Assim que Dylan saiu pela porta, parecia que meu mundo inteiro havia desabado. Por meses eu pensei que ele estivesse morto em algum lugar do mundo, ou até mesmo tivesse esquecido da minha existência. Mas eu lembro quando Mia me disse que se ele estivesse vivo em algum lugar, depois que me visse na TV ou na internet, com certeza daria um jeito de vir atrás de mim. Eu só não imaginava que fosse dessa forma. Meu celular estava tocando, era John.
- Tentei falar com você a noite inteira. Anna, daqui a dois dias você e Henry precisam ir a uma entrevista. É uma das últimas, prometo. Vai ficar um pouco cansativo, mas preciso que você vá. — John estava com um tom de voz diferente. —
- Aconteceu alguma coisa? — O questionei. —
- Preciso que você vá.
Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa, ele desligou. Assim que olhei pelo visor do celular, havia uma mensagem de Henry.
Henry: Hey, talvez eu chegue amanhã. ;)
Anna: Ok bonitão, estarei te esperando na sua casa.
Henry: Não faz isso.
Anna: Espera para ver, rs.
Subi para suíte de Henry e me joguei na cama. O cheiro do perfume dele estava presente nos lençóis. Abracei um travesseiro e em alguns segundos eu já estava dormindo. Acordei assustada com alguma coisa pulando em cima de mim. Kal. Henry estava parado na porta com o celular em mãos filmando o momento.
- Não Kal... — Tentei empurra-lo para o lado com um braço, mas era impossível. Afundei a cabeça no travesseiro. Henry veio e tirou Kal da cama, dessa vez se jogando por cima de mim. — SAI, VOCÊ É PESADO! — Ele riu. —
- Senti sua falta. — Henry me encarou com um enorme sorriso no rosto. Logo em seguida me beijou. O beijo foi ficando mais quente, eu e Henry já estávamos roçando nossos corpos contra o outro na cama, até que alguém apareceu na porta. —
- Querido? — Uma senhora branca e de olhos claros apareceu na porta, fazendo com que Henry desse um pulo de cima de mim. —
- Ai meu Deus, mãe... Mãe, essa é a Anna. Anna, essa é minha mãe. — Ele estava desconcertado. Tentava arrumar sua camisa toda desabotoada enquanto eu me levantava com o rosto vermelho de vergonha. —
- Esse não foi o melhor momento de conhecê-la. — Fui até a mãe de Henry e apertei a sua mão. —
- Aonde essa mão estava? — Ela recuou. Fiquei sem reação alguma. — Brincadeira, prazer em conhecer você, Anna. Ouvi muito sobre você. — Ela me abraçou forte. —
- Ah, espero que tenham sido coisas boas. — Coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha. —
- Tão boas que achei que você não fosse real. — Ela piscou para mim. —
- Hãã... Mãe, ok, já deu... Anna, a gente vai te esperar lá embaixo. — Henry estava quase tirando a mãe dele do quarto a força. —
- Tudo bem. — Sorri sem mostrar os dentes. — Meu Deus... ele deveria ter me avisado.
Fui para o banheiro e tomei o banho mais rápido da minha vida. A primeira roupa que encontrei foi a que vesti. Talvez não tenha sido uma boa escolha. Eu estava com um short jeans e uma camiseta branca. Só que tudo bem, né? A mãe do Henry me viu seminua (tudo bem que eu estava com a camisa dele) e quase transando com o filho dela, tudo bem se ela me ver com um short jeans e uma blusinha. Não adianta querer causar uma boa segunda impressão. Desci as escadas e me arrependi amargamente de não ter colocado algo melhor. Os irmãos do Henry, a sobrinha mais nova, as cunhadas e o pai dele estavam lá também. Enquanto eu descia as escadas eu pude sentir o olhar de todos em mim.
- Família, essa é Anna, minha namorada. — Ele me encontrou no fim da escadaria. —
- Desculpem aparecer assim, Henry não me contou nada sobre vocês virem para cá... — Eu sorri fraco, o pai de Henry veio até mim. —
- Você é muito bonita, meu filho tem muita sorte. — Ele me abraçou. — Seja bem-vinda a nossa família, Anna.
- Muito obrigada.
