- Você que enfiou a língua na minha boca primeiro. — Ele falou incrédulo. —
- Era só um beijo técnico, né? — Sério que eu estava tentando justificar isso? —
- Beijo técnico não tem língua, Anna. — Ele arqueou uma sobrancelha. —
- Não sei... — Fiz cara de paisagem. — Não sabia disso...
Ele sorriu e se virou. Me deixando sozinha em frente ao banheiro. Para mim aquilo era cem por cento técnico, entrei no banheiro e vesti minha roupa. Agora eu era a Anna normal, não a Catherinne. Mandei uma mensagem para tia Johanna para que viesse me buscar, em poucos minutos ela chegou.
- Como foi hoje? — Ela me entregou um casaco. —
- Um pouco estranho, mas foi bom. Você fez o que te pedi? — A questionei, que demorou alguns segundos para responder. Ela tinha esquecido, como sempre. —
- Eu esqueci — Ela cruzou os braços. —
- Tia, você não me contou que eu teria de expor meus s***s no filme. — Eu abri a porta do carro, ela me olhou rapidamente. —
- Você não leu o livro? — Ela me olhou incrédula. —
- Eu não pensei que fosse ser tão intenso igual o mesmo, geralmente eles tiram coisas mais pesadas, né? — Coloquei o cinto e tia Johanna ligou o carro. —
- Essa é a única cena de nudez, okay? — Ela continuou encarando a estrada. —
Eu sabia que aquela não era a única cena de nudez, conheço tia Johanna. Eu só conseguia pensar em um motivo para o Henry vir me perguntar se eu havia beijado ele de verdade ou não. Que saco. Isso lá é coisa de perguntar para um parceiro de cena? Claro que foi técnico. Pensei comigo mesma. Talvez só um pouquinho técnico. ESTÁ BOM, TALVEZ 50% TÉCNICO E 50% VONTADE DE BEIJAR. Qual é, eu não tenho contato com ninguém a meses, desde que o i****a do meu ex-namorado sumiu e não deu notícia de vida. Nem para mim, nem para os pais dele.
- No que está pensando? — Tia Johanna parou o carro e entregou a chave para o manobrista. —
- Em nada, só algumas coisas que aconteceram recentemente. — Fomos em direção ao elevador. —
- Tudo bem então. — Ela deu de ombros, o elevador parou em um andar e uma garota de no máximo dezessete anos entrou, ela me encarou por alguns segundos. Assim que o elevador fechou, ela se virou para mim. —
- Errr... desculpa, você é a Anna Fitzgerald? — Ela me cutucou de lado, me virei para a mesma. —
- Sim, sou eu. Quem é você? — Sorri para ela. —
- Caramba, eu sou muito fã de "a queda de um anjo" eu achei que você ficou linda como Catherinne, sabe, você é tão bonita pessoalmente quanto nas fotos, você é de verdade muito linda. — Ela analisava cada parte do meu corpo. — Você vai ser uma Catherinne incrível.
- Muito obrigada. É muito bom ouvir isso, fico feliz. — Ela puxou o celular do bolso. —
- Tira uma foto comigo? — Ela já estava com a câmera aberta, não tinha como negar. Os olhos dela brilhavam. —
- Claro. — Tirei uma selfie com a mesma, que agradeceu e desceu dois andares depois. — Que fofa.
- Isso vai ser tão normal que você nem imagina. Portanto nem pense que você vai ter a mesma vidinha de antes. — Tia Johanna estava certa, agora eu iria ter de lidar com pessoas querendo tirar fotos comigo ou me abraçando no meio da rua. —
- Como o Henry lida com isso? — Coloquei o indicador do queixo enquanto saía do elevador. —
- É por isso que você está tão pensativa? É culpa do Henry? — Tia Johanna girou a chave do quarto dela. —
- Talvez. — Dei de ombros. —
- Ótimo, não confunda atuação com vida real, vocês não estão apaixonados por trás das câmeras. Só são um casal na frente delas e quando viram James e Catherinne. — Ela fechou a porta na minha cara. —
- Grossa.
Abri a porta do meu quarto e me joguei na cama. Acabei adormecendo lá mesmo, com sapato e tudo. Está achando que vida de atriz é fácil? Acordei com tia Johanna gritando na porta. Sim, eu não a deixei ficar com uma cópia da chave do meu quarto dessa vez. Levantei ainda desorientada e abri a porta para a mesma.
