Expectativas

4057 Words
- Eu nunca desistiria. — Ela me abraçou mais forte. — Agora deixa eu te contar tudo. — Ela desfez o abraço. —   - FALA LOGO! — Eu gritei batendo palminhas. —   - Anna, não é um papel tão grande, na verdade, nem é grande. Você vai aparecer algumas vezes no filme, falar algumas frases e brigar com sua irmã. — Ela sorriu. — O cachê é razoável, mas você tem bastante relevância no segundo e terceiro filme, se acontecerem, claro. Vamos assinar um contrato para três filmes. Os produtores estão apostando alto, acham que vai ser um sucesso, já que outras sagas sobre anjos não tinham a pegada que essa tem. A classificação do filme é 16 anos, ou seja, tem cenas de s**o, álcool e drogas. Você não se envolve em nenhuma delas. — Ela levantou as mãos para o céu em agradecimento. — Eu estou muito feliz que você não desistiu.                  Ela sorriu e por um momento eu percebi que ela estava tão feliz quanto eu. Tia Johanna sempre quis ser atriz, mas nunca conseguiu, nem ao menos teve o apoio da família. Ela apostou em mim, pois desde mais nova eu gostava de atuar. Vê-la feliz com isso, é melhor que qualquer sim que já recebi. Talvez nem tudo fosse sobre mim, talvez eu me esforçasse tanto por ela.    - Quando começam as gravações? — Eu estava MUITO animada. —   - Semana que vem. — Ela sorriu. —   - Caramba, eu vou ver a Zendaya, VOU SER IRMÃ DELA, CARAMBA.                        Johanna sorriu.    - Dizem que ela é bem simpática, acho que vocês duas vão se dar bem.    - Tomara. — Sorri. — Quero comemorar! Que tal sairmos para comer alguma coisa?    - Agora você quer sair? A noite a gente janta em algum lugar especial. — Tia Johanna se dirigiu a porta e saiu, passei o resto da tarde dando telefonemas e pesquisando sobre minha personagem.                   Mais tarde, por volta das 20:00Hrs, tia Johanna apareceu com um vestido deslumbrante, deixando seus olhos esverdeados bastante chamativos.    - Você está linda demais. — Sorri. —   - E você vai assim?                Ela me olhou de cima a baixo. Eu estava com uma calça legging preta e uma jaqueta de couro marrom.    - Eu deveria ir mais arrumada? — Mostrei os dentes sem sorrir. —   - Vamos a um restaurante italiano. Com o elenco.                                Gelei   - A Zendaya está em Londres? — Sério que ela era minha única preocupação? —    - Ela e metade dos maiores atores de Hollywood. — Meu Deus, eu estava ferrada. —   - Eu não tenho roupa para um evento assim.    - Tem sim.                 Johanna foi em direção as minhas malas jogadas no chão do quarto. Ela pegou um vestido preto midi, que ia até meu joelho e um par de salto alto que eu só tinha usado duas vezes na vida. Ela me entregou os dois. Olhei para ela e pra roupa.   - Você vai vestir. — Ela me olhou séria. —   - Eu tenho que vestir? — Tentei fazê-la mudar de ideia, mas ela continuava com a mesma cara de séria. —   - Anna, sem enrolação. Anda.                        Murmurei e fui em direção ao banheiro. Coloquei o vestido e quase não subia, meus quadris estavam largos demais. Eu não vestia mais o número "P" eu poderia muito bem usar isso como desculpa, mas quando me olhei no espelho, me achei deslumbrante. O vestido caiu perfeitamente bem no meu corpo.    - Estou pronta. — Andei até o centro do quarto. — - Linda.                         Johanna pareceu satisfeita agora. Entramos no carro.    - Lembrando que o Henry vai estar lá                       Parei imediatamente de mexer no celular.    - Por isso você está tão arrumada assim?! — Olhei pra Johanna e dei uma gargalhada. —   - Talvez...                Ela se encolheu no banco do motorista.    - Eu vou pagar pra ver.             Chegamos em um restaurante italiano de um bairro nobre. Havia apenas um garçom na entrada. Olhei pra Johanna e ela me olhou, fazendo sinal para que eu a seguisse.    - Anna Fitzgerald e Johanna Fitzgerald.  — O garçom conferiu em seu tablet e abriu a porta para entrarmos. —                    Haviam muitas pessoas lá dentro. Havia um pequeno palco com duas cadeiras bem próximo à entrada. Algumas mesas estavam completas, avistei Zendaya sentada em uma das mesas junto com algumas pessoas.    - Eles alugaram o restaurante. — Johanna sussurrou. — E provavelmente vai ter uma coletiva de imprensa. — Ela apontou com a cabeça para o pequeno palco presente. —   - Caramba, obrigada por me dizer o que vestir. — Encolhi os ombros imaginando como seria se eu viesse com a roupa que estava. —   - Johanna! Anna! Que bom que vieram.                                           Um dos homens que estava na bancada durante meu teste nos cumprimentou.  Sorri levemente para o mesmo e o acompanhei até a mesa.    - Venham, sentem se, a comitiva vai começar e logo depois vamos finalmente poder comer! — Ele fez um gesto de agradecimento com as mãos. —                     Cumprimentei todos presentes na mesa. Mas não consegui evitar meu nervosismo quando fui cumprimentar a Zendaya.    - Prazer, eu sou Anna... — Talvez eu tenha apertado a mão dela um pouco forte demais. —   - Prazer, Anna. Zendaya. Você que vai ser minha irmã, não é? Prazer em conhecê-la maninha. — Ela deu uma piscadela e eu duvidei se era mesmo heterossexual. —    - Sim. — Sorri. — Prazer em conhecer minha irmã de cena.                    Me sentei e alguns segundos depois um homem entrou pela porta. Era o Henry. E como era lindo, Zendaya tinha sorte.    - Henry! — Zendaya se levantou e foi abraçá-lo. —   - Daya! — Ele a levantou do chão e deu um pequeno giro. Não sabia que eram tão próximos. Minha boca formava um O perfeito vendo duas beldades a minha frente. —   - É muito bom te ver de novo, irmão. — Zendaya deu um leve soco no ombro dele. —   - É sempre bom te ver também. — Ele apertou uma das bochechas dela. —                  Henry cumprimentou todo mundo. TODO MUNDO MESMO. Até as pessoas da mídia que estavam sentados nas cadeiras em frente ao pequeno palco.    - Ele fez eu me sentir m*l-educada. — Cutuquei Johanna, que sorriu. —   - Ele é realmente a definição de homem perfeito. — Ela deduziu. —   - Limpa a baba. — Sorri. —   - Está na hora de começarmos a comitiva, Zendaya. — Uma mulher ao lado de Zendaya falou, o que fez ela pedir licença e se levantar indo em direção ao pequeno palco, juntando-se a Henry. Realmente foi uma escolha perfeita. Eles pareciam a Catherinne e o James que imaginei no livro.    - Alguma pergunta? — Zendaya falou no microfone. —   - Eu! — Um homem de óculos de grau, uma gravata borboleta e uma pequena prancheta nas mãos falou. — Como vai ser interpretar um par romântico com o Henry?                       Eu vi Zendaya corar. Henry sorriu e a olhou, ela instintivamente desviou os olhos dele, envergonhada.    - Eu adoro o Henry, vai ser divertido. Espero que ele não faça com que eu me apaixone por ele.   — Todos riram. —   - E você, Henry? O que acha de interpretar um anjo caído?  — Um dos repórteres perguntou. Henry passou a mão em seus cabelos e lambeu os lábios. Meu Deus, que homem. —   - Vai ser legal! Eu gosto bastante de filmes de ficção, então vai ser divertido fazer isso. Principalmente com a Zendaya, que já é uma amiga a bastante tempo. — Ele sorriu. —   - Vocês têm alguma expectativa em relação ao filme?                   Zendaya levou seu microfone até seus lábios.    - É o primeiro filme em que faço um papel principal depois de filmes do Disney Channel. Então eu estou com bastante expectativas. A Catherinne é bem desafiadora e tem uma personalidade forte, ela é diferente de todos os papéis que já interpretei, então vai ser um desafio. Mas estou muito animada.  — Ela falou empolgada. —   - Eu vi que essa trilogia tem bastante fãs. Não quero desaponta-los então estou me empenhando o máximo para me tornar um ótimo James. — Henry sorriu. —   - Aposto que serão ótimos personagens.                Os dois agradeceram e continuaram a entrevista. Ela durou em torno de 20 minutos. Eu já estava faminta. Até que finalmente começaram a servir a comida.    - Quem escolheu comida italiana? — Falei enquanto lia o cardápio. —   - Fui eu. — Henry parou na minha frente. — Eu amo comida italiana.    - Ah, ótima escolha. — Sorri. —   - Eu te conheço, você fez a audição, não fez? Ou estou enganado?  — Ele sorriu de lado. —   - Não, você não está. — Sorri fitando o chão. — Fiz a audição para ser a Catherinne, mas infelizmente não fui aprovada. Mas me propuseram fazer o papel da irmã dela. Eu aceitei. É meu primeiro trabalho no cinema.                      Acho que falei demais.    - Isso é incrível! Você teve uma segunda chance. Isso é muito bom, que pena que não conseguiu o papel de Catherinne. Nós seríamos um casal. — Ele sorriu mostrando os dentes. —   - Pois é... Inclusive, ótima escolha de comida. — Entreguei-lhe o cardápio. Indo em direção a minha mesa. —   - Ei, senta aqui com a gente. — Ele apontou para a mesa em que estavam ele, Zendaya e mais alguns atores. —   - Eu não quero deixar minha tia sozinha. — Apontei pra Johanna que estava bem até demais conversando com algumas pessoas na mesa que eu estava sentada. —   - Eu acho que ela não vai se importar. — Ele sorriu de lado. Dei de ombros e o segui até a mesa. Cumprimentei todos e ficamos conversando e comendo por um tempo. Eu nem acreditava que aquilo estava acontecendo. — A semana se passou rápido, eu já tinha a primeira parte do script toda na minha cabeça. Se bem que ele nem era tão grande assim. Ficou determinado que eu estaria presente no set apenas nas terças, quintas e sextas. O que não era tão r**m e fazia o dinheiro que recebi valer MUITO a pena. Filmaríamos na cidade de Cotswolds, 140km da capital. Johanna já providenciava tudo, onde iríamos nos hospedar, comer e etc... Quando o grande dia chegou, tudo o que eu queria era morrer. Sério, essa era a sensação. Eu estava muito nervosa. Uma van veio me buscar do hostel que eu estava hospedada. Eram cinco da manhã.    - Frio, frio. — Falei enquanto encolhia os braços indo em direção a van. Detalhe: eu estava sozinha. Tia Johanna não poderia estar presente no set. Abri a porta da van e dei de cara com Henry. —   — Está com frio? — Ele sorriu. — Mais tarde o tempo esquenta um pouquinho. —   Tudo que eu consegui falar foi um: "Errr..." E sorrir de leve.  Não levou muito tempo até chegarmos a uma pequena vila onde todo o set estava montado. Descemos da van e fomos caminhando até uma tenda onde estávamos prestes a ver nosso figurino e maquiagem. Me pergunto por qual motivo o Henry iria querer vir de van, ele poderia muito bem ir de carro, ou ir andando? Já que ele é super focado em exercícios físicos e etc.…, porém ele preferiu pegar uma carona com van (não muito confortável) junto com os figurantes e atores secundários.    - Oi! — Zendaya me cumprimentou enquanto eu sentava na cadeira ao seu lado para fazer minha maquiagem. —   - Oi, tudo bem? — Sorri levemente para a mesma, que estava com um enorme aplique ondulado que pelo que percebi, ia até sua cintura. — Vejo que seu cabelo vai ser trabalhoso.    - Sim. — Ela deu uma leve risada. — Eu ainda preciso fazer babyliss nele.                     Uma das maquiadoras fez uma maquiagem não muito perceptível em mim, meu cabelo que ia até os ombros não deu muito trabalho. Em duas horas estávamos todos prontos. Iríamos filmar a primeira cena, Henry caindo do céu. E eu não vou mentir que estava ansiosa para ver isso. Henry estava com um roupão e uma calça jeans. Ótimo, logo de primeira eu iria ver o tanquinho dele pessoalmente.    - É realmente necessário um dublê? Acho que eu deveria fazer a cena, é bem simples até. — Henry questionava o diretor. —    - Eu não quero receber um processo, Henry. — Ele se virou e caminhou até minha direção. —   - Ok Anna, você vai fazer a cena mais tarde. Se quiser pode ir para casa, houve um imprevisto, Zendaya não está se sentindo muito bem agora. Então só vamos filmar a cena de Henry. Mas se preferir pode ficar aqui e esperar. — Ele deu de ombros. —   - Eu vou ficar estudando o resto das falas. — Sorri. —    - Você que sabe, vamos a outro ligar filmar a cena de Henry, caso queira nos acompanhar... — Ele fez um gesto de reverência. —    - Adoraria. — Falei enquanto sorria. —             Segui o diretor até a van, Henry estava lá com um cachorro, eu pensei duas vezes antes de entrar na mesma. Olhei pra Henry.    - Tudo bem, ele é um bom garoto, não é, Kal? — Ele acariciou a cabeça do cachorro. —   - Ok... eu estou entrando, ok Kal? Eu sou amiga... — Me movi lentamente até o banco de trás. Henry riu. —   - Viu, eu disse. — Kal sentou-se ao lado dele e seguimos a viagem. Henry as vezes olhava para mim pelo retrovisor, via que eu estava de fones de ouvido (propositalmente) e então não puxava assunto. Sim, eu não tinha o que falar com ele, eu provavelmente iria balbuciar algo e sorrir. Eu sempre faço isso. —   - Ei. — Ele tirou um dos fones do meu ouvido. E eu quase pulei. Não sei se foi de susto pois estava quase dormindo, ou porque a mão dele estava próxima demais de mim. — Não precisa se assustar. — Ele deu uma risadinha. — Você fala?    - Ah... sim? Eu falo? Se eu falo? Falo sim. — QUE d***a PORQUE EU ESTAVA AGINDO DESSE JEITO? —    - Uma mulher de poucas palavras... — Ele fez um gesto com a boca. —                     Eu não sei se mulher era uma boa forma de Henry se dirigir a mim. Eu tinha vinte anos, mas não é para tanto. Eu ainda me sentia uma mocinha de dezesseis anos.    - É que eu sou meio tímida, então é um pouco difícil me enturmar. — Encolhi os ombros. —   - Eu entendo perfeitamente, mas vamos passar muito tempo juntos e eu não sei nada sobre você. Só que você é de Miami, tem vinte anos e provavelmente tem medo de cachorros.                   Nós dois rimos.   - Não é medo, eu só não curto muito ficar por perto de cachorros grandes. Coisa de infância, sabe? — Sorri de lado. —   - Parece que os cachorros não foram muito legais com você na infância, né?    - Não. — Sorri. —   - O Kal é um bom garoto, você vai se acostumar com ele.    - Ele vai estar com a gente todo dia?    - Sim, é impossível conhecer a mim sem conhecer o Kal.    - Então eu vou precisar me acostumar com ele de todo jeito.                   Sorri e acariciei Kal. Por um momento eu o ouvi rosnar? Ou eram só vozes da minha cabeça? Chegamos em uma enorme catedral. O dublê de Henry já estava colocando os equipamentos, até ele gritar e ir em direção ao rapaz.    - NÃÃÃÃÃO! — O garoto olhou em direção ao mesmo que ia correndo até ele junto com Kal na coleira. Eu imagino se ele não havia se assustado com um homem de quase dois metros de altura e incrivelmente musculoso indo em direção dele. —                    Olhei ao redor e todo equipamento de filmagens já estava lotado. Caramba, eles eram rápidos. Ou será que estavam a madrugada inteira aqui? Fui interrompida de meus pensamentos por Henry.    - Você pode ficar com o Kal?  — Eu o olhei com uma cara de "?"    - Você me conhece a menos de um dia e quer que eu cuide do seu cachorro? — Dei um sorrisinho. — E se eu o sequestrasse? Ou jogasse ele em algum lugar?                      Henry riu.   - Você não seria capaz.    - Será?    - Aposto que não. — Ele me entregou a coleira de Kal e sussurrou algo do tipo: "Seja um bom garoto." — Obrigada, e boa sorte.                     