Cumprimentei as outras pessoas presentes na sala. Preparamos um churrasco e passamos o resto do dia no quintal da casa de Henry. Era um momento família que nunca vivi com Dylan. Já que os pais dele não queriam ele em casa. Nunca conheci os pais dele, apenas por fotos. Nossa primeira vez foi em um trailer numa excursão da escola. O que eu estava vivendo com Henry era novo e saudável. E percebi naquele momento enquanto o observava conversando com seus irmãos, que sem dúvidas, ele era a pessoa certa para mim.
- É muito bom finalmente te conhecer. — Uma das cunhadas de Henry sentou ao meu lado. Ela me entregou um copo com refrigerante. — Sabe, quando eu e a mãe deles vimos a foto, ficamos em choque. Você é muito bonita, digamos que ele não tem um bom gosto com mulheres. — Nós rimos. —
- Ah, eu sei. — Sorri lembrando de um thread que havia visto no Twitter com fotos das ex-namoradas de Henry. —
- Brincadeiras à parte, espero que vocês sejam felizes. Ele merece, é um bom homem. — Ela olhou pra Henry. — Sempre ajudou muito os irmãos e os pais.
- Sim, inclusive ele ajudou os meus também, com algumas coisas. Ele é incrível.
- Sua cara de apaixonada não n**a isso. — Ela sorriu. — Bom, agora preciso ver se minha filha acordou ou ainda está dormindo. Ser mãe é isso. Pense duas vezes, Okay? — Ela riu e se levantou. Henry veio até mim. —
- Precisa de alguma coisa? — Ele me deu um prato com carne e salada. —
- Obrigada. Agora nada. Só não exagera na bebida, está bem? Amanhã a gente tem que acordar cedo para voltar à Cotswolds e gravar. E depois ainda temos entrevista.
- Sim senhora.
Ele prestou continência e voltou para os irmãos. Continuei comendo e conversando com a mãe de Henry. Ela era uma senhora muito gentil. É visível o quanto tem orgulho não só dele, mas também dos outros filhos. O pai dele sempre deixou claro o quanto queria que o filho seguisse os passos do irmão e entrasse para as forças armadas da Inglaterra. É claro que Henry não optou por esse caminho, já que a carreira como ator alavancou.
- Eu não sei se queria ver meu filho em crepúsculo. Com toda aquela coisa de vampiros e lobisomens e adolescentes... — Ele falou. Fazendo todos rirem. —
- Eu seria um ótimo vampiro, pai. — Henry falou em meio a risadas. —
- Filho, não é meio ganancioso querer ser o Superman, um vampiro, um anjo, um bruxo e o Sherlock Holmes ao mesmo tempo? — Todos nós demos uma gargalhada alta ao mesmo tempo. —
- Talvez, pai. — Henry estava vermelho de tanto rir. Eu nunca havia o visto tão feliz assim. —
- Anna, foi um prazer conhecer você. — Ele se levantou. — Mas agora precisamos ir embora, afinal, moramos longe.
- Não querem ficar aqui essa noite? — Henry indagou. —
- Claro que não, não vamos atrapalhar vocês dois. — Ele olhou para mim e Henry. Corei instantaneamente. — Não precisa ficar assim Anna, somos todos adultos aqui. — Dessa vez eu sorri. Sem querer fiz um barulho estranho com a risada. Fazendo com que todos também rissem. —
- Aproveitem hoje. Não se preocupem conosco. Vamos voltar em breve. — A mãe dele me abraçou. Mais uma vez aquele abraço forte e aconchegante. — Gostei de você, Anna. Caso precise de alguma coisa, não hesite em me ligar. Você é da família agora. — Ela deu uma leve tapinha no meu ombro. —
- O prazer foi meu conhecer todos vocês. Espero revê-los em breve. — Sorri enquanto os acompanhava até a porta. —
- Querido, se você não cuidar dela, infelizmente vamos ter que levá-la para nossa casa.
- Mãe! — Henry a repreendeu. —
- Caso não queira aturar o Henry, pode ir ficar com a gente, Anna. — Ela sorriu e piscou, agradeci com um sorriso. Assim que todos foram embora, Henry fechou a porta e deitou no sofá. —
- Dia cansativo... — Ele falou com tom de preguiça. —
- Vai para a cama, eu arrumo as coisas aqui. — Falei. —
- Claro que não, deixa que a faxineira faz isso. A gente precisa descansar. Amanhã é dia de Catherinne e James. — Revirei os olhos. —
- Claro.
