Falei, quando ela atendeu no segundo toque, a voz dela saindo animada, quase ansiosa.
— Sou eu, Aidan. Você disse que eu podia ligar a qualquer hora, não importa quando... Onde você está agora?
Eu precisava dela. Precisava tentar de novo. Precisava de qualquer distração que me impedisse de pegar o carro e voltar para aquela rua escura à procura do garoto de olhos verdes que agora era o dono da minha única verdade.
No fundo da minha mente, porém, a frustração do banho matinal ainda ecoava, soprando um aviso sombrio de que talvez o que eu buscava nela, eu nunca mais encontraria em outro lugar.
O trajeto até o apartamento de Claire foi uma tentativa desesperada de silenciar o caos. Eu dirigia sentindo o couro do volante contra as palmas das mãos, tentando me convencer de que o que aconteceu no banco daquela Mercedes, horas atrás, tinha sido apenas uma reação química ao choque de rever Kyle.
Eu precisava que fosse isso. Precisava que qualquer mulher, especialmente uma tão deslumbrante quanto Claire, fosse capaz de apagar o rastro de um garoto de programa viciado da minha memória.
Quando ela abriu a porta, a visão era digna de um editorial de moda. Claire usava um robe de seda preta que m*l escondia as curvas esculpidas, o cabelo perfeitamente alinhado e um perfume floral que custava uma pequena fortuna com certeza.
O sorriso que ela me deu foi preenchido por uma ansiedade latente, o tipo de expectativa que apenas alguém que acredita ter encontrado o amante perfeito pode projetar.
— Você não faz ideia do quanto eu esperei por essa ligação, Aidan.
Ela sussurrou, puxando-me para dentro antes mesmo que eu pudesse cumprimentá-la formalmente.
Não houve espaço para conversas triviais.
Claire me conduziu até o sofá de design moderno na sala de estar, as mãos dela já tateando meu rosto, o pescoço, descendo para o peito com uma urgência quase faminta.
— Eu não consigo parar de pensar na outra noite.
Ela continuou, entre beijos ávidos que buscavam uma reação que meu corpo insistia em negar.
— Sem dúvida, foi o melhor sexo da minha vida. Eu estava vivendo por esse momento, por sentir você de novo.
Eu retribui os beijos. Tentei usar a minha técnica, a memória muscular de anos sendo o predador que as colunas sociais descreviam. Acariciei suas coxas, senti a suavidade de sua pele e o calor que emanava dela. Mas havia um muro.
Um bloqueio de concreto e ferro que se erguia entre o meu desejo cerebral e a reação do meu corpo.
Pela primeira vez em anos de uma vida s****l ativa e coreografada, eu não consegui ficar duro.
Claire percebeu. Suas mãos, que antes eram ágeis e seguras, começaram a se mover com uma hesitação que me cortou por dentro. Ela tentou.
Usou cada truque, cada carícia provocante, cada palavra sussurrada. E nada. O vazio que Kyle deixou no carro era um buraco n***o que engolia qualquer estímulo que não viesse dele.
— Aidan?
Ela se afastou um pouco, o rosto bonito agora marcado por uma insegurança visível sob a luz baixa da sala.
— O que foi? Eu... eu fiz algo errado? Eu não estou bonita o suficiente hoje?
Eu quase ri, mas era uma risada amarga, que morreu antes de chegar aos lábios. Seria cômico se não fosse trágico: o bilionário intocável, o herdeiro dos Vance, brochando em um sofá de luxo porque a imagem de um rapaz quebrado, com cheiro de asfalto e abstinência, não saía da sua cabeça.
Kyle era um fantasma que agora habitava meus lençóis e os de qualquer outra pessoa.
— Não diga bobagens, Claire.
Respondi, minha voz saindo mais firme do que eu me sentia.
— Você está perfeita. Mais que perfeita.
Eu a puxei para mais perto, sentindo a necessidade de consertar o estrago emocional que minha apatia física estava causando. Se eu não podia sentir prazer, eu ainda podia dar. Era a minha única especialidade, afinal.
— Eu vim hoje porque precisava sentir o seu gosto. Só isso.
Menti, deslizando do sofá para o tapete macio aos pés dela.
Claire soltou um suspiro trêmulo quando minhas mãos se firmaram em seu quadril. Eu não precisava do meu próprio desejo para satisfazê-la.
Comecei o oral com uma precisão matemática, focando em cada ponto, em cada reação dela, usando minha língua e meus dedos para criar uma sinfonia de prazer que a fizesse esquecer o meu fracasso momentâneo.
Eu a levei ao limite. Claire se arqueou contra o sofá, os dedos enterrados no meu cabelo, soltando gemidos que preencheram o apartamento.
Ela estava desnorteada, perdida na técnica impecável que eu havia refinado ao longo de anos de fingimento. Mas enquanto eu a ouvia gozar, enquanto sentia seu corpo tremer sob o meu comando, minha mente voou direto para o banco do passageiro.
Eu estava ali, dando o melhor de mim para uma mulher incrível, e tudo o que eu conseguia desejar era estar de volta àquela rua escura, pagando dez dólares para ser destruído novamente pelos olhos verdes de Kyle.