Doce Tentação

2523 Words
Passei o resto da semana evitando Henry, já estávamos a quase três meses gravando. Eu já conhecia cada canto de Cotswolds. Mas era impossível ignorar Henry enquanto estava atuando com o mesmo. É claro que ele percebeu e sempre que perguntava eu fingia que nada havia acontecido. Eu não brincava mais com o Kal, não ia comer pizza no intervalo de madrugada com as pessoas no set, recusava todas as fotos de elenco em que ele juntava todo mundo para tirar no celular dele. PS: Eu já me escondi no banheiro para evitar falar com ele. Eu fazia de tudo para que a nossa suposta química só fosse em frente às câmeras.    - Anna, o que está rolando hein? Você está me evitando a dias. — Ele parou em minha frente. Henry é muito alto, eu batia no ombro dele, ele era como uma montanha na frente do sol para mim. —    - É impressão sua. — Sorri forçadamente. — Está tudo normal, eu só estou cansada. Só isso. — Tentei desviar dele, que virou, ficando novamente a minha frente. — Qual é Henry, me deixa passar.                       O encarei, séria. O que fez ele abrir caminho para que eu passasse. A última coisa que eu queria era ficar por perto de Henry. Acontece que por mais que eu o evitasse, eu sempre lembrava do dia no estúdio de fotos. A provocação, o beijo... PARA ANNA, VOCÊ NÃO TEM TEMPO PARA ESSAS COISAS. Eu não tenho nem cabeça para sequer começar um relacionamento de novo.    - Anna? — Lia apareceu, interrompendo meus pensamentos. — Vamos filmar a cena do baile. Está pronta?                   Ela veio em minha direção.   - Querida, ainda não colocou seu vestido? Você está tão dispersa esses dias, tem algo te incomodando? Quer conversar? — Ela sentou ao meu lado, suspirei fundo. —   - Eu acho que estou confundindo as coisas, só isso. — Ela deu um leve sorriso. —   - Eu não sei o que está acontecendo, mas vai ficar tudo bem. É só seguir o seu coração. — Ela levantou e caminhou até a arara de roupas, pegou o vestido que eu usaria na cena e me entregou. —   - É sério que você vai me dizer essa frase clichê e vai embora? — A encarei. —   - Você não foi a única pessoa para quem eu disse essa frase hoje. — Ela deu uma piscadela e saiu, me deixando sozinha. —              Coloquei o vestido de baile mais lindo que já vi em toda minha vida. Eu nunca tinha ido a um baile de escola, hoje meu acompanhante seria o Henry, muitas garotas estariam surtando para estarem no meu lugar. E mais uma vez eu estou pensando nele, isso é impossível. Fui até a van que nos levaria até o lugar do baile, era uma escola bem grande aqui em Cotswolds. Só podíamos filmar de madrugada, já que haviam aulas durante o dia e comecinho da noite.    - Deixa que eu te ajudo. — Henry me deu a mão para que eu descesse em segurança da van. —   - Eu sei fazer isso sozinha. — Pulei de uma vez, levando um leve tombo, por pouco não caí. Olhei pra Henry que estava rindo. — Qual a graça? — Coloquei as mãos na cintura. —   - Nada.                   Ele caminhou até a entrada da escola. Seguimos até o ginásio, que estava muito bem decorado com o tema de baile da primavera, que não fazia jus NENHUM a estação atual que estávamos enfrentando. Estava bem frio, mas precisávamos fingir que estava um clima agradável.    - Atenção pessoal.... Eu sei que está frio, mas vocês precisam fingir que não estão sentindo... vamos começar em 3, 2, 1... AÇÃO! — John bateu a claquete enquanto falava em um megafone. —    - É uma boa ideia virmos juntos para o baile? Uma Nephilim e um anjo recém caído? — Olhei pra Henry, que permanecia segurando minhas mãos. —   - Sim, Cath. — Ele me olhou. — Você é tudo o que eu tenho agora.                        As palavras que Henry falava como James, causavam um efeito enorme em mim. Eu estava envolvida demais com a história e apaixonada pelo personagem dele, ou pelo menos fingindo que é isso. Andamos até o centro da pista de dança. E te garanto, dançar lento sem ouvir uma música é um pouco difícil. John fez um sinal para mim, era a hora. O pequeno motorzinho que estava programado para estourar uma pequena bola de sangue nas costas de Henry foi ativado.    - James? James? — Senti a força do corpo de Henry vir em minha direção. — JAMES! — Ele caiu no chão. —                 Um dos outros dois personagens, que faziam os papéis de vilão, apareceram.    - Catherinne, Catherinne... nós te avisamos que você não escaparia da fúria do senhor. — A garota de cabelos longos e loiros se abaixou ao meu lado. Olhando para o corpo caído de Henry aos meus braços. —    - E CORTA! — John bateu a claquete novamente. — Bom trabalho Anna e Henry, todos estão liberados.              