Subimos pelas escadas, Henry literalmente se jogou na cama. Eu estava tão cansada que assim que deitei, meus olhos ficaram pesados a ponto de não conseguir deixá-los abertos. Os raios de sol no meu rosto me fizeram acordar. Henry estava parado de cueca box na frente da janela. Sentei na cama.
- Eu queria poder acordar com essa vista todo santo dia. — Ele se virou em minha direção enquanto sorria. —
- Bom dia flor do dia. Dormiu bem? — Henry beijou minha testa, me fazendo sorrir. —
- Como um anjo. Que horas são? — Me espreguicei. —
- Quase seis. A van vem nos pegar daqui a pouco. Você arrumou sua mala?
- Não tirei nada desde que saí do hotel.
- Ótimo. — Ele caminhou até o closet. — O que você está fazendo sentada aí? Anda. Levanta. A gente tem hora. — Ele batia palminhas. —
Murmurei e fui até o chuveiro. Tomei banho e quando olhei para o chão, um aplique do meu cabelo estava caído, quase descendo pelo ralo. Entrei em pânico. Eu nem sabia se tinha o número de quem havia colocado esse troço no meu cabelo.
- HENRY! HENRY VEM AQUI AGORA! — Me enrolei com a toalha. Quando Henry chegou mostrei o que havia caído. Ele arregalou os olhos. —
- Seu cabelo está caindo? — Naquele momento eu estava em desespero, mas quando percebi que Henry estava achando que parte do meu cabelo havia caído eu só consegui rir. Ri alto, muito alto, a ponto do meu estômago quase doer. —
- Anna, eu estou falando sério. — Ele estava parado na minha frente com as mãos na cintura. —
- Henry... — Falei enquanto tentava me recuperar. — Isso é um aplique, não é meu cabelo de verdade. Simplesmente caiu. E agora? Como vou colocar de volta? E a Catherinne como fica? Com metade do cabelo curto?
- Calma, a gente pode resolver isso. Alguém da produção pode ajudar. — Ele segurou o aplique com a ponta dos dedos. — É pesado.
- Claro que é. — Voltei para o quarto. Vesti uma roupa confortável e Henry jogou meu aplique dentro da mala. —
- Vamos para a sala, a van vai chegar em dez minutos. — Ele pegou nossas malas e fomos até a sala. Kal estava sentado no sofá esperando qualquer sinal de vida nosso. —
- Bom garoto. — Henry acariciou a cabeça de Kal. Que colocou a língua para fora. —
Alguns minutos depois estávamos na van. Boa parte do elenco estava também. Ia ser uma longa viagem. Quando chegamos a Cotswolds o cheiro de ar livre tomou conta do meu nariz. A primavera havia chegado. Algumas flores tinham brotado no lugar onde iríamos filmar uma das melhores cenas do filme.
- Vocês esperaram a primavera chegar para gravar essa cena? — Perguntei a John que estava ao meu lado. —
- Tudo pela perfeição da imagem. — Ele deu uma piscadela. Fui em direção a tenda de maquiagem. Cumprimentei as meninas e abri minha bolsa. —
- COMO VOCÊ CONSEGUIU FAZER ISSO? — Uma das maquiadoras estava em choque. — Senta aqui.
Me sentei em uma das cadeiras e depois de quase duas horas, o cabelo da Catherinne estava pronto. Havia tanto laquê no meu cabelo, que era necessário que eu usasse uma máscara durante todo o processo. As vezes era sufocante pra Henry ter que gravar algumas cenas em que ficávamos muito próximos, já que se ele tocasse no meu cabelo, os cachos poderiam desmoronar. Estávamos a todo vapor com a produção do filme, já que tínhamos poucas cenas para gravar. Estávamos quase acabando e o meu sonho americano estava se desfazendo aos poucos. Eu provavelmente iria voltar pra Miami sem dinheiro nenhum, já que a minha belíssima tia havia me roubado.
- Pensativa? — Henry parou ao meu lado. —
- Estamos quase acabando. — Olhei para ele, que sorriu satisfeito. —
- Sim. É incrível, não? Eu estou muito ansioso para ver como ficou.
- Eu também. — Sorri. — Primeira vez que vou me ver em uma tela de cinema.
- Não é nada demais. Você só parece um pouco mais gordo. — Gargalhei. —
- Obrigada pela dica senhor Cavill.
