Salva ou em perigo?

1608 Words
Dominik era uma figura notória para as autoridades policiais. Sua ficha criminal era extensa, repleta de inúmeras infrações, porém, o sobrenome que ele carregava era como uma armadura impenetrável, conferindo-lhe uma aura quase divina de intocabilidade na cidade. Dono de um charme indiscutível, sua presença era cativante, e sua elegância natural destacava-se em meio ao cenário urbano. Com olhos penetrantes e expressivos, Dominik transmitia uma sensação de mistério, como se escondesse segredos profundos por trás do olhar enigmático. Seu sorriso, por vezes irônico, podia tanto encantar quanto causar apreensão. Vestia-se impecavelmente, sempre com trajes que refletiam seu bom gosto refinado. Apesar de seu passado turbulento, o magnetismo de Dominik era inegável, atraindo pessoas de todas as esferas da sociedade. Era um homem de palavras escolhidas, que falava com uma elegância que combinava com sua aparência impecável. Sua voz carregava um tom de mistério, revelando pouco sobre suas verdadeiras intenções. "Quero ficar sozinho com a garota. O advogado está lá fora querendo indiciar vocês por abuso de autoridade. Não se prende um inocente assim, ainda mais quando é uma jovem inocente que testemunhou a morte do próprio pai." A voz dele era grave. Os policiais deram um balançar de cabeça. A jovem não iria colaborar com nada. Souberam pelo tom debochado e arrogante que ele usou. "Você sempre aparece nos piores momentos." "Eu sou o salvador das donzelas em perigo." Charlote ficou reta na cadeira. Tentando ver algum traço de confiança ou entender as palavras do pai. Quando os homens saíram, ele voltou o olhar para jovem coberta de sangue seco e com um rosto péssimo de tanto chorar. Não era como nas fotos que mostraram pra ele. Ela era bem mais bonita sem chorar tanto. "Quem é você?" "Alguns me chamam de Dom, outros me chamam de chefe ou outros me chama da pior pessoa do mundo. Vai depender do seu ponto de vista ou se quer sair daqui, Charlote." "Você conhecia meu pai?" Ele sorriu, um sorriso lindo. "Não apenas ele. Conheci sua mãe. Digamos que seu pai se envolveu demais nos negócios. Ele não segurou a onda. Eu sinto muito pela sua perda. Estou cuidando pra que seu pai fique ao lado da sua mãe. Não se preocupe com nada." Por trás da fachada de frieza e distância, poucos conheciam a verdadeira essência de Dominik. Havia em seu coração uma dualidade intrigante entre a busca por redenção e a atração pelo lado mais sombrio da vida. Era um homem complexo, moldado pelas circunstâncias do passado, e seus passos eram guiados por uma ética própria. Em meio à fama infame que o cercava, Dominik trilhava um caminho que oscilava entre o enigma, o perigo e a sedução. Ele se tornara uma figura lendária na cidade, com sua beleza, elegância e reputação duvidosa, misturando-se em uma essência magnética que deixava todos curiosos sobre qual seria o próximo capítulo dessa fascinante e controversa história. " Meu pai me disse sobre você. Como sei que posso confiar em você?" O homem se aproximou e se sentou ao lado dela. Erguendo a mão e limpado o rosto encantador da jovem. Era tão bonita. Podiam se dar bem se não fosse aquela situação. Ele adorava morenas. Ainda mais uma que parecia ser uma flor pra alguém desabrochar. " Se não pudesse, não estaria me fazendo essa pergunta. Não acha?" Falou perspicaz. O som das palavras ressoou no pequeno cômodo, ecoando a dura realidade que se apresentava à jovem. "Meu pai está morto", ela disse, a voz trêmula e os olhos marejados de lágrimas. Ao seu lado, um homem enigmático e imponente. Dom olhou para ela com uma expressão de seriedade incomum em seu semblante. "Bem, não posso trazê-lo de volta", disse Dom, sua voz grave e controlada. "Até as investigações passarem, você fica perto de mim. Depois, pode seguir sua vida." A oferta de proteção parecia genuína, ainda que envolta em um misto de mistério e perigo. Ele estendeu a mão para ela, um gesto protetor, quase paterno, contrastando com a reputação sombria que o cercava. Uma que Charlote não sabia existir e nem imaginava o quanto era pesada. A jovem hesitou por um momento, mas a sensação de vulnerabilidade e o desejo de respostas fizeram com que ela aceitasse a oferta. Não sabia ao certo quem ele era, mas alguma força invisível atraía-a para seu refúgio se lembrando das palavras do pai. "Você é da máfia, não é?", ela perguntou com uma mistura de medo e curiosidade, olhando diretamente nos olhos enigmáticos do homem à sua frente. Dominik sorriu levemente, uma expressão que carregava a complexidade de sua vida dupla. "Alguns chamam assim", disse ele de forma enigmática. "Outros dizem que sou apenas um empresário com interesses distintos. A verdade está em algum lugar entre as sombras. Não se preocupe com isso." "Eu nunca