02 - Leticia

758 Words
— Letícia Novaes — Escuto a voz do meu chefe ecoar pela empresa assim que entro em meu cubículo. — Bom dia — Sorrio — O senhor quer um café? — Tento fugir da bronca com um agradinho. — Não. Obrigado — Sorrir cínico — Na minha sala em três minutos — Pisca e vai pra sua sala. Respiro fundo, guardo minha bolsa em meu cubículo e caminho até a sala do senhor Barros atraindo olhares à mim — Senhor... — Me aproximo — Eu pe... — Sou interrompida. — Preciso que alguém cuide da minha filha nesse final de semana. — Quer que eu encontre uma babá? Pode deixar — Tento ser eficiente. — Não preciso que contrate uma babá. Só preciso que se acerte. — O que quer dizer com isso? — Fico confusa. — Preciso que cuide da minha filha que está doente. — Faltam exatamente cinco dias para chegar o final de semana, senhor Barros. Como sabe que a filha do senhor vai estar doente até lá? — Preciso de alguém que confio para cuidar dela. — Eu tenho outros processos para me responsabilizar. — Tenho certeza que da conta com toda sua eficiência, Letícia. Posso contar com você? — Me lança o sorriso de se recusar, vai ser demitida. — Darei o meu melhor — Sorrio forçadamente e saio da sua sala — Que droga — Chuto o bebedouro e recebo um olhar de Marisa — Tá olhando o que, Marisa? Quer me jogar uma piadinha hoje? — n**a com a cabeça — Que bom. Sem paciência pra te aturar hoje — Falo e volto ao meu cubículo tentando acelerar os outros casos de data próxima. — Letícia — O olho de soslaio — Tá tudo bem? — Pareço bem pra você, Júlio? — Precisamos conversar. — Não é a hora, Júlio. Estou muito ocupada e já conversamos em não envolver o tempo de trabalho com a pessoal — Falo sem tirar os olhos do computador. — Eu entendo — Entra no meu cubículo e o olho apreensiva. Odeio que alguém invada meu espaço, principalmente de trabalho. Gosto de manter meu foco no que me garante subir na vida e não n**o que gosto de organização — Eu quero... — Coça a nuca. — Terminamos por aqui, Júlio — Falo sem parar de digitar — Agora pode me deixa terminar o trabalho. — Está terminando tudo por aqui? — Primeiro, só estavamos saindo vez ou outra, nada sério. Segundo que não fui de imediato acabar com tudo. Você iria fazer isso, só adiantei o seu lado já que lhe faltava coragem — Dou de ombros. — Primeiro eu iria marcar um jantar pra nós dois naquele restaurante que tanto gosta. — Eu não gosto daquele restaurante, mas você nunca me escutou. E é ridículo gastar uma grana com comida pra terminar com a pessoa. É só dizer acabamos por aqui e simples assim — O olho dessa vez e vejo seu olhar surpreso. — Fico impressionado com tamanha frieza vinda de você, Letícia. — Eu já sabia que iríamos acabar, por isso não me animei muito — Pisco pro mesmo que sai do meu cubículo e agradeço mentalmente. Termino todo o meu trabalho até meu expediente acabar. Pego minha bolsa, retoco a maquiagem no pequeno espelho no elevador e vou em direção ao táxi. Entro no mesmo que me deixa em frente ao restaurante italiano do Dominos e espero por Vitória. — Pediu minha pizza? — Põe sua bolsa sobre a mesa e me olha. — Boa tarde, Letícia. Como foi o seu dia? Péssimo obviamente — Reclamo. — Nem pergunto mais. Sempre diz que seu dia é péssimo — Revira os olhos — Como vai com o Júlio? — Toma o gole da sua água. — Acabou — Falo simples e olho minhas unhas que precisam ser lixadas. — Letícia Novaes — A olho — Você já tem trinta anos nessa cara e ainda fica como garotinha que acha fácil ficar terminando todos os relacionamentos por não achar o príncipe perfeito. Reviro os olhos — Não é o fim do mundo, Vitória — Dou de ombros — Ele me ajudou e eu o ajudei. Acredita que ele consegue ser escroto quando quer? — Falo ao lembrar da sua crise de ciúmes com meu irmão achando que tinha um incesto entre nós dois. — Ele pode até ter menos neurônios, mas gostava de você — Arqueo a sobrancelha sem acreditar em suas palavras — Quem sabe? — Da outro gole na bebida ?
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