Fui em direção ao sofá embaixo de uma das tendas e comecei a ler minhas falas para a cena. Era incrível como eu conseguia entrar na personagem da Catherinne em questão de segundos. Ela me encantava. Fui interrompida pelo grito de John praticamente em cima de mim.
- PARA AS COLINAS, AGORA! — As colinas era uma forma de falar. Já que a cena que estávamos tentando gravar a horas só ficava bonita no pôr do sol e era preciso colocar uma enorme tela verde para simular um penhasco. —
Eu estava vestindo um enorme vestido vermelho, que eu tenho que admitir que era muito bonito. Henry estava com uma camisa social de manga e uma calça.
- E... AÇÃO! — John bateu a claquete. —
- Você confia em mim, Cath? — Henry, agora James, olhou em meus olhos. —
- Sim... — Encarei o suposto precipício. —
- Eu te amo, nós vamos conseguir. — Ele tirou uma mecha de cabelo da minha bochecha. —
Assenti positivamente com a cabeça. Olhamos para trás e alguns homens vinham correndo em nossa direção. Seguramos nossas mãos e pulamos. Henry me abraçou e caímos em cima do colchão.
— E... CORTA! — John gritou. As câmeras pararam de filmar e eu e Henry levantamos do colchão inflável no chão. — Ótimo, acho que por hoje é só. Amanhã vamos gravar só um pedacinho do segundo filme. Para colocar nos pós créditos. Anna, quero você aqui bem cedo. É isso, até o próximo filme gente!
Todos nós batemos palmas. Algumas pessoas estavam lacrimejando, inclusive eu que havia criado um vínculo com algumas pessoas ali presentes. Foram muitos meses de trabalho e dedicação. Eu estava com a sensação de trabalho cumprido, mas ao mesmo tempo me faltava alguma coisa. Talvez tudo o que eu quisesse naquele momento fosse tia Johanna ao meu lado me dando parabéns, mas aquilo estava fora de cogitação. Henry veio me abraçar quando viu que meus olhos lacrimejavam.
- Ei... não precisa, não precisa. — Escondi minha cabeça no meio do seu peitoral enorme. Ele me abraçou mais forte e pousou sua cabeça sob a minha. Passamos alguns segundos naquela posição, por mim eu ficaria ali para sempre. —
- Eu te amo. — Desfiz o abraço e encarei Henry. Seus olhos brilharam após eu dizer essas três palavras. —
- Eu também. — Ele me beijou. Fomos interrompidos pelo elenco inteiro batendo palma e assoviando. Corei. —
- Se tivesse uma câmera aí, eu duvido que o beijo saísse com tanta perfeição. — Um dos cinegrafistas gritou. Todos rimos. —
- Também vou sentir sua falta, Logan. — Henry riu. —
Entramos na van e voltamos para o hostel. Fui para o meu quarto e tomei um banho rápido. Eu e Henry marcamos de jantar juntos hoje. Assim que descemos para o lobby, vimos boa parte do elenco ir embora. O hostel não estava tão cheio quanto no começo das gravações. Fomos até o restaurante e sentamos em uma das mesas. Pedimos lagosta, eu disse a Henry que nunca havia comido, ele me disse que hoje era o dia que eu iria experimentar. Eu sequer sabia por onde começar. Mas era bem saboroso. Assim que terminamos nosso jantar, subimos para os quartos.
- Não... você não vai dormir aqui hoje. Nem tenta. — Bloqueei a entrada de Henry na minha suíte. —
- Qual é Anna... — Ele implorava. —
- A gente não vai conseguir dormir, Henry. — Revirei os olhos. —
- A entrevista não deveria ter sido adiada para amanhã de manhã. — Ele deu as costas e foi andando até o elevador. —
- Te vejo amanhã! — Acenei enquanto a porta do elevador fechava com ele dentro. —
No dia seguinte acordei com batidas na minha porta. E dei de cara com quem eu mais precisei durante o surto do meu aplique. Max e Chris. Os dois estavam com seus equipamentos. Nem sequer perguntaram nada, já foram entrando.
- Sentiu nossa falta, baby? — Max dessa vez estava com o cabelo pintado de azul. O que combinava bastante com ele. — Nem precisa dizer nada. A gente já sabe o que está rolando com você e o.... — Ele suspirou fundo e colocou a mão no peito. — Henry Cavill!
