Caleb estacionou o carro em frente à grande casa de Chloe.
—Está entregue.
Ele disse olhando para a mais nova. O almoço com os três foi bem tranquilo, falaram sobre coisas bobas e como andam as coisas na escola, e após isso Caleb deixou Anna em casa e seguiu para fazer o mesmo com Chloe.
—Quer entrar?
Chloe perguntou olhando para o primo.
—Vou deixar para outro dia, preciso ir resolver algumas coisas da nova empresa do meu pai, mas foi bom passar esse tempinho com você.
Caleb disse encarando a mais nova. Ele se aproximou dela e deu um beijo em sua testa — já era costume de Caleb fazer esse tipo de coisa. Uma vez ele disse a Chloe que, no dia em que ele não se despedisse com um beijo em sua testa, é porque a missão dele de cuidar dela já teria sido cumprida.
—Se cuida, princesa. Qualquer coisa me mande mensagem e eu venho correndo até você.
Caleb disse, e a mais nova sorriu, concordando. Por fim, ela desceu do carro e seguiu para dentro de casa. Quando o platinado ia ligar o carro para seguir seu rumo, uma ruiva lhe chamou atenção. Então ele desceu do veículo e correu até ela.
—Victoria.
Ele a chamou, e a mais nova parou de andar. Victoria se virou para encarar Caleb e não parecia querer falar com ele.
—O que você quer?
A ruiva perguntou, um tanto chateada.
—Eu sei que sou a última pessoa que você quer ver nesse mundo, mas eu quero saber se está bem.
Caleb disse um tanto sem jeito, e Victoria revirou os olhos.
—Agora você se preocupa? Eu estou ótima, Caleb, e não preciso da sua preocupação. Por favor, não me procure mais.
Ela disse, já pronta para ir embora.
—Eu tive os meus motivos, Victoria.
O mesmo disse, fazendo ela parar e olhar para ele novamente.
—E esses motivos já não me importam mais. Eu segui a minha vida, Caleb, e tá tudo ótimo no momento. Não venha com suas explicações sem sentido agora, porque tudo que eu não preciso é ter um gatilho pra lembrar do que aconteceu lá atrás.
Victoria disse com firmeza na voz, e Caleb nada disse — apenas afirmou com a cabeça e deixou a mais nova seguir seu caminho para longe de si. Talvez agora não fosse o momento certo para falar com ela. Quem sabe mais pra frente, quando as coisas se encaixarem de verdade.
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Ficar sozinha sempre foi algo normal para Chloe, porque Elijah sempre passava a maior parte do tempo enfiado no hospital. Então era super comum ela viver enfiada em seu quarto, jogando ou estudando. A alimentação não é tão regular, já que não tem alguém para ficar no seu pé dizendo que precisa se alimentar — e quem vê isso de longe acha estranho uma adolescente viver trancada em casa em vez de estar por aí conhecendo gente nova, bebendo todo tipo de bebida alcoólica ou fazendo outro tipo de besteira.
Mas Chloe não é assim. É do jeito dela ser mais reservada. Ela amava quando seus pais eram vivos e sempre tinham algo diferente para fazer. Apesar de quieta, ela gostava de estar com os pais em certos momentos, que sempre eram únicos e inesquecíveis. Mas, após a partida de ambos, isso já não é mais tão divertido ou frequente, principalmente porque sua convivência com Elijah não é das melhores. E nunca vai ter a mesma graça com ele como tinha com seus pais.
No fim da tarde, Chloe tomou um banho relaxante e, quando terminou de colocar uma roupa confortável, a campainha de sua casa tocou.
—Ué, será que o Elijah esqueceu a chave?
Chloe se perguntou descendo as escadas. Então ela abriu a porta e tudo que viu foi um enorme buquê de flores. Ela franziu o cenho, mas logo a pessoa por trás do buquê se revelou.
—Flores para a garota mais linda do mundo.
Alec disse, olhando para Chloe, que sorriu largo ao vê-lo ali.
—Eu não sabia que ia voltar hoje. Entra.
Ela falou pegando o buquê de flores, e dando espaço para Alec passar.
—E eu não ia voltar hoje, mas a mamãe teve que vir porque algumas consultas foram antecipadas. Mas e você, baby, como está?
Alec perguntou, abraçando Chloe pela cintura e lhe dando um selinho. Surpresas? Pois é — Chloe e Alec têm um tipo de amizade colorida. Eles são bons amigos, mas às vezes ficam. Mesmo o mais velho dizendo que tem sentimentos pela mais nova, ela prefere manter esse tipo de relacionamento com ele, porque, para si, é menos complicado e ninguém sai ferido. Chloe não tem lá tanta confiança quando se trata de amor. Apesar de nunca ter tido o coração partido, seu primeiro relacionamento foi estranho e não lhe agradou tanto assim.
Sim, ela já teve um namorado. Apenas um. Então não é tão experiente no amor. Afinal, Alec é o segundo garoto com quem Chloe se envolve dessa forma. E ela nunca foi além dos beijos, e Alec sabe muito bem disso — e a respeita da forma que ela merece.
—Estou bem. Tirou muitas fotos?
Ela perguntou, indo colocar as flores em um vaso com água. Alec é modelo e tem vinte anos. Por ser mais velho que Chloe, é bem óbvio que tem bastante experiência com mulheres, mas algo em Chloe fez ele ficar apenas com ela. Talvez o jeito fofo da mais nova, ou a forma como eles se entendem, tenha feito com que Alec despertasse um sentimento um tanto forte por ela.
—Oh sim, acho que nunca fiquei tão cansado tirando fotos.
Ele disse, tirando a jaqueta.
—Vamos lá pra cima. Daqui a pouco a gente pede algo pra comer.
Chloe disse, após colocar as flores no vaso com água.
—O Elijah não vem agora?
O mais velho perguntou. Ele e Elijah se dão muito bem, e Elijah torce muito para que Alec e Chloe namorem — o que talvez não chegue a acontecer, se depender da mais nova.
—Ele mandou mensagem dizendo que vai chegar tarde hoje. Vamos.
Chloe disse, puxando o mais velho em direção à escada. Mas Alec a puxou sem muita força, fazendo o corpo da mais nova grudar no seu, e então ele iniciou um beijo de forma lenta e gostosa, enquanto apertava sua cintura. Era sempre assim, como se algo os fizesse terminar ali, no meio da sala, aos beijos. Porque é bom. Céus, é tão bom.
Nos braços do mais velho, Chloe se sente acolhida. O beijo dele é como um calmante para si. Não é como se ela estivesse apaixonada por Alec, mas ele é alguém que lhe transmite paz. E, se pudesse ficar nessa paz para sempre, ela ficaria. Porque aquele homem que sempre está ali por ela a faz esquecer o quanto o mundo fora do seu abraço é doloroso.