Fazia exatamente duas semanas desde que comecei o meu estágio na Newton Company — e, estranhamente, parece que já pertenço a esse lugar. A rotina é intensa, o ritmo acelerado, os prazos curtos, as exigências muitas. No entanto, algo em mim pulsa mais forte cada vez que entro naquele prédio de vidro e concreto, como se uma parte antiga, esquecida, estivesse a ser restaurada. Estou envolvida num projeto de leitura crítica e representação de um manuscrito que escolhi com cuidado. As páginas fisgaram-me logo nas primeiras linhas. Algo naquela história dialogava com partes minhas que eu preferia manter trancadas — partes quebradas, silenciadas. Talvez fosse isso que o tornava tão urgente. Martin, o diretor editorial, incluiu-me em outras tarefas: revisar campanhas publicitárias, auxiliar na