- Pelo amor de Deus... — Chris revirou os olhos. — Felicidades, Anna.
- Obrigada. Mas o que necessariamente vocês estão fazendo aqui?
- Viemos dar um trato em você. — Max deu de ombros.
- O seu cabelo, Anna.
- Ah, eu só vou tomar um banho e... — Fui interrompida por Max que me empurrou na cadeira. —
- A gente não pode perder tempo, docinho. — Ele soltou meu cabelo. — É hora do show.
Max me entregou uma foto e mostrou como o meu cabelo iria ficar. Dei de ombros e esperei para ver o resultado final. Não havia mudado muita coisa, apenas a coloração. Que agora estava com algumas luzes ou seriam californianas? Enfim, estava bem diferente da Catherinne do primeiro filme.
- Só tem um porém... — Olhei pros dois, que estavam parados na minha frente. — Eu tenho entrevista hoje, eu vou aparecer assim?
- Claro que não! Vamos fazer um penteado que vai esconder boa parte do seu cabelo. — Max piscou. Em poucos minutos ele escondeu toda a parte pintada do meu cabelo com um lindo coque. —
- Uau! — Me olhei no espelho já pronta para a entrevista. — Vocês são minha salvação.
- Toda mulher precisa de um Max na vida, pena que não posso estar com todas. — Ele deu de ombros. —
- Obrigada Max, e obrigada Chris. Vocês são incríveis.
- Disponha, Anna. — Chris agradeceu.
- Anna, sua tia não está aqui para te dizer, mas eu vou te alertar. Cuidado com tudo o que você for falar durante a entrevista. Da mesma forma que eles podem te deixar mais famosa, também podem destruir sua carreira. Esse programa é conhecido por deixar muitos famosos em situações complicadas. — Henry me encarava sério, eu tentei segurar o riso, falhei. —
- Qual é, é só uma entrevista. Relaxa, Henry. — Bati nas costas dele enquanto a apresentadora anunciava nossos nomes. —
Entramos no palco e eu estranhei. Ouvi palmas, mas não haviam pessoas. Continuei sorrindo e me sentei em uma das cadeiras.
- Anna, Henry, é um prazer conhecê-los.
A apresentadora de cabelos ruivos e cacheados nos cumprimentou. Ela tinha um estilo que chamava bastante atenção. Usava maquiagem bem forte e colorida, junto com algumas peças de roupa de cores bem chamativas. Acho que foi impressão minha, mas ela realmente não gostou muito da minha presença ali, me olhou de cima a baixo.
- O prazer é meu. — Henry sorriu. —
- Infelizmente não pude trazê-los para o programa ao vivo, a agenda de vocês é bem lotada, então tive que abrir uma exceção para entrevistar os novos queridinhos dos adolescentes. — Ela sorriu. —
- Não fala assim que eu me sinto a nova Bella Swan. — Todos rimos. —
- Falando em Bella Swan, Henry, você deveria ser o Edward. Como isso aconteceu?
- É uma história engraçada na verdade. A escritora dos livros queria que eu fosse o Edward, mas eles acharam que o Robert se encaixava no papel, então eu fui descartado. — Ele deu de ombros. —
- Caramba... se eu fosse você eu não teria superado isso nunca. — Brinquei. Ele riu junto com a apresentadora. —
- E quem disse que eu superei? — Gargalhamos alto. —
- Eu tenho uma coisa para perguntar a vocês, mas não sei se deveria. Vocês só precisam falar sobre isso se quiserem, é claro.
A ruiva parecia inquieta desde o começo da entrevista, deduzi que esse era o momento que ela mais esperava.
- Dependendo do que for, acho que podemos. — Henry olhou para mim, nós já sabíamos o que ela queria falar, mas é claro que tínhamos que fingir de loucos. —
- Sobre algumas fotos que saíram esses dias... — Ela estava esperando uma patada. Mas eu e Henry seguimos calmos esperando que ela continuasse com o assunto. — . Vou ser direta, não consigo enrolar. Vocês estão juntos?
Ela se inclinou para a frente, eu e Henry nos entreolhamos e eu fiz um sinal quase imperceptível com a cabeça, afirmando positivamente.
