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2521 Words
Não estou mais esperando a porta da sala de exames ser aberta, agora estou esperando e torcendo para que uma certa porta nunca se abra. E se abrir, que a pessoa além dela esteja em um infarto fulminante. Minha mãe sempre dizia que desejar o m*l para pessoas que vão te f***r era melhor do que desejar o bem. Jesus discordaria disso com certeza e, ainda, citaria aquela frase sadomasoquista: Se alguém bater em você numa face, ofereça-lhe também a outra. Quem iria oferecer o outro lado da face para ser esbofeteado? “Quando alguém oferecer um lado da face para você esbofetear, esbofeteia com bastante força,” ela disse com um cigarro entre os dedos e olhando para a rua da nossa casa pequena casa alugada em Prince Albert. Os cabelos dela eram cacheados e caíam pela jaqueta de couro preto. Ela não usava mais aliança e nem vestidos, a maquiagem se tornou escura. Antes, sempre parecera indefesa e com bastante medo, mas depois se tornou preocupada e, de alguma forma, mais forte. Os ensinamentos sobre não acreditar em religião alguma, só começaram durante o tempo que deixamos Kelowna e começamos a morar em Prince Albert. Em Prince Albert, não tínhamos mais a companhia do meu pai, nem do meu irmão mais velho e nem dos meus avós. Enquanto morássemos lá, sem ninguém saber onde estávamos, não teríamos a obrigação de irmos à igreja ou rezar. Minha mãe até queria mudar o nome de Amélia para Eloá, já que nunca gostou do nome por causa do significado que refletia o que ela representava para o meu pai e para os meus avós. Também não gostava do meu nome, mas ela conseguiu me convencer dizendo que havia brigado muito com o meu pai e meus avós para conseguir colocá-lo. Mas ainda me pergunto, por que Angus? Não seria um nome de uma raça de bois? Ela nunca chegou a dar a resposta, era sempre: porque é um nome único. E por quê é exatamente um nome único? O diretor sai da sala com uma xícara de café e um biscoito na mão. Ele para e nos observa enquanto mastiga suavemente o biscoito. — Podem entrar, já escuto vocês — Eltery é o primeiro a levantar-se e dirigir-se à sala, eu vou em seguida, e Heather, logo atrás de mim. Quando entramos no cômodo, percebo que só há duas cadeiras. Opto por deixar Heather sentar na cadeira que sobrou e decido ficar em pé próximo a porta. O sangue nas roupas e na mão de Eltery já estão secos, não tinham dado tempo para ele trocar de roupa ou se limpar direito. Não tinham dado nem tempo para eu ir ao banheiro. É, mas eu tive um tempo maior para ir, só que estava mais preocupado com a minha raiva da Heather. Como ela pode me ameaçar para se salvar? Logo que isso acabasse nossa amizade não seria a mesma. — Muito bem — o diretor diz ao entrar na sala, movendo-se à sua cadeira. — Parece que vocês gostam de se agredirem. Sinaliza com a cabeça para Heather. Retirando os óculos e os limpando. O diretor tem pele n***a e é careca, veste um terno azulado, que deve ser bem caro, e usa uma caneta dourada no bolso exterior do palito. — Eu quero saber como isso foi acontecer? Começando pela Sra. Reezer. Heather coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha e apoia a mão enfaixada na mesa. — Eu estava com Angus — ela indica com a cabeça para mim. — Estávamos conversando quando Eltery me empurrou. — Eu não te empurrei! — intervém Eltery. — Por favor, Sr. Mário, quando for sua vez você fala — o diretor repreende, e Eltery desvia o rosto. Devia ser difícil ser ele nesse momento, eu não gostaria, mas com certeza vou gostar menos quando estiver na minha própria pele e assumir que soquei o rosto dele. — Quando Eltery me empurrou — Heather prosseguiu —, acabei ralando a mão no chão e… depois ele me chamou de p*****a… e gorda e louca. O diretor dirige o olhar surpreso para Eltery. — Ela me ofendeu antes — ele tenta se proteger. — Muito bem, você tem algo a mais para falar Sra. Reezer? — ela balança a cabeça em negativo. Ele dirige o rosto para Eltery. — Agora você pode falar Eltery. Eltery se ajeita na cadeira e, por um breve segundo, vejo uma gota de sangue escorrer de seu nariz. Eu vomitaria se já não tivesse visto tanto sangue hoje. — Eu estava correndo e distraído quando esbarrei sem querer na Heather... — Sem querer? A quadra tem quase quarenta metros, Eltery — Heather o interrompe e o diretor a olha irritado. — Desculpa, pode continuar. — Eu tentei ajudá-la a levantar-se, mas ela me ofendeu. — E do que ela te ofendeu, Sr. Mário? — Imigrante e refugiado — Eltery olha de relance para Heather. — Sra. Reezer e Sr. Mário, sabem que