Ele gritou no megafone. Fazendo todos os figurantes ficarem aliviados. Já passavam das 02hr30m da manhã, se eu sentasse em qualquer lugar, eu iria dormir fácil. Me levantei e sentei na cadeira que estava escrito meu nome, eu nunca tive uma, estava me sentindo um máximo.    - Henry você pode vir aqui? — John parou em minha frente. Eu não tenho um minuto de paz. Henry caminhou até nós. —   - Sim? — Ele pareceu interessado no assunto. —    - Essa é a última cena do filme. — John sorriu aliviado. —    - Como assim? Já acabamos? — Eu parecia bem mais animada que o normal. —    - Não, ainda temos algumas para filmar, acho que acabamos daqui a algumas semanas. Anna, vou deixar para gravar as cenas um pouco mais íntimas de você e Henry no fim, tudo bem? — John olhou para mim e Henry, eu estava aliviada. —   - Ótimo! — Bati palminhas de felicidade, Henry me encarou e revirou os olhos. —    - Por hoje estão liberados. Lembrem-se que amanhã começaremos a filmar a tarde.                 Ele deu as costas me deixando sozinha com Henry. Tentei ignora-lo, mas era impossível, ele estava parado na minha frente.    - Precisamos conversar e vai ser agora. — Ele me olhou sério, ele nunca havia olhado para mim daquele jeito, fiquei um pouco incomodada. —    - Nós não temos nada para conversar. — Falei enquanto levantava da cadeira. —   - Por favor. — Ele segurou levemente meu braço. —   - São quase três da manhã, eu preciso dormir. — Soltei meu braço da mão dele e dei as costas ao mesmo, indo para o mais longe possível. —   - Anna, você está chateada comigo, não está? — Eu revirei os olhos. —    - Porque você acha isso? Você fez alguma coisa por acaso?    - Anna, eu sei que o que aconteceu no estúdio de fotos não deveria ter acontecido. Mas eu não consigo parar de pensar em você.                         Nessa hora parecia que o mundo havia parado.    - Eu não consigo parar de pensar no beijo, não só no dia do set, mais também nos que nós damos enquanto estamos filmando. — Ele alternava entre olhar em meus olhos e para minha boca. —    - Henry, você disse que não deveríamos misturar trabalho com vida pessoal. Então isso não é certo. — Continuei a olhar para ele. — Nós não podemos fazer isso.                     Henry se aproximou mais de mim.   - E eu acho que...    - Shiii... — Ele colocou o dedo indicador sob meus lábios, me fazendo ficar em silêncio. —                  E mais uma vez, nós dois não resistimos. Beijei Henry como se nunca houvesse o beijado antes. Ele me beijava com desejo e ao mesmo tempo com ternura, passamos alguns segundos com as testas grudadas nos encarando e sorrindo.    - Isso não vai acabar bem. — Falei baixinho, enquanto voltava a beija-lo. —  xHenry: Eu quero te ver hoje.                   Eu havia acabado de acordar. Algumas pessoas do elenco voltaram pra Londres (incluindo eu) já que tínhamos ganhado uma folga de três dias. Eram nove da manhã e Henry decidiu me presentear com essa mensagem. Peguei o celular ainda meio sonolenta e digitei.    Anna: E quem disse que eu quero te ver hoje? :P    Henry: Eu disse eu? Quis dizer Kal, ele está sentindo muito sua falta.    Anna: É mesmo? E se eu quiser te ver só por causa do Kal?    Henry: Eu vou ter que te mandar o endereço da minha casa e te convidar para vir agora mesmo tomar café da manhã com a gente.                  Ele enviou a localização. Não era tão longe, olhei para minha mala, havia prometido a tia Johanna que arrumaria hoje e olhei de volta para o celular.    Anna: Vou me arrumar e chego aí em alguns minutos.    Henry: Oba! Vou preparar algumas panquecas.                    Me levantei em um pulo, fazia muito tempo que eu acordava com um humor tão bom quanto hoje. Eu estava cantando no chuveiro, cantando alto até demais. Finalmente pude molhar meu cabelo, era uma sensação de alívio. Coloquei uma saia e uma blusa leve, calcei um sapato e pedi um Uber para a localização que Henry havia me mandado.   - Bom dia! — O senhor que estava dirigindo sorriu para mim, bastante simpático. —   - Bom dia senhor. — Eu sorri para o mesmo. —    - Tem alguma preferência de rota?    - Não, na verdade não conheço Londres. Então pode ir pelo GPS. — Falei. —    - Como preferir. — Ele deu partida no carro e seguimos. —   Henry: Você está vindo de táxi?  Anna: Uber, já estou a caminho.  Henry: Quando chegar me avisa! Vou para a frente de casa encontrar você.  Anna: Isso não é necessário. Henry: É sim!   - Desculpe se estou sendo indelicado, mas acho que conheço a senhorita de algum lugar. — O motorista olhou para mim através do retrovisor. —               A essa altura, boa parte de Londres, não só Londres, talvez o mundo já sabia quem eu era. As fotos oficiais do filme haviam sido postadas em redes sociais, exibidas em revistas e em programas de TV, eu não era mais uma anônima qualquer.    - De onde? Não sou londrina, o senhor pode estar me confundindo com alguém.    - Você é atriz, não é? Minha filha está louca para assistir um filme que você vai estrear. É sobre anjos, sabe? Eu e a mãe dela somos muito religiosos, você me perdoe, mas nós não gostamos desse tipo de coisa que ela lê. — Eu Sorri. — ,,,   - Verdade. Como pode um anjo cair por causa de desejo carnal, não é? — Olhei para ele pelo retrovisor enquanto sorria. —   - Sim! Todos que caíram já tinham de cair. — Ele parou o carro no sinal. — Você pode tirar uma foto comigo? É para eu mostrar para ela.    - Claro que sim. — Eu me inclinei para a frente, ficando lado a lado com o senhorzinho simpático que estava dirigindo o Uber. Tiramos a foto. —    - Muito obrigada. Ela vai ficar muito feliz. — Ele colou o celular no banco do passageiro ao seu lado. — Estamos quase chegando, não vai demorar muito.    - Tudo bem, não tenho pressa. — Sorri. —   Henry: Você está chegando? O Kal está impaciente aqui.  Anna: Quase. Espera um pouco.                    Ele mandou um emoji revirando os olhos. Depois de alguns minutos cheguei no bairro onde Henry mora. Ele estava parado na frente de casa, Junto com Kal, que quando me viu dentro do carro ficou frenético enquanto Henry o segurava pela coleira.  , - Hey... bom garoto, calma, ela já vai chegar.             Agradeci ao motorista simpático, que não cobrou nada da viagem. Eu me senti tão m*l que deixei uma nota de cinquenta no banco de trás do carro, espero que ele veja. Kal veio em minha direção, pulou em cima de mim quase ficando do meu tamanho, tive que segurar firme em Henry para que ele não me derrubasse. Assim que falei com o mesmo, eu e Henry entramos na casa, assim que entramos pela porta, ele me agarrou pela cintura e juntou nossos lábios.    - Senti sua falta. — Ele sorriu, desfazendo o beijo. —    - Foram só três dias. — Me soltei de seus braços e sentei no sofá. — Estou faminta, o que temos para hoje?   - Panquecas fresquinhas saídas do forno. Por mim, chefe Cavill. — Ele fez uma reverência. —   - Não acredito. — Dei uma gargalhada. — Você realmente cozinhou ou as comprou? — Arqueei uma sobrancelha. —   - Eu nunca faria isso. — Ele falou em um tom irônico. —   - Então vamos lá. — Me levantei indo em direção a cozinha junto com Henry, o abracei por trás enquanto ele caminhava. —               Henry me mostrou as panquecas e eu salivei.    - Sabe com o que elas combinam? — Peguei um pedacinho e coloquei na boca. — Com suco de laranja. — Henry abriu a porta da geladeira e tirou uma garrafa de suco de laranja. — Você é perfeito.                    Fui em sua direção e dei um selinho no mesmo, que me abraçou pela cintura, me fazendo beija-lo.    - Vamos comer lá fora. — Ele apontou para o quintal, pela janela pude ver uma cesta de piquenique e uma toalha aberta na grama. —   - Um piquenique? Você me surpreende cada vez mais. — Peguei o prato com as panquecas e caminhei até a cesta. Dentro dela haviam algumas frutas e sanduíches naturais, abocanhei um. —    - É.… você realmente está com fome. — Ele sorriu, sentando-se ao meu lado. —    - Você tinha acabado de me acordar, o que esperava? — Falei. —    - Você precisa de uma rotina melhor. — Ele me olhou, dei um soquinho no braço dele, duvido muito que tenha doído. —   - Kal, não! — Kal havia pego o último sanduíche que havia sobrado. Ele correu para o fundo do quintal. —   - Kal! — Henry o repreendeu, que parou de comer e trouxe o sanduíche de volta. —   - Agora eu não quero mais, Kal. Você já babou todo. — Sorri. — Pode comer agora.                   Ele obedeceu, fazendo Henry me olhar surpreso.    - Ele te obedeceu. — Henry olhou para mim. — Ele nunca obedece ninguém além de mim. —   - Para quem me odiava no começo, até que ele está sendo um bom garoto. — Virei o copo de suco de laranja. — To de barriguinha cheia, o que temos agora?                               Henry riu.   - Mais tarde vamos conhecer alguns amigos antigos meus. Eles são bem divertidos, você vai gostar deles. — Henry deitou na grama. —    - Vou adorar conhecer seus amigos.               Deitei junto do mesmo, colocando minha cabeça em seu braço. Ficamos por um tempo olhando as nuvens e brincando com Kal, que as vezes pulava em cima de nós dois.    - Obrigado por me fazer sentir alguma coisa de novo.             Henry segurou meu queixo e me beijou. Retribuí. Ele continuou fazendo carinho na minha cabeça. Fazia muito tempo que dormia sem um chamego. Adormeci nos braços do mesmo.
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