tinha ouvido falar de você até hoje de manhã." "Acho que você precisa de alguém que ajude você." A resposta enigmática apenas aumentou o mistério que cercava Dominik, mas a coragem da jovem crescia a cada instante em que permanecia ao seu lado. "Eu quero saber quem matou o meu pai." "Essa reposta eu tenho. Mas não posso dá-la pra você agora, Charlote. Preciso que se levante e saia daqui comigo. Vou te levar para um lugar seguro." "Eu só quero que isso acabe." Ele ficou de pé, puxando a mão dela e colocando por baixo do braço dele. Fazendo-a a apoiar-se nele. Dominik fitou o rosto angustiado da jovem Charlote, sabendo que a delegacia era um lugar que ele desprezava, mas estava disposto a enfrentar para tirá-la dessa situação complicada. "Se me ajudar, vai ser mais rápido do que você pode esperar, Charlote. Tudo vai ficar bem agora. Eu estou aqui." Sua voz soou suave, embora carregada de uma confiança reconfortante. Ele queria transmitir a ela uma sensação de segurança em meio à turbulência que a cercava. Ele mais que ninguém sabia manipular alguém pra isso. " Eu não faço ideia de quem seja Dominik, no caso, eu não sei quem é você." A jovem, ainda abalada pela recente perda de seu pai e enfrentando a desconhecida figura de Dominik, respondeu com uma mistura de medo e desconfiança. Dominik compreendia o receio de Charlote, afinal, ele próprio carregava segredos e um passado obscuro que o faziam ser alvo de desconfiança. Além disso, ele não era santo. Não, nada disso. Na noite passada perseguiu alguém e o deixou na UTI, além de terminar a noite em uma das boates com mais três mulheres. Ele decidiu ser sincero com ela, mesmo que parcialmente. "É verdade que há muito sobre mim que você não sabe, e talvez nunca venha a saber completamente. Sou alguém que vive nas sombras, marcado por escolhas questionáveis." Ao ver a sinceridade nos olhos de Dominik, Charlote sentiu uma faísca de empatia por trás do enigma que ele representava. Mesmo ele parecendo ser a pior pessoa do mundo. Com coragem crescente, Charlote decidiu dar uma chance a esse desconhecido que parecia disposto a ajudá-la. Ela nem ousava pensar no pen-drive. "E o que você quer em troca? Por que está me ajudando?" Perguntou, buscando entender os motivos por trás da oferta de assistência. Dominik sorriu levemente, agradecendo a oportunidade de explicar sua intenção. "Eu entendo que é difícil confiar em mim, mas acredite, não sou um homem sem coração. Quero te ajudar porque sei o que é perder alguém querido e não ter respostas. Posso ser a chave para desvendar o mistério por trás da morte de seu pai. E, se você me permitir, talvez também possa encontrar as respostas que busco há semanas. Envolve muito dinheiro e até mesmo nomes importantes. Então, você vem comigo? " Uma sensação de angústia tomou conta de Charlote. Ela encarou os olhos gélidos de Dominik, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. A oferta de ajuda agora parecia mais uma armadilha, e a verdadeira natureza obscura de Dominik se revelava diante dela. "O que acontece se eu não for com você?" Ela tentou manter a voz firme, mas a incerteza e o medo estavam claramente presentes. Dominik sorriu, mas o gesto não trouxe consolo algum. Seu sorriso parecia desprovido de empatia, como o de um sociopata. "Eu deixo você apodrecer aqui", disse ele com frieza. "Se abrir a boca sobre mim ou o seu pai, você apodrece em outro lugar. Sabe como é, tenho que preservar a minha honra e a do seu pai." As palavras de Dominik ecoaram no coração de Charlote, deixando-a em uma encruzilhada perigosa. Ela compreendeu que sua vida estava nas mãos dele, e qualquer movimento errado poderia resultar em consequências devastadoras. Enquanto lutava com o dilema, uma mistura de raiva e resignação crescia dentro dela. Ela se viu forçada a fazer uma escolha difícil: confiar em Dominik e enfrentar um mundo de sombras e incertezas, ou recuar e permanecer cativa das circunstâncias que a cercavam. Dominik observava-a com uma expressão imperturbável, esperando sua decisão. Ele sabia que tinha o poder de controlar o destino dela, mas também estava ciente de que, ao fazer essa ameaça, estava arriscando a possibilidade de nunca ganhar sua confiança. A jovem engoliu em seco e tomou uma decisão arriscada, mas corajosa. "Está bem, eu vou com você", declarou ela, buscando encontrar forças para enfrentar o desconhecido. "Mas saiba que, se você me trair ou me ferir de alguma forma, vou lutar com todas as minhas forças para me libertar e proteger a memória do meu pai." Dominik não demonstrou surpresa com a resposta dela. Ele assentiu silenciosamente, sem quebrar o olhar intenso que mantinha sobre Charlote. Seu passado obscuro o havia ensinado a confiar apenas em sua própria astúcia.
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