Claire estava jogada contra os travesseiros, a respiração ainda descompassada e a pele brilhando com o suor do prazer que eu havia acabado de proporcionar. Ela me olhou com uma adoração quase palpável, os olhos nublados pela satisfação.
— Aidan...
Ela sussurrou, estendendo a mão para tocar meu braço.
— Foi incrível. Mas e você? Deixa eu te retribuir... de qualquer forma que você quiser.
Eu me afastei sutilmente, sentindo o peso da minha mentira física. Eu estava vazio, oco, enquanto ela transbordava.
— Isso foi mais do que satisfatório para mim, Claire.
Menti com a suavidade de um mestre.
— Ver você assim é tudo o que eu precisava.
Infelizmente, na minha mente, a história era outra. O nó no meu peito não desatava, e a frustração de não ter conseguido reagir ao corpo dela como um homem normal reagiria era uma ferida aberta. Eu precisava resolver aquilo, mas não ali, e não com ela.
— Eu adoraria ficar, de verdade.
Continuei, vestindo minha camisa e abotoando os punhos com uma precisão gélida.
— Mas tenho um compromisso inadiável. Uma dessas festas beneficentes que eu não posso faltar.
E eu realmente tinha. O dever me chamava para mais uma noite de máscaras.
O salão do hotel de luxo estava decorado com um requinte sufocante.
Lustres de cristal, champanhe de safra exclusiva e o tilintar constante de joias caríssimas. Eu circulava pelo ambiente, distribuindo sorrisos protocolares e apertos de mão firmes, até que uma mão pequena e familiar tocou meu antebraço.
— Aidan, meu filho. Finalmente consegui te encontrar no meio dessa multidão.
Era minha mãe. Ela estava elegante em um vestido de veludo escuro, mas seus olhos carregavam aquela melancolia que se tornou permanente desde que meu pai morreu, três anos atrás.
— Oi, mãe. Você está linda.
Eu disse, beijando sua bochecha.
— Linda e esquecida.
Ela retrucou, com uma ponta de mágoa que me fez sentir um aperto genuíno no peito.
— Você m*l tem ido me ver. A casa fica tão silenciosa sem seu pai, e parece que você está sempre fugindo para dentro desse seu escritório.
Eu me senti m*l. A solidão dela era um espelho da minha, embora por motivos diferentes. Antes que eu pudesse me explicar, Sofia, uma antiga amiga e um caso esporádico do passado que nunca evoluiu para nada além de conforto mútuo, se aproximou de nós.
— Boa noite, Sra. Vance. Aidan.
Sofia disse, sorrindo de forma calorosa.
Minha mãe olhou de um para o outro, um brilho de esperança surgindo em seu rosto.
— Sofia, querida! Que bom ver vocês juntos. Aidan, por acaso essa moça linda finalmente virou sua namorada?
Eu soltei uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Não, mãe. Somos apenas bons amigos.
— Ah, que desperdício.
Ela suspirou, inconformada.
— Quando eu estiver namorando sério, você será a primeira a saber. Prometo.
Ela pareceu se contentar com isso, dando um tapinha carinhoso na minha mão antes de ser puxada por uma de suas amigas da alta sociedade.
Logo depois, o protocolo da noite começou. Sofia e eu subimos ao palco para entregar um prêmio de boa ação para uma fundação parceira.
Mais tarde, foi a vez da Vance Corp ser homenageada. Recebi o troféu de cristal sob aplausos calorosos, fiz um discurso impecável sobre responsabilidade social e desenvolvimento tecnológico, e fui saudado como o "futuro brilhante da filantropia".
A ironia era amarga. Eu estava ali, sendo premiado por "fazer o bem" ao mundo, enquanto o garoto que eu ajudei a quebrar estava apodrecendo em algum lugar.
De volta ao meu apartamento no vigésimo andar, a festa parecia um sonho distante e barulhento. Eu estava parado diante da imensa parede de vidro, observando as luzes de Nova York se estenderem como um tapete de joias até o horizonte.
Mas meus olhos não focavam no topo dos prédios vizinhos; eles buscavam as ruas escuras lá embaixo, os becos onde o luxo não chegava.
Pensei nos perigos que Kyle estaria correndo agora. A noite era impiedosa com quem não tinha nada. Ele estaria com frio? Estaria em perigo por causa daqueles cinquenta dólares que eu dei a ele?
O prazer inesquecível que ele me proporcionou no carro agora parecia um fantasma me assombrando, enquanto o silêncio da cobertura me lembrava de que, não importa quão alto eu subisse, eu ainda estava enterrado naquele prédio abandonado com ele.
Aidan Vance, eu um bilionário premiado, nunca me senti tão covarde.