temos zero tolerância com qualquer tipo de preconceito, e tenham certeza que terão punições quanto a isso — o diretor retira três fichas de baixo da mesa e as coloca à frente deles. — Pode continuar, Mário. — Heather me empurrou uma vez quando tentei pedir desculpas e por isso fiquei com raiva e a xinguei — Eltery fica silencioso por um momento e o diretor pega uma das fichas e passa a analisar. — Agora me responda, Sr. Mário, como você ralou o rosto e quase quebrou o nariz? Tudo bem, essa é minha hora. Limpar o banheiro não deve ser tão difícil, e com sorte, minhas notas podem ofuscar o relatório de agressão. — Foi eu! Eu que soquei o rosto dele — pronuncio. Eltery tenta intervir, mas Heather chuta sua perna e ele acaba por ficar calado. — Estou surpreso com você Sr… — ele pega outra ficha de cima da mesa e a abre sutilmente — Sr. Wesley. — Wes-ler — corrijo. — Bem, você raramente é de se envolver em brigas, Sr. Wesley. — Wesler — corrijo mais uma vez. — Desculpe. — Tudo bem. Heather solta um sorrisinho e o diretor prossegue: — Eu quero que vocês comecem pedindo desculpas um para o outro, e depois a Sra. Reezer pode deixar a sala e esperar no corredor. — Mas por que ela pode ir e eu não? — Eltery demanda. — Porque eu quero conversar com vocês dois a sós. Eltery cruza os braços e encara raivoso a janela atrás da cabeça do diretor. — Podem começar a se desculparem, por favor — um silêncio consequente surge enquanto o diretor folheia uma ficha. Ninguém tem a iniciativa de começar a se desculpar. Heather se finge de distraída e Eltery nem mesmo parece interessado no que o diretor disse. — Irão começar a se desculpar ou querem todos pararem no subsolo? Heather, sem pestanejar, vira-se para Eltery com um sorriso enorme. Um sorriso que jamais daria mesmo por uma piada muito engraçada. — Desculpa Eltery por ter lhe ofendido e o empurrado — o sorriso continua persistente. — E desculpe pelo soco que Angus lhe deu. O soco que você deu. Eltery cisma em não olhar para ela e acaba forçando o diretor a chamar sua atenção para se desculpar. — E desculpa por ter te derrubado e te xingado — ele finalmente diz. — Sua vez Wesler, peça desculpas por ter batido nele — observo Eltery por poucos segundos, então tomo coragem e dou alguns passos para frente. — Desculpa por ter te batido Eltery — ele não me olha. — Eu o perdoo. — Também perdoa a Sra. Rezeer, Sr. Mário? — o diretor quer saber. Heather troca momentaneamente olhares comigo. — Não, não a perdoo — afirma com a voz meio rouca. — Ok. A Sra. Rezeer, pode deixar a sala e esperar no corredor — Heather se ergue tão rápido que quando pisco ela já está abrindo a porta e saindo da sala. Sortuda. A livrei de ouvir mais horas e horas de sermão. Quando à porta bate no batente, o diretor indica com a mão a cadeira que Heather estava sentada. — Estive analisando a ficha de ambos, e… — pausa a fala e puxa duas fichas para si — percebi que os dois têm mais de uma advertência de agressão. E com essa advertência, vocês ficam legíveis a serem mandados para o subsolo. Acho que não entendi muito bem. — Como assim diretor Hoosker? — pergunto, aproximando-me com o corpo em sentido à mesa. — Como disse, vocês dois têm mais de uma advertência por agressão e… — Não! Eu nunca tive uma advertência por agressão. Só pode estar vendo a ficha errada. — Não, não estou vendo Angus — ele abre uma das fichas e analisa brevemente. — Seu nome é Angus Wesler, não é? — Sim, é o meu nome, mas nunca tive advertência de agressão. Eu nunca tinha entrado em qualquer briga com alguém, tirando a vez que rasguei a camiseta do Feller por ele me trancar no banheiro. Porém, isso não chegou aos ouvidos de ninguém. — Você quer que eu diga quais foram as advertências? — ele questionam enquanto passa algumas páginas da minha ficha. Dou um aceno de cabeça. — Bem, você teve uma advertência no sexto ano do fundamental, por enfiar o lápis no olho de j**k Tanner. Porcaria. Eu com certeza não lembrava disso e com certeza não lembrava da existência de j**k. Sério que vou acabar no subsolo por isso? — Você teve outra também no quarto ano, por jogar café quente no rosto de… — novamente j**k Tanner. Já me recordei. Não sei se fico mais chocado por ainda terem esses relatórios, ou por j**k não ter ficado com sequelas ou por eu ter psicopatia infantil. Será que teria algum livro sobre relacionamento abusivo na infância? Eltery se mexe ao meu lado e eu deixo de olhar para a quina da mesa. — Diretor Hoosker — Eltery diz ainda com a voz rouca —, não tem nada que eu possa fazer para não acabar no subsolo? Terá um jogo