— Letícia Novaes — Escuto a voz do meu chefe ecoar pela empresa assim que entro em meu cubículo.
— Bom dia — Sorrio — O senhor quer um café? — Tento fugir da bronca com um agradinho.
— Não. Obrigado — Sorrir cínico — Na minha sala em três minutos — Pisca e vai pra sua sala.
Respiro fundo, guardo minha bolsa em meu cubículo e caminho até a sala do senhor Barros atraindo olhares à mim — Senhor... — Me aproximo — Eu pe... — Sou interrompida.
— Preciso que alguém cuide da minha filha nesse final de semana.
— Quer que eu encontre uma babá? Pode deixar — Tento ser eficiente.
— Não preciso que contrate uma babá. Só preciso que se acerte.
— O que quer dizer com isso? — Fico confusa.
— Preciso que cuide da minha filha que está doente.
— Faltam exatamente cinco dias para chegar o final de semana, senhor Barros. Como sabe que a filha do senhor vai estar doente até lá?
— Preciso de alguém que confio para cuidar dela.
— Eu tenho outros processos para me responsabilizar.
— Tenho certeza que da conta com toda sua eficiência, Letícia. Posso contar com você? — Me lança o sorriso de se recusar, vai ser demitida.
— Darei o meu melhor — Sorrio forçadamente e saio da sua sala — Que droga — Chuto o bebedouro e recebo um olhar de Marisa — Tá olhando o que, Marisa? Quer me jogar uma piadinha hoje? — n**a com a cabeça — Que bom. Sem paciência pra te aturar hoje — Falo e volto ao meu cubículo tentando acelerar os outros casos de data próxima.
— Letícia — O olho de soslaio — Tá tudo bem?
— Pareço bem pra você, Júlio?
— Precisamos conversar.
— Não é a hora, Júlio. Estou muito ocupada e já conversamos em não envolver o tempo de trabalho com a pessoal — Falo sem tirar os olhos do computador.
— Eu entendo — Entra no meu cubículo e o olho apreensiva. Odeio que alguém invada meu espaço, principalmente de trabalho. Gosto de manter meu foco no que me garante subir na vida e não n**o que gosto de organização — Eu quero... — Coça a nuca.
— Terminamos por aqui, Júlio — Falo sem parar de digitar — Agora pode me deixa terminar o trabalho.
— Está terminando tudo por aqui?
— Primeiro, só estavamos saindo vez ou outra, nada sério. Segundo que não fui de imediato acabar com tudo. Você iria fazer isso, só adiantei o seu lado já que lhe faltava coragem — Dou de ombros.
— Primeiro eu iria marcar um jantar pra nós dois naquele restaurante que tanto gosta.
— Eu não gosto daquele restaurante, mas você nunca me escutou. E é ridículo gastar uma grana com comida pra terminar com a pessoa. É só dizer acabamos por aqui e simples assim — O olho dessa vez e vejo seu olhar surpreso.
— Fico impressionado com tamanha frieza vinda de você, Letícia.
— Eu já sabia que iríamos acabar, por isso não me animei muito — Pisco pro mesmo que sai do meu cubículo e agradeço mentalmente.
Termino todo o meu trabalho até meu expediente acabar. Pego minha bolsa, retoco a maquiagem no pequeno espelho no elevador e vou em direção ao táxi. Entro no mesmo que me deixa em frente ao restaurante italiano do Dominos e espero por Vitória.
— Pediu minha pizza? — Põe sua bolsa sobre a mesa e me olha.
— Boa tarde, Letícia. Como foi o seu dia? Péssimo obviamente — Reclamo.
— Nem pergunto mais. Sempre diz que seu dia é péssimo — Revira os olhos — Como vai com o Júlio? — Toma o gole da sua água.
— Acabou — Falo simples e olho minhas unhas que precisam ser lixadas.
— Letícia Novaes — A olho — Você já tem trinta anos nessa cara e ainda fica como garotinha que acha fácil ficar terminando todos os relacionamentos por não achar o príncipe perfeito.
Reviro os olhos — Não é o fim do mundo, Vitória — Dou de ombros — Ele me ajudou e eu o ajudei. Acredita que ele consegue ser escroto quando quer? — Falo ao lembrar da sua crise de ciúmes com meu irmão achando que tinha um incesto entre nós dois.
— Ele pode até ter menos neurônios, mas gostava de você — Arqueo a sobrancelha sem acreditar em suas palavras — Quem sabe? — Da outro gole na bebida
?