New York, The City Where Dreams Are Made of

2981 Words
Henry praticamente não me deu escolha a não ser dormir na casa dele, tive que pegar minhas malas para que fôssemos juntos. No outro dia bem cedinho, estávamos no aeroporto. Kal, como sempre, ao nosso redor. Algumas pessoas olhavam para mim e Henry, outras achavam que conseguiam disfarçar enquanto tiravam fotos.    - Você pode parar de segurar a minha mão, amor. — Falei, enquanto Henry me guiava até o portão de embarque. Ele me encarou e eu apontei discretamente para algumas pessoas que estavam nos olhando e cochichando. —   - Força do hábito. — Ele soltou minha mão. — Você já andou de avião?    - Você acha que eu vim pra Londres nadando?    - Eu digo avião, avião jatinho...   - Jatinho não é avião. — Cruzei os braços. —   - Não Anna, jatinho é um navio. — Henry revirou os olhos. —    - Você entendeu.                 Assim que entramos no avião, sentamos rapidamente em nossas poltronas. Pedi para trocar com Henry, já que odiava olhar para o corredor. Passamos em torno de oito horas voando. Chegamos em Nova Iorque em torno das 14hrs, estava bem quente. Papai e mamãe estavam nos esperando. Corri e os abracei muito forte. Faziam meses que eu não via minha família.   - Que saudade. — Desfiz o abraço em grupo com meus pais. — Vocês estão bem?    - Sim. — Minha mãe me olhou de cima a baixo. — Você está mais magrinha, não está se alimentando bem?    - Deixa ela, o que importa é que está aqui. — Meu pai segurou meu ombro. —    - Mãe, pai, esse é o Henry meu...— Fui interrompida por ele. —   -Namorado, prazer. Não queria que nosso encontro fosse assim, nessas circunstâncias, mas é um prazer conhecê-los. — Henry sorriu. —   - Eu te conheço... — Meu pai arqueou uma sobrancelha. — É.… eu te conheço sim. Você é o cara de liga da justiça!    - Ai meu Deus... — Coloquei as mãos no rosto. Henry estava rindo. —    - Mais não foi só que eu te vi não... — Meu pai estreitou os olhos. — CARAMBA! Você é o Geralt de Rivia! Da série da Netflix.    - Pai... — Fiz um gesto de não com a cabeça, meu pai se segurou um pouco. —    - Tudo bem Anna, isso é normal. — Henry continuava rindo. — Prazer em conhecê-lo.    - O prazer é todo meu. — Meu pai deu um aperto de mão em Henry. — E claro, muito obrigado por ter nos ajudado com as contas do mercado.    - Disponha.    - Eu vou pagar tudo depois, Henry, pode deixar. — Falei enquanto caminhávamos até o carro. —    - Eu não fiz isso para que você me pagasse depois, Anna. Eu fiz isso pela sua família e por você. — Ele me olhou enquanto abria a porta do carro. Sorri para o mesmo. —    - Eu te acho um máximo, sabia? — Ele sentou ao meu lado. —    - Eu sei.                   Demos uma gargalhada.    - Espero que meus pais não se importem de ir em outro carro.   - Tenho certeza que não. — Olhei para o carro atrás de nós, meus pais estavam entrando no mesmo. —               Chegamos a um condomínio luxuoso no qual Henry havia alugado uma casa para que ficássemos todos juntos. Eu estava tão feliz vivendo aquele momento. A casa era bem confortável, como um chalé, havia uma enorme piscina na frente.   - Eu não quero nem saber quanto custou esse aluguel. — Sorri. —   - As vezes por ser famoso, a gente ganha um desconto. — Henry deu uma piscadinha para mim. —                  Assim que entramos na casa, havia uma senhora bastante amigável, Henry a abraçou.    - Que saudade! — Ele desfez o abraço. — Essa é minha namorada e os pais dela. — Ele apontou para mim. — E essa é a melhor governanta do mundo.    - Prazer em conhecê-la. — A cumprimentei com um abraço. Ela me apertou forte. —    - Sei que vai ser você. — Ela sussurrou no meu ouvido, me fazendo parar para encara-la. Ela rapidamente se desfez de mim e foi cumprimentar meus pais. —    - Está tudo bem? — Henry me deu uma leve tapinha no ombro enquanto eu permanecia olhando para a senhora. Me desfiz do meu “encanto”—   - Sim... — O olhei. — Eu só estava com o pensamento longe. — Falei, Henry pareceu convencido. —    - Vamos para a cozinha, preparei um almoço maravilhoso para vocês. — Ela falou enquanto colocava o avental na cintura. —                  Fomos em direção a cozinha, o cheiro de comida estava quase me fazendo babar, estava morta de fome. Fui uma das primeiras a fazer o prato. Me sentei na mesa gigantesca da sala de jantar, que dava vista para a piscina na frente da casa. Enquanto eu comia e encarava o azul perfeito da piscina, Henry e meus pais chegaram e sentaram-se na mesa.    - Henry, mais uma vez, muito obrigada. — Minha mãe disse, antes de colocar uma garfada de comida na boca. —    - Se não fosse você, teríamos que entregar o lugar do mercado. Quitamos todas as dívidas, muito obrigado. — Meu pai agradeceu profundamente Henry, que sorriu. —   - Não precisa agradecer, caso precisem eu vou sim ajudá-los, não se preocupem com isso. — Ele bebeu suco. —    - Você é um bom homem, não entendo como é possível estar tanto tempo sozinho. Eu sempre achei que fosse casado. — Mamãe sorriu, fazendo Henry ficar sem jeito. —   - Eu não tenho muita sorte no amor. — Ele sorriu sem graça. Ele fica tão lindo tímido. —   - Agora ele tem. — Estiquei meu braço até pegar na mão de Henry que estava em cima da mesa, ele sorriu de forma doce para mim. —                   Após o almoço, Henry tinha compromissos. Eu, como não tinha nada para fazer, resolvi ir para a piscina. Coloquei o biquíni e fui até a mesma. Dei um mergulho de cabeça.    - Fazia tempo que não sentia calor. — Falei. —    - Aqui está uma toalha para a senhorita Anna.            Tomei um susto quando a governanta se abaixou na beira da piscina com a toalha na mão.    - Ai meu Deus, você quase me matou de susto! — Coloquei a mão no peito. —    - Desculpe. Sei que não está acostumada. — Ela sorriu. —    - Eu não estou mesmo. — Sorri. — A quanto tempo você conhece o Henry? — Sentei na beira da piscina. Ela estava sentada em uma das cadeiras de sol. —    - Quando ele tinha dezenove anos. — Ela riu. — Ele experimentou minha comida pela primeira vez quando veio pra Nova Iorque, conheceu meu filho e através dele, me conheceu.    - Eles ainda são amigos? Qual o nome do seu filho? — Sequei meu rosto com a toalha. A expressão dela mudou rapidamente. De alegre e nostálgica, para tristeza. —    - Meu filho faleceu a alguns anos atrás. Acidente de carro, bebida, essas coisas. — Ela suspirou. —    - Sinto muito... — Falei. —   - Tudo bem, acontece. — Ela enxugou uma lágrima no canto do olho esquerdo. — Quer comer alguma coisa?    - Não, obrigada. Vou ficar na piscina e esperar Henry um pouco. — Sorri. —    - Como quiser.            Ela se levantou indo em direção a porta da casa. Passei o resto da tarde na piscina tirando fotos e vendo minhas redes sociais. Havia começado a anoitecer e Henry não havia chegado ainda. Joguei meu celular no sofá da sala e deitei no mesmo. Caí em um sono profundo.    - Pula nela, Kal. — Abri os olhos lentamente e vi Henry parado na minha frente junto com Kal, que estava sentado ao lado dele me encarando. —                                         Cocei os olhos.    - O que você está fazendo aqui? Que horas são? Você não tinha que estar em algum lugar de Nova Iorque? — Resmunguei. —   - Você sabe que horas são? — Ele se agachou na minha frente e beijou minha testa. —    - Não. — Sentei no sofá. —    - Quase dez, na verdade. — Dei um pulo do sofá. —    - E PORQUE DIABOS NINGUÉM ME ACORDOU?! — Henry fez um sinal para que eu fizesse silêncio. —   - Eles estão dormindo.    - Ninguém me acordou nem para o jantar, que saco. — Me levantei do sofá e arrumei minha blusa, que estava toda amassada. —    - Você já sabe onde vai dormir?    - Não, vou tentar dormir com os meus pais hoje. — Henry deu uma risadinha. —    - Quantos anos você tem, hein? — Dei uma tapinha leve no braço de Henry. — Ai! Você pode dormir comigo, se quiser.    - Só hoje. — Subimos as escadas. —                  O quarto que Henry estava era enorme, grandão mesmo, acho que até maior que o da casa dele. Abri uma porta de correr que dava para o closet e dei de cara com a governanta agachada dobrando algumas roupas.    - Oh, oi Anna. — Ela sorriu gentilmente. — Vejo que acordou.    - Sim, mas queria que você tivesse me acordado na hora do jantar. — Sorri meio sem jeito. —    - Me desculpe, você não avisou nada, pensei que não quisesse ser incomodada. Se quiser eu posso esquentar o jantar para você e Henry. Não se preocupe com isso. — Ela se levantou rapidamente. —    - Não, tudo bem, Nancy. Nós vamos jantar em algum lugar. — Henry sorriu. Finalmente descobri o nome da governanta. —   - Achei que iríamos dormir. — Estreitei os olhos. —    - Quando voltarmos. Quero te levar a um lugar. — Ele sorriu. — Nancy, você pode por favor separar uma roupa para mim? Algo leve. Eu vou tomar um banho e já volto.  — Henry foi em direção ao banheiro do quarto. —    - Claro. — Ela abriu as gavetas e começou a procurar algumas camisas. Ela parou para me olhar. — Acho que você deveria ir se arrumar também. — Nancy sorriu. —    - Oh, sim! — Sorri. — Até mais, Nancy.                  Eu não fazia a mínima ideia se Nancy havia guardado minhas roupas no quarto de Henry, se havia deixado no quarto dos meus pais ou em algum quarto da casa. Quando saí do banho caminhei pelo corredor dos quartos, que tinha luz automática. Entrei no primeiro quarto e não vi nada, no segundo, muito menos. Antes de ir para o terceiro, algo me incomodou. Um dos quartos estava com a luz acesa, provavelmente era o dos meus pais, antes de entrar ouvi algumas vozes, me aproximei um pouco da porta e consegui ouvir claramente a voz da minha mãe.    “ Eu estou preocupada com isso. Johanna provavelmente pegou todo o dinheiro da Anna e se jogou no mundo. Anna disse que ela sumiu. Não tem notícias da tia desde que ela disse que iria voltar pra Miami, mas ela nunca esteve aqui. Ela nem sequer avisou. ”   “ Vamos dar um jeito nisso, vamos encontrar a Johanna e tudo vai melhorar. Não acredito que ela fez isso com a nossa filha, com alguém que ela dizia amar tanto. ”   “ Nós sabíamos que isso ia acontecer uma hora ou outra, afinal de contas...”                    Fui interrompida por Henry, que parou atrás de mim. Começamos a conversar baixo.    - Ouvindo a conversa dos seus pais? — Ele sorriu. —    - Que d***a, Henry. Eu não escutei o fim. — Desgrudei da porta. —    - Você ainda não está pronta? — Ele me olhou de cima a baixo, eu ainda estava de toalha. —    - Errr... não. Na verdade, eu estava procurando o quarto onde estão minhas coisas e parei aqui.    - Elas estão no meu quarto. Vai lá trocar de roupa. — Segui em direção ao quarto de Henry. Ele veio atrás de mim. —   - Me conta, o que eles estavam falando? — Ele arregalou os olhos para mim. —   - Você é curioso, hein? — Dei uma risadinha. — Quando formos jantar eu te conto.    - Errr... A gente pode comer aqui? Depois eu te levo para jantar lá, não tem mais reservas.              Ele coçou a cabeça e encarou o chão. Henry sem jeito era a coisa mais fofa do mundo. Aquele homem de 1,85 nem parecia mais um monstrão quando ficava sem graça. Sorri para ele, que entendeu que eu havia concordado.    - Tudo bem, a gente fica por aqui hoje. Mas, depois eu quero conhecer esse lugar.    - Pode deixar, vossa majestade. — Ele fez uma reverência. — A Nancy está lá embaixo esquentando a janta.          Henry fez sinal para que descêssemos. Quando chegamos na cozinha, Nancy estava mexendo algumas panelas, ela tomou um leve susto quando Henry apareceu ao lado dela.    - Henry, meu Deus, não faz mais isso, eu ia jogar essa panela com óleo em você. — Henry deu uma risada. —    - Nancy, faz o nosso prato, a gente vai comer lá na mesa perto da piscina. — Ela assentiu positivamente. —    - Por favor, não coloca muita comida para mim. — Sorri pra Nancy. —   - Sim, agora vão aproveitar o tempinho que tem juntos.          Ela bateu na b***a de Henry com o pano de prato, fazendo-o rir. Quando chegamos na piscina, ela estava iluminada com luzes azuis. Nos sentamos na mesa redonda de apenas duas cadeiras.    - A lua está maior? — Henry arqueou uma sobrancelha. Me fazendo olhar para a lua também. —    - Eu acho que é a superlua. — Estreitei os olhos. —    - Hum... como foi o dia hoje? — Ele colocou um guardanapo no colo. —    - Eu fiquei na piscina, tirei fotos, depois dormi. — Dei de ombros e segui o mesmo gesto de Henry. —    - Bem produtivo. — Ele riu. —    - E o seu?    - Encontrei John, comentei com ele que você está aqui comigo, ele pediu para que você ficasse atenta ao celular, ele vai te ligar. Semana que vem nós vamos gravar duas cenas para finalizar o filme.    - Acabar o filme e eu voltar pra Miami. — Suspirei fundo. Só de lembrar que eu iria ficar longe de Henry, dava um aperto no coração. Eu havia me acostumado com a presença dele. Estar com ele era como estar em casa. —    - Ei, ainda temos première em Londres, aqui, Paris e Lisboa.    - E depois disso, só daqui a um ano. — Encarei Henry, que entendeu o que meu olhar quis expressar. —    - Não vamos ficar longe um do outro por muito tempo, eu prometo. — Ele esticou o braço e tocou minha mão, entrelaçamos as mesmas. — Eu não quero me afastar de você.    - Eu também não. — Sorri. Nancy estava chegando com uma bandeja enorme. Com nossos pratos e dois copos com suco. Ela colocou sob a mesa e Henry agradeceu. —  . Quantas namoradas suas ela conheceu?                       Henry me encarou.    - Na verdade, você é a segunda. A primeira foi a muito tempo atrás, acho que ela nem sequer lembra. — Ele deu de ombros. — Agora me diz, o que seus pais estavam falando?   - Era algo sobre a minha tia. Eu não sei direito, não deu para ouvir. Mas acho que era algo sobre eles estarem chocados e não acreditarem que ela fez isso. — Henry me olhou cautelosamente. —    - E você? Como você está com tudo isso?    - Eu sempre quero pensar que é tudo mentira, que foi só um engano e a qualquer momento ela vai me ligar dizendo que está voltando, sabe? É h******l pensar sobre isso, é h******l. — Encolhi os ombros. —   - Anna, eu não posso dizer que entendo, mas eu quero que você saiba que eu vou estar aqui caso você precise de mim. Você sabe disso. — Sorri pra Henry. —    - Eu só quero que isso seja um grande m*l-entendido.    - Meus advogados estão procurando ela. Vamos encontrá-la mais cedo ou mais tarde e ela vai explicar o motivo de ter feito isso, se é que ela fez o que estamos pensando.   - Tomara. — Coloquei uma garfada de comida na boca. — Hum, eu queria que você conhecesse alguém que é muito importante para mim. Além dos meus pais, claro.    - Quem? — Ele pareceu interessado. —    - Mia, minha melhor amiga. — Sorri. — Eu não à vejo desde que ela foi para a faculdade, alguns meses atrás. Eu estou morrendo de saudade. E eu queria que você a conhecesse, ela é incrível. Sem contar que vocês dois são bem parecidos, financeiramente falando. — Henry riu. —    - Se você quiser convidá-la, ainda tem quarto sobrando.    - Sério? Eu posso trazer ela para cá?    - Claro que pode, vou ficar feliz em conhecer alguém tão especial para você.    - EU TE AMO! — Assim que percebi minhas palavras, fiquei estática. — Digo, te adoro, você sabe.    - Eu também te amo, Anna. Eu não vou esconder o que eu sinto por você porque hoje em dia isso é considerado fraqueza, eu te amo e agora você sabe. Não preciso esconder isso para ninguém. — Ele se inclinou e acariciou meu rosto com o polegar. —    - O que você quer dizer com isso? — Meu coração estava a mais de mil. —    - Que em nossa próxima aparição pública, estaremos como um casal. — Dei o sorriso mais verdadeiro de toda a minha vida. —   - E as suas fãs?    - Elas vão ficar felizes em saber que eu estou com você. Que eu te amo e que estou vivendo um dos melhores momentos da minha vida.    - Meu Deus, você vai me fazer chorar. — Meus olhos estavam lacrimejando. —    - Não precisa chorar. Você é incrível, obrigado por tanto.            Henry levantou e veio me abraçar, meu rosto já estava sendo tocado por uma lágrima. Ele era o homem mais incrível que eu havia conhecido.
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