FANCY

1339 Words
Bailey Parei para pensar por alguns segundos, essa história de primeiro beijo tinha mexido com minha cabeça. O fato é, eu realmente gostava de Ylona quando isso aconteceu e apesar de hoje enxergar o meu antigo relacionamento com ela como um sentimento platônico e infantil (tenho certeza que ela acha o mesmo, éramos muito novos e acredito que as coisas só foram para frente por pressão da mídia), ainda assim, era grato de ter experimentado da oportunidade de viver meu primeiro beijo com alguém que realmente gostava. Isso se tornou uma grande base da minha vida amorosa, eu não era o tipo de cara que ficava por ficar e provavelmente só enxergava isso porque minha primeira experiência envolveu sentimento.  Depois, quando você prova de um mundo físico e material, você percebe que ele é tão fútil perto do que envolve o coração, que prefere manter qualquer contato casual longe de si. Eu era grato por um dia ter estado ao lado de alguém que gostava, na época, e não preferia inverter esse padrão sentimental por números ou algo do tipo. Não me importava em ficar sem alguma garota pelo tempo que fosse, porque quando eu estivesse com alguém, queria que fosse real.  Eu entendia que a maioria das pessoas entregavam suas primeiras vezes apenas para ceder a pressões do mundo e do tempo, sabia o quão raro era ser ao contrário e sem dúvidas, aconselhava minha irmã e faria a mesma coisa com meus filhos sobre esperar por alguém e por uma relação com sentimento.  Meu namoro com Ylona terminou no momento que enxergamos como fomos manipulados pela mídia, como o sentimento virou uma jogada de marketing e também quando percebemos que éramos diferentes, estávamos traçando caminhos diferentes e não valia a pena insistir em algo que acabaria por atrapalhar os dois. Ainda somos amigos, obviamente mais afastados, mas nada envolveu briga.  Ouvir o relato de Joalin sobre seu primeiro beijo, só reafirmou minha teoria. Para mim, a atração estava diretamente ligada com o emocional, com o amor e não com corpos e rostos bonitos, uma supermodelo não parecia atrativa aos meus olhos só pelo seu físico. Na minha mente, isso andava de mãos dadas com a personalidade e o sentimento.  Minha mãe sempre me disse que eu não amava corpos, eu amava almas e isso me possibilitava a amar corpos. Para ela, isso era uma dádiva e um sentimento especial e raro, eu realmente passei a acreditar nisso quando comecei a ver meus amigos ficando com garotas só por ficar e percebi que eu nunca conseguiria fazer aquilo.  -No que tanto pensa?- me assustei com a voz de Joalin e saí imediatamente do universo paralelo que minha cabeça tinha acabado de criar. -d***a, esqueci de avisar- mudei de assunto rapidamente, lembrando de algo que precisava falar- Como não podemos sair de casa e os restaurantes estão fechados, meus pais inventaram uma coisa e já fizemos duas vezes e hoje é dia de fazer de novo. -E o que seria?- levantou uma sobrancelha curiosa.  -Hoje, não vamos almoçar e vamos nos arrumar como se fossemos para um restaurante caro. Quando for no fim da tarde meus pais vão pedir comida por delivery e vamos montar a mesa da forma mais chique que der e fingir que estamos em um jantar importante.  -Vocês são as pessoas mais criativas que eu conheço- ela gargalhou- Gostei disso, gostei muito.  -A parte r**m é que só vamos realmente comer alguma coisa lá pelas 6, precisar se arrumar também não é super divertido mas no final é sempre engraçado e vale a pena.  -Então, já que eu te fiz acordar antes do sol nascer, o que acha de dormir mais um pouco agora que minha dor melhorou?- ela procurou o celular e me mostrou as horas, quase 10 da manhã.  -Justo- me levantei e segurei sua mão, a ajudando a levantar. Realmente, meus olhos estavam quase fechando de tanto sono mas eu jamais deixaria Joalin sozinha e com dor para ir dormir. Felizmente, seu convite caiu do céu.  -Bom, boa noite- ela deitou no seu lado da cama. Eu poderia considerar dela, certo?  -Boa noite Jojo- rimos como dois idiotas, claramente deveríamos estar acordando, não fazendo o contrário.  Eu realmente não demorei para apagar em um sono profundo regado à sonhos confortáveis e calmos, cujo nunca lembraria que aconteceram. Não sabia quanto tempo tinha se passado mas quando acordei, a cama ao meu lado estava vazia e eu podia perfeitamente ouvir o barulho do chuveiro do quarto ligado.  Tentei levantar da cama mas parecia que tinha sido atropelado, sinal de que dormi mais do que devia. Custei para conseguir levantar e quando o fiz, caminhei até a sacada a abrindo e deixando a luz percorrer o cômodo escuro.  Busquei meu celular logo em seguida e percebi que o aparelho estava esquecido na tomada desde a noite anterior. Aproveitei para gravar a paisagem do lado de fora e atualizei meu story, os fãs já deviam estar preocupados com meu sumiço e o de Joalin.  Procurei por meus pais e os encontrei arrumando a mesa de jantar, junto com Maya.  -Está melhor?- perguntei para a caçula.  -Sim e Joalin?  -Ela está no banho mas quando fomos dormir tava sem dor.  -Que bom, qualquer coisa podemos comprar algum remédio mais forte- minha mãe disse e eu assenti.  -Já escolheram o que vamos comer hoje?- fiz mais uma pergunta.  -Provavelmente comida italiana- foi meu pai que respondeu.  -Querendo agradar alguma finlandesa?- os três riam -Com certeza, estamos quase te vendendo e colocando ela no lugar. Eu adoraria- Maya sorriu maldosa.  -Sei que me ama- apertei sua bochecha.  -Vamos fazer o pedido daqui a pouco e então nos arrumar- minha mãe voltou a falar- Os restaurantes andam demorando demais para entregar com a quarentena- reclamou.  -Se eu fosse você ia logo se arrumar, demora demais- minha irmã arrumou mais uma oportunidade para implicar comigo e eu lhe dei língua.  -Vou ver como Joalin está e tomar banho, então- acabei concordando com Maya sem querer e subi as escadas.  A loira tinha acabado de sair do banho, tinha um roupão no corpo e uma toalha na cabeça, enquanto encarava o próprio reflexo no espelho.  -Tudo bem?- perguntei e senti seu corpo se espantar- Desculpa, não queria te dar um susto.  -O que vai vestir?- ela fez outra pergunta e não me respondeu.  -Uhm- parei para pensar e entrei no closet com ela me seguindo-Isso- joguei uma calça branca em sua direção- E isso- fiz a mesma coisa com a blusa- E um tênis branco, provavelmente. E você? -Não sei- ela passou os dedos por suas roupas organizadas na prateleira- Doei mais da metade das minhas roupas antes de me mudar, não sei se fiquei com algum vestido.  -Vista algo que se sinta confortável- dei de ombros.  -Queria um vestido- ela reclamou.  -Podemos ver com Maya.  -Lembrei de um- disse de repente.  -Ok, agora pode me responder se está melhor?- disse preocupado e peguei minhas roupas de sua mão, pegando um par de meias e uma boxer para tomar banho, em seguida.  -Estou começando a ficar com dor de novo, acho que está na hora de tomar outro remédio. -Onde está seu vestido? Para você não abaixar para pegar.  -Acredito que naquela mala- apontou para a maior, no compartimento próprio do meu closet. Puxei as rodinhas e a deitei no chão, abrindo em seguida- Obrigada Bay.  -Não há de quê -É um pouco exagerado porque usei em um casamento- ela apontou para onde eu deveria procurar- O vermelho.  -É lindo- disse desdobrando a peça antes de entregar em sua mão.  -Obrigada, quer dizer, não sei se vai fechar já que me sinto meio inchada.  -A gente dá um jeito- sorri para ela- Quer mais alguma coisa daqui?  -Não, isso é tudo. Vou me maquiar e me vestir- disse enquanto eu fechava a mala e a colocava no lugar.  -Ok, vou tomar meu banho então- falei antes de caminhar até o banheiro e ver a loira parar novamente na frente do espelho. 
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