Joguei as chaves na mesinha ao lado da porta de entrada, fui tirando meu tênis pelo caminho, subi até o meu quarto e joguei minha mochila em qualquer canto. Escutei um gemido de dor vindo do quarto da Raquel. Fui até o quarto dela e bati na porta.
— Posso entrar? - pergunto antes.
— Entra, Rafa - autoriza. Entro e a vejo esparramada no tapete com a mão na barriga.
— Ainda tá com dor, Quel? - sento ao lado dela no tapete.
— Muita - murmura e me abraça.
— Tá quentinha demais - coloco a mão na sua testa — Para de ser teimosa e vamos no médico, Raquel.
— Eu não gosto de hospital - responde, e bufo — Você sabe, Rafael - me solta e cruza os braços fazendo bico.
— Tomara que morra - falo e ela me bate.
— Joga praga na sua irmã, Rafael.
— Mimada do c*****o - beijo sua bochecha — Sabe que te amo - levanto — Toma pelo menos um banho frio.
— Gelado não - choraminga se jogando no chão.
— Atirei pedra na cruz, não é possível - resmungo. A pego no colo, que se debate e grita. Ligo o chuveiro com dificuldade e enfio ela debaixo do mesmo.
— Tá gelada, Rafael - grita e rio — i****a - me joga água.
— Agora a bonita toma banho - ela me olha debochada — Muda para o quente e te faço tomar banho com balde de gelo - saio dali — Espera que vou pegar tua toalha - saio dali, procuro a toalha e penduro na parede — Rapidinho, dona Raquel - ela me manda língua e saio dali.
Fui até o meu banheiro, tomei um banho rapidinho, botei uma cueca e bermuda. Procurei pelos trabalhos pra fazer da faculdade. Montei toda a planta, numerei e identifiquei. Guardei tudo quando terminei e me joguei na cama. Fiquei assistindo um pouco de anime e logo fui interrompido.
— Rafa... - bota a cabeça pra dentro choramingando.
— Vem, pequena - abro lugar pra ela que sorrir toda toda, fecha a porta e deita do meu lado. Assisti alguns episódios com ela, mas logo dormiu. Desliguei a tv, apaguei a luz do abajur, nos cobri melhor, me virei e dormi.
Acordei e a Raquel continuava dormindo. Levantei, tomei um banho e me vesti no banheiro mesmo. Calcei meu tênis, peguei minha mochila e fui direto pra garagem, entrei no meu carro e fui voado pra casa da Milena.
— Bom dia — beija minha bochecha e coloca o cinto.
— Pra que cinto? — pergunto.
— Vou confiar em você? Fica correndo com o carro.
— Correndo e mais o quê... — resmungo. Parei o carro outra vez na casa do Kaique dessa vez.
— Bom dia no ódio — senta junto com a Milena e põe o cinto.
— Todo dia você tá no ódio — Laiara senta junto com eles e bate a porta e põe o cinto.
— Qual é o problema de vocês três? Todo dia sentam aí atrás e colocam o cinto — reclamo.
— Porque eu tenho amor a minha vida — Kaique fala.
— Morrer de overdose tudo bem, mas acidente de carro não — Laiara fala pro Kaique.
— Óbvio — concorda — No efeito da onda eu vou sentir nada, o de carro vou ter um impacto, po.
— Quando vai parar, hein? — Milena reclama.
— Toda estressada — rouba um selinho dela, que revira os olhos.
— Vou te falar nada. Você não tem mais quinze anos, Kaique.
— E lá vamos nós... — resmungo. O caminho inteiro até a faculdade, eles foram brigando por causa dessas merdas que o Kaique usa. Descemos do carro e fomos em direção à entrada do campus.
— O motorista aqui quer cinco estrelas, tá — zoo.
— Vai ganhar um. Não ganho nenhuma bebida, nem uma balinha, e ainda dirige como doido — Laiara fala.
— Não sabem ter reconhecimento pelo motorista, cara. Faço meu trabalho honesto e nem ganho nada — puxo o cabelo pra trás.
— Para de drama. Nem precisa trabalhar, seu burguês safado.
— Esse puto mora na mansãozinha do papai — Kaique implica.
— Mas vocês sabem que não me orgulho nada disso — falo e eles ficam quietos. Cada um vai pra sua sala e grudo no pescoço da Mili.
— Ei — me faz parar e olhar pra ela — Eu sei que você não tá bem, mas fica bem pela Raquel, tá bom?
— Valeu — beijo sua cabeça.
Milena virou muito minha amiga quando começou a namorar com o vacilão do Kaique. No começo ele até dava uma segurada, mas agora extrapola e para todo mês no hospital. Os pais já não sabiam mais o que fazer e expulsaram ele. Laiara, minha ex e sua irmã, foi morar com ele. Ela disse que ele precisava de alguém pra cuidar dele, então ela foi junto. Milena não é muito paciente, mas até tenta ser com ele e tá tentando o ajudar a sair dessa.
Entramos na nossa sala, já que teríamos aula juntos. Sentamos um ao lado do outro e assistimos a aula.
— Vou ter que sair de sala — Milena sussurra pra mim, colocando o celular no ouvido.
— O que foi? — pergunto.
— Kaique acabou de fazer merda — suspira saindo de sala. Pego minha mochila e corro atrás dela.