daqui a algumas semanas e eu preciso estar lá. Bem, ele ao menos ainda tem alguma salvação e está tentando usá-la para se livrar. Eu não tenho muita saída além de acabar no subsolo. Se lá for do jeito que Amy e Kira disseram, não deve ser tão r**m. Amy, a namorada de Feller, foi junto com a irmã de j**k, Kira, para o subsolo. Elas foram pegas fumando maconha que tinham roubado de um dos professores. Elas contaram que foram obrigadas a lavar roupas de cama e uniformes de todo o internato. “Mas a lavagem não era o pior,” Kira dizia e mostrava os calos nas mãos. “Também éramos obrigadas a lavar todo o chão do subsolo com escovas de roupas. E não posso esquecer de falar da comida, lá só podíamos comer arroz com legumes e um copo de leite ou de suco de laranja.” Não parecia tão r**m, poderia lavar roupas e comer arroz com legumes por um mês. Para quem já passou semanas quase sem comida nenhuma, arroz e legumes é um banquete. Deveria ficar mais assustado em lavar roupas ou com o tempo que vou passar lá. Ok, até que não estou tão assustado, talvez não seja tão r**m. Um mês pode parecer muito tempo, só se você entrar em desespero. — Sr. Mário, não importa que você seja o líder do time, irá aguentar suas consequências como o Sr. Wesler — bom, parece que terei de tolerar efetivamente o Eltery por um mês. — Eu poderei me despedir dos meus amigos ou passar no meu dormitório antes de ir? — eu pergunto a ele. — Não, normalmente não poderiam, mas como terá um aviso meu e uma apresentação no teatro daqui a algumas horas. Poderão rever seus amigos, mas não ficarão perto deles. — Então poderemos ir aos nossos dormitórios? — Eltery questiona. — Sim, mas irão acompanhados pelos monitores depois de saírem do teatro. — Mas essa apresentação tem que ser logo hoje, sem aviso nem nada? — Sim, Wesler, já estava marcada para acontecer, mas preferimos adiantar — o diretor se levanta da cadeira caminhando até um pendurador de roupas. — Mas por quê adiantaram? — quem questiona desta vez é Eltery. — Irão descobrir em breve — ele agarra delicadamente o palito do pendurador e o veste sem pressa. O que teria de ser tão urgente para pararem as aulas e mandar todo mundo para o teatro? — Tenho de me preparar para o aviso que darei. Vocês podem esperar no corredor que logo um monitor aparecerá para levá-los ao teatro. Eltery se volta para mim quando o diretor não está mais na sala. — Você sabe que está ferrado? Não deveria ter assumido a culpa dela. — Sim, eu sei, mas pensei que só iria limpar os banheiros. — E acabou por parar no subsolo. Você é muito inteligente, Angus. Queria ter alguém para se sacrificar assim por mim — ele deixa a cadeira e começa a cambalear para fora da sala. Eu continuo sentado e imóvel, reconhecendo que estou ferrado. Oh, não. ____∞____ Alcanço suas coxas e o ergo. Tirando-o do chão, faço-o rodear as pernas em minha cintura. Encosto as costas na parede com a esperança de aguentar seu peso. Segurando-se em mim, apenas com um braço, Angus consegue localizar meu p*u, incentivando que eu retorne a penetrá-lo. Com isso, também volto a colocar a língua em sua boca ao instante em que abraço seu corpo. Pressionando as pernas na minha cintura, Angus passa a se movimentar com as nádegas sobre meu p*u, mas nem um pouco surpreendente, minha perna parece quebrar e simplesmente não sou mais capaz de respirar. Desisto de continuar com o s**o nesta posição e acabo me agachando. Sento-me no box com as costas juntas ao azulejo. Passando a apoiar as mãos no meu ombro, as nádegas de Angus espatifam suavemente na minha virilha. Ele não está com pressa em terminar e nem cansado, completamente diferente de mim que está exausto, porém sem coragem de pedir pelo fim. “Exausto?” questiona bastante ofegante. “Um pouco” as duas palavras vêm intercaladas pelas batidas. Aperto sua cintura e faço seus movimentos serem mais agressivos. Angus passa a se masturbar ao tempo que não para de descer e subir. Retiro sua mão e a troco pela minha, deixando agora que eu o masturbe. O incentivo a apoiar as mãos no azulejo para tirar o peso dos meus ombros. E quando faz, é um grande alívio. Seus gemidos se tornam mais intensificados, e quando o seu pescoço se aproxima, excitantemente deslizo a língua por ele. Dou uma mordida leve e em seguida chupo saborosamente a pele. Angus solta um grunhido de dor com um misto de t***o, mas mesmo assim ele não para de se movimentar. Com o desejo reforçando, o punheto com mais rápido, percebendo sua entrada descer sobre meu p*u com o mesmo estímulo.
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