“Enfrentando os dias mais sombrios, todos fugiram. Mas vamos aqui, vamos ficar aqui.”
Alex alisou o comprimento pesado do pênis de Andreas. Ele pensou que iria explodir quando as mãos começaram a deslizar sobre o eixo num movimento constante. Daquele jeito iria derramar-se nos dedos dela.
Ambos estavam ofegantes.
Cerrando os dentes, Andreas observou quando ela passou a língua sobre os lábios com uma fome inegável. Ele manteve o arrocho firme em seus cabelos para mantê-la afastada até que fosse capaz de mergulhar em seus lábios outra vez sem gozar imediatamente.
― Basta, senhor? ― Ela perguntou um tanto ansiosa.
― Não. Ainda nem começamos.
Acariciando os cabelos sedosos no coque desfeito da mulher, Andreas fechou os olhos e pendeu a cabeça para trás apreciando a caricia firme dos dedos dela.
Não bastava. Que Deus o ajudasse, ele precisava de mais. Conduziu seu m****o ereto direto contra os lábios. Alex não hesitou, abriu a boca e, a sua língua o golpeou.
Outra vez naquela noite o desejo de olhar nos olhos da mulher o queimou. Seria tão simples estender as mãos e arrancar a maldita venda. Saber que o desejo desesperado não era apenas dele...
Mas não. Precisava cumprir as próprias regras. Se se mostrasse um dom fraco, não seria benéfico para nenhum dos dois. Como resistiria até o fim da noite, era um mistério.
A boca o envolvia por completo, chupava atraindo-o mais profundamente, conquistando centímetro por centímetro de cada vez. Recuando e voltando, num ritmo que o enlouquecia.
Não se tratava de experiência, era o prazer inegável que a mulher encontrava em agradá-lo expresso em gemidos e suspiros.
E o desejo incontrolável de retribuição. Há quanto tempo não estava tão conectado a alguém?
Com decisão, puxou a cabeça da mulher para trás, pondo fim a doce tortura imposta. Ela gemeu em protesto e ele quase a imitou, mas então a puxou para cima. Colando o corpo no dela segundo antes de premiá-la com mais um beijo devastador.
― Vamos parar de brincar, Princesa. Eu preciso de você!
Segundos depois a atirava sobre a cama sem muita delicadeza. Ela também não perdeu tempo, abrindo-se para recebê-lo. Ambos necessitavam do orgasmo. Duro, sem mais delongas.
As pernas dela enrolaram na cintura dele, e seu pênis entrou fácil no sexo macio e quente. Se ele antes acreditou que estava no céu, agora havia superado o nirvana. Era simplesmente perfeito...
*~*~*
Num rompante, Andreas empurrou a cadeira para trás, guardando a lembrança para o mais fundo de sua mente que pôde. Quando pararia de pensar naquela mulher? De reviver a noite que passaram juntos?
Já não era uma questão de dinheiro.
Essa era a maior contradição daquele arranjo: havia contratado uma prostituta cara para conquistar a paz de um relacionamento superficial e havia conseguido um novo problema.
Andreas precisava da excitação. Do receio. Da adrenalina. Do risco.
— Bem vindo ao topo, Senhor Andreas — sussurrou para si mesmo. — O lugar mais entediante do mundo.
A vista da cidade, que normalmente o acalmava nas horas de estresse, o lembrando de onde veio e como chegou ali, não estava surtindo efeito naquele dia. Estranhamente sentia-se inútil. Insatisfeito. Não importava se ele havia conquistado muito mais do que um dia pensou ser capaz. Ele precisava de mais. Havia um espaço grande em sua vida que precisava ser preenchido. Andreas queria emoção, queria um desafio. E os negócios já não garantiam a cota de adrenalina necessária para viver com satisfação.
Do topo de seu império, o mundo parecia uma maquete viva, com minúsculos seres se movimentando freneticamente como formigas operárias. Pessoas que poderiam não saber quem ele era, mas sobre a vida das quais poderia interferir profundamente. Aliás, naquele exato momento havia a papelada de um projeto de mineração em sua mesa esperando sua aprovação que seria capaz de mudar a história de toda uma cidade.
Daquele ponto de vista e com o poder que possuía, seria muito fácil acreditar que era um deus. Alguém intocável, onipotente, mas do alto de seus 41 anos, tinha experiência o suficiente para saber que tudo aquilo era ilusório. Mesmo ele era mero um joguete do destino.
E quando a vida jogava seus dados, pouca coisa ficava de pé.
— Andreas, Marcelo acaba de chegar. — a voz de seu assistente pessoal chegou até ele através da porta entreaberta de seu escritório.
