuidar dela como ela cuidou de mim.
Mas que p***a estou Pensando? eu nunca vou ter sentimentos por ninguém, não mais.
Olho de longe ela entregando mais um livro para uma mulher de meia idade, Kitty sorrir como sempre e se dispede gentilmente.
Mesmo não conhecendo a maioria das pessoas que passa naquele lugar, ela é sempre gentil, mesmo quando as pessoas a tratam m*l ou tantão humilha-la.
Olho novamente e vejo ela conversando com crianças.
Trinco os dentes.
É normal alguém como eu achar uma pessoa fofa? Ela tinha que ser tão bonita?
Que merda Adam, eu deveria ter a matado, ela viu o meu rosto, ela deve saber que eu matei alguém, mesmo assim ela não contou a ninguém, e ainda salvou a minha vida.
Por quê?
Eu quero saber o porque!
"Lembre-se, ninguém deve saber do que houve, apague de sua própria memória se precisar, mate qualquer um que tiver testemunhado aquilo."
(...)
Entro pela janela e a vejo dormindo com o gato ao seu lado, um companheiro inseparável pelo visto.
Seu corpo tão pequeno e frágil, como ela conseguiu me trazer pra cá?
Eu preciso mata-la, mas... eu não quero.
- Quem é você pequena? - Sussurro vendo ela dormi serenamente, com uma chupeta na boca.
Uma das partes de seu estranho fetiche que me fazem perguntar-me se alguém como ela merece o mundo em que vive.
No início eu achei super estranho o jeito que ela se comporta, mas agora eu acho incrivel, é uma coisa que a diferencia de todas as pessoas que eu já conheci, Essa menina consegue ser muito peculiar.
Ela consegue ser fofa até dormindo, eu preciso da um jeito nessa garota, eu tenho que tirar minha cabeça desse quarto, e parar de pensar naquele dia.
Mas... ela foi a única pessoa que foi gentil comigo, durante toda minha vida eu fui o monstro que as pessoas pensaram que eu fosse, mas agora toda vez que me lembro de estar acordando e ver seu sorriso gentil, meu coração dispara, o jeito que ela estava sendo gentil mesmo estando tão cansada.
Eu queria tomar ela só para mim, queria que seu sorriso fosse apenas meu, mas ao mesmo tempo eu a odeio por não sair da minha cabeça, ela me atormenta dia após dia, eu não consigo parar de pensar nesse rosto e em como só ela é capaz de me fazer sentir-me em paz.
Aponto minha arma para ela tentando ser o mais frio que consigo.
Ela tem que morrer, eu não posso deixar ela viva.
Eu consigo, eu consigo.
Vai ser como todas as outras vezes, eu não sentirei nada, nenhum remorço, nada. Porque eu sou um monstro e não tenho sentimentos, ainda mais por uma pessoa como ela, eu não preciso dela, eu não preciso de ninguém, eu nasci para matar e para fazer as pessoas sofrerem, por que com ela deveria ser diferente?
Eu consigo.
É só apertar o gatilho e matar ela, p***a!
- Voxe vai atila? - Me assusto com sua fala repentina.
Ela está acordada, sua voz não transmite medo ou aflição o que me da mais raiva ainda, por que ela é assim?
- Não olhe para trás, olhe para o gato. - Digo frio.
Se ela me olhar, com toda certeza terá medo de mim, eu não quero... que ela tenha medo de mim.
Estou sendo tão patético, estou apontando a merda de uma arma para ela.
- Voxe deve está tansado, pu que naum domi um poco? - Não seja gentil comigo eu estou apontando uma arma para você. - Faz tempo ti naum nos vemos, eu pensei ti naum telia ti eu visse voxe. - Ela sorrir.
- Cala a p***a da boca agora mesmo, eu não quero mais ouvir sua voz. - Digo rude.
Ela suspira e faz carinho no gato.
Ela não está com medo, ela realmente não está com um pingo de medo.
- Por que você não tem medo de mim? - engulo em seco.
Por quê?
Me surpreendi com minha própria pergunta, o que está havendo comigo?
- A pegunta naum develia se, pu que eu telia medo de voxe? - Ela fala suspirando.
- Eu quase te matei enforcada, ficou uma semana sentindo dor no braço porque eu te machuquei.
Digo o óbvio, qualquer um tremeria de medo, me olharia com aquela cara de sempre, com a expressão que se olha para um monstro.
- O pascal domi as vezes no meu rosto, eu quasi morro sufocada. - Ela rir. - ele também me arranha agumas vezes, e nem po issu eu tenhu medu deli, ele só... fita assustadu.- Ela rir acariciando o gato.
- Está me comparando ao gato? - Coloco o dedo no gatilho quando ela se senta na cama e olha diretamente para mim.
Aqueles olhos... tristes... ela realmente não tem medo de morrer.
Merda, merda, merda. Eu não consigo apertar esse maldito gatilho.
- Seus atos te tansfomam em um monsto, mas voxe naum é um monsto, voxe é uma pessoa assim como eu, pu que eu telia medo de voxe? - Isso não faz nenhum sentindo.
- Você é maluca ou algo assim? - Ela rir.
- Algo assim. - Ela se levanta me olhando com um sorriso. - Ta tum fomi?
— Para... Para de ser gentil, p***a! — Grito furioso. — Eu estou apontando uma arma pra você, eu realmente estou apontando uma maldita arma pra você, por que ainda está sorrindo? Por que ainda está sendo gentil? — Grito impaciente.
Ela continua a me olhar em silêncio.
- Eu naum mi importu ti mi mati. — Ela fala serena.
Abaixo a arma surpreso.
Não, eu não consigo.
Continuo a me perguntar como não fui capaz de apertar o gatilho, mesmo depois de matar tantas pessoas, eu sou incapaz de pensar nela sofrendo.
Ela vai até seu armário e pega travesseiros e cobertores.
- Tomo voxe é bem drandi voxe podi dumi na minha cama, eu vou dumi no sofá, naum se peocupe ele é bem confotavel. - Ela anda até o sofá e se deita nele. - Ah... naum esmaga meu datinho, ele é impotante pa mim.
Eu devo estar em um mundo pararelo.
Tudo isso é tão esquisito.
Mas esquisito ainda, é eu me senti bem estando perto dessa garota, me sentir bem com seu sorriso ou com seu cheiro nos cobertores e travesseiros.
Eu me sinto bem aqui, como jamais me senti em outro lugar.
Desde aquele dia eu não tenho mais controle de mim mesmo, eu não sou mais eu mesmo.
Agora eu sou apenas uma pessoa que quer estar perto dessa garota, ouvir sua voz e ficar olhando para seu sorriso.
As pessoas costumam me julgar antes de me conhecer, mas ela é e sempre foi gentil.
Mesmo que cada fibra do meu corpo peça para que eu a enrrole em plástico bolha e a pegue nos braços, as mesma fibras imploram para que eu me afaste e deixe ela ser feliz, porque com toda certeza é o que ela merece.
Eu só a faria m*l, o que eu poderia fazer de bom pra ela? Eu seria com um virus pra ela, só lhe fazendo m*l.
— O que você fez comigo? — Sussurro vendo que ela já pegou no sono.
Eu nunca fui assim, eu nunca estive tão confuso na minha vida toda.
Coloco a mão no meu peito sentindo meu coração doer.
— Você... não se importa de eu ser um monstro? — Murmuro rouco.