- Você dormiu sem tomar banho sua porca? — Ela me olhou de cima a baixo. —
- Eu deitei na cama e agora você está aqui, só lembro disso. — Cocei o olho. —
- Ótimo, se arruma aí que hoje é dia de Photoshoot. — Ela deu uma t**a no meu bumbum enquanto eu ia para o banheiro. —
- Uma pergunta... Photoshoot de quê? — A olhei com os olhos semicerrados e cara de sono. —
- Do filme, óbvio. Você e Henry.
Arregalei os olhos.
- Escuta aqui, o que é que está acontecendo com vocês dois? — Ela me olhou desconfiada. —
- Nada, tia. — Me tranquei no banheiro antes que ela perguntasse qualquer coisa. —
- SEM MAQUIAGEM! — Ela gritou. — Te espero no carro.
Era a primeira vez que eu estava preocupada com o que iria vestir. Revirei a mala inteira e tudo o que achei foi um short jeans e uma blusinha. Acho que a roupa mais cara que já tive foi o vestido que usei no dia que anunciaram meu papel como Catherinne. Coloquei uma sandália de dedos e desci. Entrei no carro e tia Johanna ligou o mesmo.
- Você estava escolhendo o que vestir, não é? — Ela desviou o olhar da estrada, para mim. —
- De jeito nenhum. — Coloquei o cinto. —
- Vamos pra Londres.
- Enquanto não chegamos lá, eu vou dormir um pouco e evitar suas perguntas. — Abaixei o banco do passageiro até ficar deitada. —
- Bons sonhos. — Ela encarava a estrada. —
- Obrigada. — Fiz das minhas mãos, um travesseiro. Não demorou muito para que eu pegasse no sono. —
Acordei com o balanço do carro entrando em uma rua calçada. Cocei os olhos e vi que já havíamos chegado no estúdio.
- Dormiu bem? — Tia Johanna me olhou. —
- Muito bem, obrigada. — Tirei o cinto e esperei ela estacionar. Desci do carro indo em direção a entrada do estúdio. Dei de cara com John.
- Ótimo! Estávamos esperando você.
Depois do estávamos, eu tive total e plena certeza que Henry já havia chegado e eu teria de cumprimentá-lo. Que raiva, esse homem é todo lindo e ainda por cima é pontual. E porque diabos eu estou pensando nisso? Seguimos John até o lugar das fotos. Era um estúdio com uma enorme parede verde. Henry estava com uma camisa social branca de mangas e uma calça. Ele estava descalço. Alguns botões da camisa estavam desabotoados, mostrando os pelinhos do seu abdômen definido, ele tirava algumas fotos. Assim que ele me viu, sorriu mostrando os dentes. E que sorriso.
- Anna, venha aqui, vamos arrumar você. — Uma mulher loira veio em minha direção, ela me cumprimentou com dois beijos na bochecha. — Esse cabelo está incrível. Este é o seu vestido.
Ela me mostrou um vestido vermelho enorme, ele tinha uma f***a na perna.
- Ele foi feito sob medida, não se preocupe. — Ela me entregou o mesmo. — Você pode se vestir ali, depois vamos fazer sua maquiagem. Tudo bem?
Assenti positivamente e fui em direção à um provador, o vestido serviu perfeitamente no meu corpo, saí do provador e pude ver os olhos de Henry me seguindo. Fechei os olhos por alguns segundos, tentando não me incomodar com aquilo.
- Ficou ótimo, vamos fazer uma maquiagem bem simples em você. Sem muitos exageros, ok? — Assenti positivamente com a cabeça. —
Porém não imaginava que uma maquiagem simples teria cílios postiços (que eu já estava ficando com raiva de tanto usar no set) e batom vermelho. A Catherinne tinha mesmo que ter cílios volumosos?
- Você está estonteante, Anna. — Henry apareceu do meu lado. Ele se abaixou e deu um beijo em minha bochecha. Ele tinha que ser tão cheiroso assim? —
- Eu sempre estou. — Sorri. — Já acabou suas fotos?