Era um homem poderoso o suficiente para que o grande Marcelo Silva, dono de empresas especializadas em segurança e vigilância espalhadas por todo o mundo, o atendesse pessoalmente poucas horas após ser solicitado.
Aquele encontro não era apenas pelos laços de amizades que os unia: se havia alguém capaz de descobrir qualquer coisa sobre qualquer pessoa, esse sujeito era Marcelo, através de pessoas que nem estavam oficialmente em sua folha de pagamento. E embora não houvesse desconto de amigo para Andreas, as informações que ele conseguia valiam cada centavo.
— Deixe-o entrar. — Respondeu sem voltar-se, ainda com a atenção concentrada na paisagem.
Apesar de ser muito alto e forte, o sujeito tinha uma agilidade e equilíbrios impressionantes. E era silencioso como um felino.
— Pensando em atirar alguns raios nos reles mortais lá embaixo, Andreas? — A pergunta mordaz foi a saudação de boas vindas do amigo.
Finalmente abandonando seu estado contemplativo, o homem olhou para o outro com um sorriso irônico no rosto.
— Você por um acaso está me chamando de deus grego? — perguntou no mesmo tom mordaz. Atacar a masculinidade do sujeito era uma das poucas coisas que distraía o senso de humor muitas vezes inconveniente daquele astuto homem de negócios.
Franzindo a testa, Marcelo analisou sua fala.
— Tem razão, analisando desse jeito, soou esquisito mesmo.
— E muito gay. — Ainda provocou Andreas. Nenhuma conversa com Marcelo Silva começava ou permanecia séria por muito tempo. Por isso, aceitando a provocação numa boa, o homem revidou.
— Os milhões que você gasta em minhas empresas todos os anos garantem o meu amor e admiração eternas.
— Tanto puxa-saquismo é constrangedor Marcelo.
— O constrangimento vai ser superado quando eu receber o próximo pagamento. Você sabe que eu e seu dinheiro temos uma relação muito satisfatória.
Dessa vez Andreas riu abertamente, mas logo adotou uma expressão mais séria.
— Obrigada pela precisão e discrição de sempre. Pegamos o gatuno essa manhã.
— Já soube que a dispensa de seu empregado foi um tanto dramática. Mas não acredito que foi por causa disso que você solicitou minha presença. Tem algo grande e talvez pessoal que você quer que eu cuide discretamente.
Uma vez, Sofia, esposa falecida de Andreas havia falado que Marcelo era um homem perigoso: bonito e inteligente demais para a paz de espírito de qualquer pessoa a sua volta. Um malandro perfeito.
Era bom ter aquele malandro em sua folha de pagamento e não ser alvo dele.
— Preciso ser cuidadoso com quem me cerca.
— Sei que sim, mas você exigiu minha presença e cá estou eu, o que manda chefe?
Andreas olhou para o amigo um instante e o contestou.
— Ninguém exige nada de você, Marcelo. Faz apenas o que quer.
Uma vez que o homem estava ali, o empresário se viu hesitante em entrar no assunto. Parecia que estava exagerando em algo simples. Parecia uma demonstração de fraqueza.
— Sim, faço apenas o que quero e isso não é novidade.
— Acredito que você achará interessante pelo menos um dos novos serviços que vou lhe passar.
— Principalmente porque você está fazendo muito arrodeio para tocar no assunto. É profissional ou pessoal?
Não muito surpreso pela perspicácia do sujeito, Andreas tratou de ganhar tempo e se acomodou em sua cadeira. Não precisou convidar Marcelo para fazer o mesmo, há muito não havia mais formalidades entre eles.
— É de ordem muito pessoal.
— Você está sendo chantageado de novo?
— Não. Quer dizer, ainda não.
— Agora está ficando interessante. Desembucha.
— Eu na verdade quero me prevenir para que no futuro não aconteça.
— Andreas, apesar de gostar da sua companhia eu realmente preciso saber em que tipo de encrenca s****l se envolveu, porque pelo tipo de pessoa que você é, só isso justifica essa sua relutância. Apesar do meu senso de humor excêntrico, sei ser discreto quando é preciso.
Nem mesmo Andreas entendia a relutância em tocar no assunto.
— Eu não estou sendo chantageado... eu recebi o Cartão Lilás e agora estou tendo acesso aos serviços que ele oferta.
— Você?!
— Sim.
Um tanto indignado, Marcelo reclamou.
— Eu nunca recebi o Cartão Lilás. Eles são extremamente arredios. Eu me encaixo no perfil de sócio, mas eles simplesmente me esnobam.
Havia uma ponta de ressentimento na voz do homem, mas Andreas apenas desdenhou dos sentimentos do amigo.
— Você é casado.
— Mas não era antes e ainda assim, nunca consegui o convite.