- Sim. Nós estamos juntos a um bom tempo, na verdade. — Henry me olhou mais uma vez e colocou sua mão no meu joelho. — Eu queria manter nosso relacionamento bem longe das câmeras, não queria que Anna passasse pelo que minhas outras namoradas passaram. Ela é uma mulher incrível.
Ele terminou de falar e sorriu para mim, fazendo com que eu também sorrisse e encarasse o chão.
- Caramba, vocês estão muito apaixonados. — A apresentadora olhou em direção ao meu joelho, onde a mão de Henry estava. Assim que demos conta, sorrimos e nos afastamos um pouco. —
- Henry é um cara incrível e eu precisava disso. Saí de um relacionamento bastante complicado a alguns meses atrás e é realmente bom conhecer alguém tão incrível assim. Ele me ensina muitas coisas. — Sorri. —
- Temos algumas fotos aqui no telão, Anna. Queríamos saber da sua opinião sobre elas.
Nos viramos para o enorme telão atrás de nós. Assim que a primeira foto apareceu, meu coração começou a palpitar tão forte que achei que iria enfartar naquela hora. Era impossível. Henry me encarou confuso.
- Então, Anna? Essa é a casa do Henry, não é? E quem é esse? Pelas roupas não parece nosso Cavill. — Ela sorria de forma cínica. —
Havia uma foto de Dylan saindo da casa de Henry enquanto eu usava uma das enormes camisas dele. Eu estava totalmente sem reação. Logo depois começou uma chuva de slide com várias fotos, incluindo a que Dylan me agarrou, mas pela visão da foto, parecia que estávamos nos beijando. Henry estava totalmente estático. Ele não sabia como lidar com tudo aquilo, e eu sabia que a qualquer momento ele iria explodir.
- Essas fotos são falsas, isso não é verdade, nunca aconteceu... isso é totalmente falso. — Eu tentava me explicar, mas só conseguia gaguejar, lacrimejar e olhar pra Henry que me encarava procurando respostas. —
- Anna, essas fotos foram enviadas por uma fonte confiável. Não adianta, quem é esse? A pessoa que nos enviou disse que é seu suposto ex-namorado. Isso é verdade?
Como aquela mulher conseguia ser tão fria em um momento como aquele? Eu estava tremendo de raiva. Cada palavra que eu dizia, ela arrumava um argumento para me contrariar. Até que quem não aguentou mais foi Henry. Ele levantou da cadeira e deixou a entrevista.
- HENRY! — Gritei pelo mesmo, que nem sequer virou para trás. — O que você fez? Porque você fez isso? — Me virei para apresentadora que estava com as costas encostadas em sua cadeira e com a sensação de trabalho cumprido. —
- Eu apenas fiz o meu trabalho. — Ela sorriu cínica mais uma vez. —
- Se o seu trabalho é destruir o relacionamento dos outros, você deve ser muito infeliz e m*l-amada.
Me levantei da cadeira e saí do palco. Tentei achar Henry no camarim, mas não havia nem sinal de fumaça. Perguntei a um dos funcionários e ele disse que ele foi para a saída. Deduzi que ele não estava mais aqui. Pedi um Uber. Demorou alguns minutos, que para mim, pareciam horas, e ele finalmente chegou. Fomos até a casa de Henry. Toquei a campainha várias vezes, quando eu estava quase desistindo, ele abriu a porta.
- Henry, eu... — Fui interrompida. —
- Entra. — Ele falou de forma fria. —
- De verdade, não acredita naquelas fotos, por favor, não é verdade, não é o que você está pensando. — Eu não aguentava mais, as lágrimas já escorriam pelo meu rosto e borravam minha maquiagem. —
- Pega suas malas e vai embora, eu não quero você aqui. — Ele continuava com a voz firme e fria. —
- Henry, você não está pensando direito... isso não é desse jeito, não é assim que se resolvem as coisas. E eu não tenho para onde ir, por favor me escuta. — Eu soluçava, Henry parecia um robô. Ele apenas me encarava e falava poucas palavras. —
- Toma. — Ele me entregou 800 libras. — Procura um lugar, dá para você se virar por um bom tempo. Você pode vender a bolsa que eu te dei também.
- Eu não quero o seu dinheiro. —Não reconhecia mais Henry. Não era o mesmo homem que eu me apaixonei a meses atrás. Eu conheci o pior lado da pessoa que eu amava. —
- Então pega suas coisas e vai embora, Anna.
