Charlote saiu do apartamento e caminhou até o fim do corredor, afastando-se dos brutamontes que Dominik havia enviado para vigiá-la. Seu coração estava pesado com a recente perda do pai, e a presença dos homens apenas intensificava sua angústia.
Ela não podia sair dali.
Pra nada.
Era só pedir e chegava até a porta dela.
Enquanto fitava o corredor vazio, Charlote se viu envolvida em um turbilhão de emoções. A dor da perda do pai misturava-se com a confusão e o medo causados pela misteriosa figura de Dominik e seu sombrio mundo ao redor dela.
Ela sabia que precisava de respostas sobre o assassinato de seu pai, mas também compreendia que confiar em Dominik poderia ser um erro fatal.
Sem ter para onde ir ou a quem recorrer, Charlote se sentia perdida em um mar de incertezas. Dominik havia sumido após deixá-la em um dos seu apartamento, e agora os brutamontes que ele enviara para vigiá-la pareciam mais uma ameaça do que uma proteção.
Usavam armas, ela sabia disso.
"Vocês são estranhos!", desabafou para os seguranças, tentando afastar o desconforto que sentia com suas presenças ameaçadoras.
Os brutamontes, impassíveis e insensíveis ao sofrimento dela, continuaram jogando cartas no canto da porta, como se ela fosse apenas mais uma peça em um jogo c***l e sombrio do chefe dele.
Onde o pai dela havia se metido, céus!
Seu coração se apertava. Precisava voltar a estudar e fazer a sua vida acontecer. Mas lá estava ela, parada e anestesiada em um paradoxo que ela não pediu pra estar e agora não sabia sair.
Entrou no apartamento. O lugar era grade, sofisticado e era uma cobertura no centro da cidade, dava vista para os parques e até os maiores prédios. Um lugar parecia uma prisão sem grades.
A porta se abriu e, antes mesmo que ela conseguisse dar um passo pelo corredor, sua visão foi tomada pela figura imponente e dominante que já havia visto na delegacia. Ele era seu salvador e, ao mesmo tempo, seu carrasco. Um arrepio percorreu o corpo dela, e ela involuntariamente se encolheu diante da presença avassaladora de Dominik.
Dominik, com traços físicos que lembravam Henry Cavill, emanava uma aura de poder e confiança. Seus olhos eram intensos, com uma profundidade hipnotizante que parecia ler os segredos mais profundos da alma de qualquer pessoa que cruzasse seu caminho. Seu queixo forte e sua mandíbula esculpida transmitiam determinação e coragem, enquanto seus cabelos escuros, perfeitamente penteados, adicionavam um toque de sofisticação à sua aparência.
Vestido com elegância, Dominik exibia uma combinação de charme e autoridade que tornava difícil resistir a sua presença. Sua postura era impecável, e cada movimento era calculado, como se estivesse sempre um passo à frente de todos ao seu redor.
No entanto, havia algo na maneira como ele a encarava, algo que transmitia uma complexidade de emoções e intenções. Charlote sentiu que estava diante de um homem que conhecia as sombras e segredos do mundo, alguém capaz de protegê-la, mas também de levá-la a lugares desconhecidos e perigosos.
" Sabia que iria ficar feliz em me ver."
Ela deu um balançar de cabeça, querendo apenas sumir em um passe de mágica.
"O que está fazendo aqui?"
"Bem, estou aqui pra continuar de onde paramos aquele dia na delegacia. Você já deve ter superado a morte do seu pai e o luto, não é mesmo? Hora de saber o que você tem que fazer. "
A voz dele era alta e grave, foi andando pelo apartamento como se conhecesse, atravessou até chegar a cozinha conjugada e se servir das bebidas que ficavam no aparador.
" Eu quero ir pra casa. Faz dias que estou presa aqui. Eu quero sair! Preciso voltar pra universidade e seguir a minha vida."
Desabafou, com o que parecia ser o único que poderia tirá-la daquele lugar.
" Sua casa agora é aqui. Mandei esvaziarem o lugar e mandar as coisas para um depósito."
Era quase inacreditável o que ele falava.
Ele não ligava muito para a opinião dela e sabia o que devia ser feito.
"Você não pode estar falando sério."
"Venha, precisamos conversar."
A figura imponente do homem tomou conta do lugar. Usava apenas uma camisa social escura, com dois botões abertos, revelando um peitoral forte e viril.
Charlote somente se aproximou e ficou de pé, enquanto ele se sentou no sofá, como se estivesse na casa dele.
" Preciso sair daqui e voltar a minha vida. A polícia vai saber sobre quem fez isso com meu pai. Só quero ficar longe de tudo isso. Já está difícil o bastante."