Ele foi embora, deixando eu e Kal sozinhos nos encarando. Eu ainda tenho a impressão que esse cachorro não é muito meu fã.    - Ei Kal, vem cá, vamos passear um pouquinho. Mais tarde você vê o Henry. — Kal me olhou e fomos andando. —                   Cotswolds foi uma ótima escolha. Tem um clima bem agradável quando não são 05:00 da manhã, sem contar no visual que é bastante antigo. Peguei meu celular para tirar uma foto e senti um puxão na corda. Kal havia se soltado e agora estava correndo atrás de um gato. Sério? O que eu mereci para isso acontecer? Corri desesperadamente atrás de Kal.   - KAL! KAL! — Ele era muito rápido. Certeza que esse cachorro treina com o Henry. — KAL SEJA UM BOM GAROTO E VOLTE AQUI AGORA.                  Depois de alguns metros percorridos o gato subiu numa árvore e Kal ficou na parte de baixo latindo freneticamente.    - Você não está sendo um bom menino. — Segurei sua coleira e o puxei levemente. — Eu vou contar tudo ao seu pai.  — Kal me olhou e logo em seguida voltou ao seu "normal'' — Sério que é só eu falar do seu pai que você volta ao normal?                           Sorri.    - Vamos, temos um longo dia pela frente.                    Kal estava se acostumando comigo. Graças a Deus. Voltei aonde estavam filmando e notei uma roda de pessoas em volta de alguma coisa. Quando me aproximei, vi que estavam ao redor de Henry.                       t***o coletivo. — Pensei. — Kal correu e entrou no meio da multidão, eu não sei como ele conseguiu, afinal, era quase impossível qualquer coisa passar no meio daquelas pessoas histéricas pedindo fotos com Henry. Era incrível como ele conseguia ser tão atencioso com todo mundo. Ninguém podia sair dali dizendo que foi maltratado.   - Tudo bem meninas... acho que por hoje já deu. Henry tem muito o que fazer, não é? — Um dos diretores entrou no meio da multidão e deu uma leve tapinha no ombro de Henry. —   - É.… eu acho que sim? — Henry falou meio desconsertado. As garotas (bom, a grande maioria que estava lá eram garotas) lamentaram. Mas saíram de perto dele, desfazendo o círculo. —                     Henry se abaixou e acariciou Kal.   - Você foi um bom garoto, não foi?    - Você nem imagina... — Henry pareceu entender. —   - Obrigada por cuidar dele. — Ele sorriu... e que sorriso. — ___________________________________________________________________________ - Você está roubando! — Henry se inclinou para ver minhas cartas. —   - Cara, não estou! Você está maluco. — Falei. Henry arqueou uma das sobrancelhas. —                      Já estávamos na segunda semana de gravação. Eu já estava acostumada a acordar cedo, passar frio e olhar pra Henry sem ficar vermelha ou sem jeito.    - Henry, ela não está. — Zendaya jogou uma carta de bloqueio do uno. —   - Assim não vale... — Henry foi interrompido por Zendaya. —   - Bom, continuem o jogo, vou descansar um pouco no trailer.  — Ela espreguiçou-se e caminhou em direção ao seu trailer. Ainda estávamos todos vestidos com os figurinos esperando o horário de descanso acabar. —   - Zendaya não parece muito bem... — Henry arqueou uma sobrancelha. —   - Será que ela está grávida? — Um dos figurinistas que estava presente na mesa, indagou. —   - Não. — Henry sorriu. — Ela não tem namorado. E muito menos está grávida. Eu vou falar com ela.                    Ele se levantou indo em direção ao trailer de Zendaya. Não sei necessariamente quanto tempo ele passou lá. Meu Uber havia chegado e eu estava exausta para ir para casa e passar meu dia de folga inteiro maratonando a primeira série que encontrasse na Netflix.    - Ah... casa. — Me joguei na cama fofinha do hostel. —   - Não tão cedo, você precisa praticar. — Tia Johanna apareceu do nada, me fazendo pensar em não deixar uma cópia da chave do meu quarto com ela. —                           Suspirei alto.    - E lá vamos nós... — Sentei na cama. — Eu to tão cansada. Podemos deixar isso para amanhã? Tenho o dia inteiro... — Fiz um biquinho. —   - Isso não vai me convencer, Anna. — Tia Johanna cruzou os braços. —                       Já eram quase 23:00 da noite, fiquei até 01:00 da manhã estudando as falas, quando finalmente consegui tomar um banho e deitar, recebi uma mensagem. Era de um dos diretores.    John: “ Preciso falar com você, retorne essa mensagem assim que possível. ”   - Meu Deus, o que diabos ele quer? São uma da manhã. — Pensei. —   Anna: “Claro. ”   John: “Pensei que estivesse dormindo, aproveite sua folga, quando você voltar para o set conversamos. ”               O que ele acabou de falar? Que eu esperasse até a sexta? Eu tenho ansiedade, não vou aguentar.    Anna: “ Tudo bem. ”                 Não, não estava nada bem. Não consegui dormir muito bem no resto da noite, além de olheiras gigantes, estava com uma aparência de alguém que a qualquer momento poderia ter o mundo desabando nos pés. Peguei o elevador e fui até o restaurante do hostel.   - Café da manhã? — Tia Johanna veio sorridente em minha direção, seu sorriso se desfez totalmente quando ela viu minha situação. — O que aconteceu? Insônia?    - Um dos diretores me mandou mensagem, ele quer falar comigo. — Ela arregalou os olhos. —   - O que você aprontou no set?    - Literalmente nada, nada além de brincar com o cachorro do Henry, jogar UNO e comer pizza.  Ele disse que poderíamos conversar depois então não deve ser nada de r**m. Disse para eu aproveitar minha folga e etc. — Peguei um prato e comecei a me servir com algumas frutas. —                      Tia Johanna não pareceu convencida.   - A gente vai lá mais tarde.    - O que? — Me virei para olhá-la. — Eu estava lá ontem, o dia inteiro, eu preciso descansar um pouco, tia.    - A questão é que, provavelmente ele vai te demitir. Vão te tirar do elenco e eu preciso entender o motivo.  — Ela estava pensativa. —   - Isso não está ajudando minha ansiedade.                 Falei enquanto me dirigia a uma das mesas, Johanna continuava criando teorias na cabeça dela.   - Eu não entendo... disseram que você é perfeita para fazer a irmã da Catherinne, agora você simplesmente não é mais? — Ela me encarou. —   - Eles não usaram a palavra perfeita. — Semicerrei os olhos. —   - Tanto faz, termina seu café da manhã e se arruma. Vamos lá resolver isso.    - Eu deveria ter ficado calada. — Coloquei um morango na boca. —                  Nem se quer consegui terminar meu café da manhã, fui arrastada por Johanna até meu quarto. Tomei uma ducha rápida e vesti uma roupa confortável.    - Você não vai aparecer lá com olheiras. — Ela magicamente tirou um corretivo e uma base dos bolsos. —   - Você sempre anda com isso? — Falei enquanto ela vinha em minha direção. —   - Talvez.                         Ela aplicou rapidamente a base dando leves tapinhas com as pontas do dedo, logo depois o corretivo, me deixando com pele de bebê em menos de três minutos. As vezes todo mundo precisa de uma Johanna maquiadora em dias ruins. Pedimos um Uber e em poucos minutos estávamos a caminho do set.   Anna: “ Ei, chego aí em breve. ”           Depois de alguns minutos, fui respondida.    Henry: “O que vai fazer aqui?   Anna: “Falando assim, até parece que não quer que eu vá.”    Henry: “Claro que não, digo, não que eu não queira que você venha, achei que estivesse aproveitando sua folga. Eu estaria.”                 Não respondi mais. Em torno de meia hora estávamos no set. Tia Johanna parecia uma leoa indo atrás de alguém que havia mexido com seu filhote. Eu passei por Henry que lia o script e dei um sorrisinho de lado. Ele retribuiu e acenou. Encontrei com John e o cumprimentei. 
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