— Se você quiser um tempo para se recuperar do golpe, eu espero.
A ironia na voz de Andreas finalmente fez Marcelo focar ao assunto principal.
— O que você quer que eu faça exatamente?
— Eu quero que você investigue o Clube e a moça que vai me atender. Passarei os dados dela.
— Você sabe que é uma investigação complicada, certo? Eu já fiz isso antes e eles têm uma capacidade surpreendente de fazer as pessoas silenciarem.
— Então você não consegue levantar a ficha deles?
— Não me insulte. Eu não disse que não conseguia. Eu disse que era complicado. Uma moça que atendia um cliente meu parecia ter caído do céu. Outra que investiguei estudou em colégio de freira. Não se drogam, não tem vida social intensa. Elas são discretas e educadas. Passado impecável. A blindagem do clube é perfeita. Sei que você é impaciente, mas dessa vez terá que esperar por respostas.
— Mas haverá respostas?
— Isso é outra tentativa de insulto? Você sabe que eu vou cavar bem fundo e descobrir o que precisa ser descoberto. Eu só estou dizendo que demorará um pouco mais do que você está acostumado, apesar de não ser um caso de espionagem industrial, tem um nível de segurança muito alto.
— Você pode começar me enviando as informações que levantou sobre o clube. Quero comparar com as informações que já levantei.
Daquela vez Andreas conseguiu ofender o amigo.
— Você deveria ter me chamado desde o começo. Pouparia nosso tempo.
— Você é caro.
— Você não tem problemas de dinheiro.
— Pensei que fosse uma investigação simples.
— Bem, agora amargue o prejuízo. E aproveite seu tempo com a moça, dizem que elas são ótimas.
— E caras. Ainda não acredito que estou pagando tanto por uma mulher.
— Eu também não, você é constrangedoramente sovina para um homem com tanto dinheiro, mas quem já experimentou os serviços do Clube diz que vale cada centavo.
— Bem, eu não conheço ninguém que possa ser usado como referência.
— Na verdade conhece, mas como você, eles optam por serem discretos com relação a sua vida privada. Acredito que por isso eu não recebi o convite.
— Não duvido.
— O Edgar recebeu.
— O Edgar? Não pensei que ele fizesse o perfil de sócio. Apesar de ser um herdeiro, ele não é tão rico quanto você.
— Mas poderia pagar pelos serviços facilmente.
— Isso é verdade. Como ele está? Depois que casou desapareceu.
— Edgar está sofrendo de uma incurável síndrome de Estocolmo. Duvido que vocês voltem a se encontrar nos espaços que costumavam transitar. Virou um homem de família dos mais dedicados.
Num tom confidencial, Andreas perguntou.
— Então é verdade que ele foi sequestrado pela mulher com quem se casou?
— Sim. E parece que sofreu muitos abusos nesse período, mas você não vai ver ele reclamando. Adorou cada segundo.
Andreas riu outra vez e comentou.
— Ouvi que ele virou brinquedinho s****l de uma louca. Pensei que fosse boato.
— Não foi. A Camila é louca, mas uma louca adorável.
Era raro ver Marcelo com verdadeira inveja de alguém, ele tinha acessos de infantilidade ocasionalmente perante os amigos, mas inveja mesmo era raro. Isso significava que seu casamento não ia tão bem como todos acreditavam. E embora Andreas não gostasse de se envolver nos problemas alheios, não deixou de perguntar.
— Rosana parece ser uma mulher interessante.
— Eu tenho sorte, mas Edgar foi agraciado com a sorte de uma vida sem grandes problemas. Nada pra mim é tão fácil... mas não vim aqui para isso, vamos deixar as lamentações de lado. Nem combina comigo. Precisa de mais alguma coisa?
— Tem uma empresa de mineração que estou sondando...
— O dossiê está nas mãos de Caíque. Veja isso como uma cortesia profissional.
—Como...?
— Ser um homem bem informado faz parte do meu charme.
— É um péssimo negócio?
— Um elefante branco que estão querendo passar a diante. Algum senador vai tentar salvá-lo do prejuízo utilizando recursos públicos para isso. É claro que você precisará contribuir com as próximas campanhas eleitorais do partido.
— Obrigado pelo aviso. Que tal um conhaque?
Ainda jogaram um pouco de conversa fora antes de se despedirem. Marcelo já estava a caminho da porta quando se voltou para o amigo.
— Só mais uma coisa. Eu não sei o quanto isso é importante, mas eu tenho uma teoria sobre o Clube.
— Uma teoria?
— Sim. Acredito que eles só escolham para sócios, pessoas que sabem que podem controlar.
— Controlar como?
— Eles sabem de algum segredo seu. Um que o manteria sob o controle deles.