"Charlote, existe uma coisa que você não sabe. Seu pai era um dos meus, ele morreu me devendo algo muito valioso e eu jurei que iria ajudá-lo quando fosse necessário com você."
"Eu não ligo. Eu não tenho nada com essa história. Só quer estar livre disso e me afastar."
"Você tem agora. Era seu pai. Sabe como as pessoas as vezes podem ser, podem vir cobrar você por algo dos seus pais. Você não quer sair daqui, não iria durar uma semana. Iriam fazer o mesmo que fizeram com ele."
O pensamento assombrou a mente dela.
De uma forma negativa.
Um medo.
Uma forma de talvez não conseguir sair daquilo.
Queria apenas se lembrar das palavras do pai, das memórias da sua mãe e recomeçar e ser alguém por quem lutar.
"Isso é uma mentira."
Dominik tomou uma postura mais séria. Tudo indo pro lugar, sobrando apenas a adorável e jovem Charlote.
Era tão nova. Rosto angelical e boca pequena. Era muita linda. Poderia ser útil.
"Eu não minto. Se quer ir, pode ir, mas não me culpe quando pegarem você e levarem. Ainda mais sendo tão bonitinha, iria ser usada antes. Sabe como pessoas podem ser ruins, não é?"
Os olhos dela começaram a marejar, e um aperto no peito a fez respirar fundo.
"O que?" ela sussurrou, a voz carregada de surpresa e incerteza.
Dominik permaneceu de pé, avançando com passos firmes até ficar cara a cara com a jovem. Ele colocou as mãos nos bolsos, mantendo seu olhar fixo no rosto jovem e bonito diante dele. Era difícil não notar sua beleza, contrastando com a sombra do pai que pairava sobre ela.
"Sua situação, Charlote," ele começou, sua voz carregada de gravidade, "é mais complicada do que você imagina. Você é a filha do homem que morreu devendo dinheiro a muita gente. Sua foto está estampada em todos os cantos de Nova York, e isso não vai mudar, acredite em mim."
A jovem encarou Dominik, um turbilhão de pensamentos e emoções passando por seus olhos. Era como se seu futuro brilhante tivesse sido abruptamente interrompido, substituído por uma realidade sombria e perigosa que ela m*l começava a compreender. A incerteza e o medo se misturavam em sua mente, enquanto ela se perguntava como poderia escapar do legado sombrio deixado por seu pai e, ao mesmo tempo, enfrentar a nova e complexa realidade que estava prestes a desvendar.
Os olhos dela piscaram surpresos e quase derramaram o peso daquilo mais uma vez.
"Eu não quero acabar com a minha vida."
Num falso tom, num falso gesto de caridade. Dominik ergueu a mão, a corrente de ouro evidente em seu pulso e os anéis. Os dedos encostaram no rosto dela, sentiu a pele quente e doce.
"Eu quero proteger você. Eu falei que faria isso. Agora preciso que confie em mim, tudo bem? Deixe a poeira abaixar. "
"Me deixe ir embora." Sussurrou, sentindo o toque na pele e sentindo uma onda eletrizante. Naquele momento Dom abriu um sorriso. Ela ficou hipnotizada olhando pra ele, o sorriso de lado e a forma que ele parecia mais bonito de perto. "Por favor."
O polegar deslizou pelo rosto, até deslizou pelo canto da boca pequena. Dom não iria deixá-la ir.
"Eu tenho uma notícia pra dar pra você."
"Eu tenho uma vida lá fora. Meus estudos. Minha casa. "
"Está falando da sua faculdade trancada? Sua casa fechada? Do caso arquivado do seu pai?"
"O que?"
Dom se inclinou, aproximando-se até que sua respiração atingisse o ouvido dela. Ela ficou paralisada diante da tonalidade arrogante e profunda de sua voz, e o perfume masculino invadiu suas narinas. Era um desafio manter o autocontrole naquela situação.
"Você, a partir de agora, é minha propriedade. Fará o que eu ordenar."
Ela reuniu as últimas reservas de coragem, com o coração batendo forte no peito, e o empurrou com firmeza. Dom m*l se moveu, sustentando seu sorriso provocador.
"Não pertenço a ninguém!" ela declarou com determinação, uma lágrima deslizando por sua bochecha.
"Bem, minha querida, agora pertence," ele respondeu, sua voz repleta de confiança e posse.
A tensão no ar era palpável, uma batalha de vontades se desenrolando entre eles. Charlote estava determinada a não ser controlada, mas Dom parecia disposto a desafiar cada uma de suas convicções.