Naquele momento eu explodi de raiva. Eu nunca havia ficado daquele jeito. Fui para cima de Henry que permaneceu parado, apenas me encarando.
- EU NÃO QUERO A PORCARIA DO SEU DINHEIRO, MUITO MENOS A SUA FAMA. EU ESTAVA COM VOCÊ PORQUE EU TE AMO. VOCÊ SE ACHA O ESPERTÃO, MAS CAI NA PRIMEIRA ARMADILHA QUE QUALQUER PESSOA APRONTA. O DYLAN VEIO AQUI SIM! NÃO VOU MENTIR, MAS ELE VEIO PEDIR DINHEIRO, COISA QUE VOCÊ SABE MUITO BEM QUE EU NÃO TENHO. DEPOIS QUE EU INSISTI MUITO, ELE FOI EMBORA.
Me joguei no sofá. Kal estava latindo durante toda a briga. Eu queria que Henry abrisse a boca e falasse alguma coisa. Que ele se mexesse ou ao menos brigasse comigo também. Mas ele parecia um holograma. Parecia que eu estava falando e brigando sozinha. Parecia que só eu me importava. E o silêncio dele me matou. Eu subi até o quarto dele, peguei minhas malas e quando desci, havia um motorista de táxi na sala me esperando.
- Oi, o rapaz me disse que você precisa de ajuda com as malas, vou pegá-las e a senhorita me espera no carro, tudo bem? — Ele sorriu fraco, obviamente já sabia o que estava acontecendo. —
- Obrigada. — Ele pegou minhas malas e saiu pela porta. Fui até a cozinha, sabia que Henry estava lá. E ele realmente estava. Estava bebendo uma garrafa de cerveja. Assim que me viu, ele parou para me olhar. —
- Vai lavar seu rosto, sua maquiagem está borrada. — Ele voltou a beber. —
- Você não vai me levar até a porta?
- Acho que você sabe o caminho, não é tão difícil. — Henry me respondia, mas não conseguia olhar nos meus olhos. —
- Você pode ao menos olhar para mim? — Falei. —
Henry bateu a garrafa de cerveja com força na mesa, quase fazendo-a quebrar. —
- O QUE VOCÊ QUER? QUER QUE EU TE LEVE PARA ONDE VOCÊ QUER IR TAMBÉM? ACABOU, ANNA. VAI EMBORA. EU NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ. — Ele passou a mão no cabelo, nesse momento, uma lágrima involuntária escorreu do meu olho. —
- Achei que você fosse um homem melhor, mas parece que eu estava enganada. — Dei as costas e saí da cozinha. Fui em direção a sala e quando estava saindo pela porta, Kal veio em minha direção. Ele chorou baixinho. Me agachei e o abracei. — Vou sentir sua falta.
Beijei o mesmo, fechei a porta e fui em direção ao táxi. Dei uma breve olhada para casa de Henry e pude ver sua sombra pela janela. Eu ia sentir muita falta de lá. Respirei fundo.
- Para onde vamos, senhorita? — O motorista me olhou pelo retrovisor. —
- Cotswolds, por favor.
- Claro.
Ele ligou o carro e seguimos viagem. Voltar a Cotswolds não iria me fazer bem, mas eu ainda tinha que trabalhar. Coloquei os fones de ouvido, mas tudo o que minha playlist me recomendava, servia de gatilho para que eu ficasse pior.
- Senhorita, desculpe incomodar, mas você está bem?
- Ah.... Sim, eu estou sim.
Depois de concluir a frase, me dei conta que minha maquiagem estava borrada e estava completamente visível que eu tinha chorado. Pedi para que o motorista parasse no acostamento para que eu tirasse um removedor de maquiagem de uma das malas. Assim que removi toda a maquiagem, estávamos na entrada de Cotswolds. Pedi para que ele parasse no hostel em que a equipe estava hospedada. Ele me ajudou a levar todas as malas até o meu quarto. Encontrei o diretor no corredor, ele me encarou e levemente inclinou a cabeça para o lado.
- Aconteceu alguma coisa? — Ele indagou. —
- Não... não eu só... crise alérgica. — Sorri. —
- Se estiver indisposta a gente pode filmar amanhã.
- Não, é só eu tomar a medicação que fica tudo bem, não se preocupe. Estarei lá. — Sorri fraco e entrei no quarto rapidamente. —