- Já. Estou apenas esperando você fazer a sua e depois fazermos juntos. — Ele piscou para mim. —
- Então não precisa esperar muito, vamos Anna? — Tia Johanna apareceu, me levantei e fui em direção a enorme parede verde. —
- Agora você é Catherinne, solte toda sua sensualidade. — O fotógrafo sorriu. —
Atrás das câmeras, Henry não parava de me olhar, o que fazia com que eu sentisse que tinha algo errado comigo.
- Se solta, Catherinne! Todo o seu poder de sedução agora. — Tia Johanna gritou do outro lado. —
Enquanto jogava meu cabelo de um lado para o outro, fazia caras e bocas e explorava todas as partes do meu corpo, ainda sentia o olhar de Henry me penetrar. Decidi entrar no jogo dele. Coloquei toda minha sensualidade (que eu nem sabia que existia) a mostra.
- Ótimo trabalho, só mais algumas e vamos para as fotos de vocês dois juntos. — O fotógrafo indagou. —
Olhei para Henry de lado, enquanto tirava as fotos, ele percebeu o que eu estava fazendo e começou a sorrir maliciosamente. Você quer jogar, Cavill? Então conheceu uma ótima jogadora.
- Ótimo. Vamos para as fotos em dupla agora. — Henry veio para o meu lado. — Henry, desabotoe mais um botão da camisa. Anna, coloque as duas mãos no peito dele. Olhe para a câmera enquanto Henry olha para você.
Coloquei as mãos no tanquinho de Henry e instantaneamente lembrei da cena do quarto. Um calor percorreu meu corpo, me fazendo mais uma vez arrepiar.
- Ótimo, agora Henry, abrace ela por trás. Ana, segure o queixo dele. — Assim que Henry me abraçou por trás, respirei fundo. Ele sussurrou no meu ouvido. —
- Eu também sei brincar do seu jogo. — Ele mordeu minha orelha. —
- ÓTIMO! — O fotógrafo realmente achava que aquilo era parte do ensaio? —
Me virei para Henry e aproximei nossos lábios, ficando milímetros de distância, apenas sentindo nossas respirações. O fotógrafo vibrava enquanto tirava as fotos. John e tia Johanna não paravam de nos encarar de forma suspeita. Logo depois, me virei, deixando-o me abraçando por trás enquanto eu segurava seu rosto com uma das mãos.
— Eu acho que já temos fotos para a capa do filme, vocês são ótimos atores. Que química incrível. — Ele veio em nossa direção com a câmera, mostrando algumas fotos. — Agora só precisamos editar e mandar por e-mail. Estão liberados.
- Claro, vamos falar sobre isso agora. — John fez um sinal para irem a outro lugar falar sobre as fotos. —
John, o fotógrafo e tia Johanna saíram do estúdio, deixando apenas eu e Henry no mesmo.
- Isso não vai ficar assim.
Ele se aproximou de mim, deixando nossos lábios tão perto que não resisti. O beijei. Beijei ferozmente, passando a mão em seus cabelos enquanto ele percorria minha cintura com suas mãos grandes. Ele me empurrou levemente, me fazendo sentar em cima da penteadeira, derrubando alguns itens que estavam em cima da mesma. Enquanto nossas línguas se encontravam, o puxei para mais perto, grudando mais ainda seu corpo no meu.
- Anna... não. — Ele tentava falar enquanto eu arrancava o resto dos botões que ainda estavam abotoados em sua camisa. —
- Eu sei que você quer. — Prendi minhas pernas na cintura dele, ele parou o beijo e me olhou com seus enormes olhos azuis. —
- Anna, não podemos confundir nosso trabalho com nossa vida pessoal. — Ele se afastou, arrumando o cabelo e abotoando a camisa. —
O olhei cautelosamente.
- Tem razão. — Desci da penteadeira, virei as costas pra Henry e saí do estúdio. —
- Ei Anna, espera...
Henry veio atrás de mim.
- O que foi? — John e tia Johanna olharam para nós dois. —
- Estávamos procurando vocês. — Henry falou, mas claramente não os convenceu. —
- Estamos aqui. Vamos, ainda temos que filmar mais tarde. — John fez sinal pra Henry que o acompanhou. —
- O que aconteceu? Vocês não estavam nos procurando. — Ela arqueou a sobrancelha. —
- Vamos embora.
Caminhamos até o carro. Permaneci o caminho todo em silêncio, tudo o que eu queria era esquecer o que havia acontecido naquele estúdio de fotos.