Capítulo 5

837 Words
O dia seguinte foi um exercício de tortura psicológica e física. Eu estava sentado na cabeceira da mesa de conferências da Vance Corp, cercado por executivos de alto escalão e consultores financeiros, mas minha mente estava a quilômetros dali, presa na penumbra de uma rua lateral e no banco de couro da minha Mercedes. Eu estava disperso. Cada vez que um diretor mencionava termos como "margem de lucro" ou "expansão logística", meu cérebro traduzia tudo para a sensação técnica e visceral da noite anterior. Eu sentia, de forma quase fantasmagórica, a pressão e o calor da boca de Kyle em torno do meu p*u. A lembrança era tão nítida que meu corpo reagia instantaneamente, sem qualquer comando da minha vontade. Eu passei o dia inteiro duro. O terno de corte impecável, feito sob medida em Londres, parecia subitamente apertado demais, uma armadura que tentava conter uma urgência que eu não conseguia controlar. Era humilhante e excitante ao mesmo tempo. Eu me pegava ajeitando o p*u dentro da calça a cada dez minutos, fingindo buscar o celular no bolso ou cruzando as pernas de forma estratégica para esconder o volume que denunciava minha obsessão. Meus dedos tamborilavam na mesa de carvalho, acompanhando o ritmo acelerado do meu coração toda vez que o rosto pálido de Kyle, com aqueles olhos verdes sem brilho, surgia atrás das minhas pálpebras. Peter Harrington estava lá, participando da reunião como consultor jurídico principal para a fusão com uma gigante de tecnologia europeia. Ele era o único ali que não parecia intimidado pela minha aura de seriedade. Quando fizemos uma pausa para o café, ele se aproximou, ostentando aquele sorriso de quem tinha conquistado o mundo e algumas mulheres na noite anterior. — Cara, você não tem noção do que perdeu. Peter murmurou, servindo-se de um café expresso enquanto me observava com curiosidade. — A noite com a stripper foi simplesmente fantástica. A garota era uma força da natureza, parecia feita de borracha. E você? Se deu bem depois que saiu do clube? Ou foi direto para os braços de algum relatório trimestral? Flashes de Kyle voltaram com força total. O toque frio das mãos dele abrindo meu zíper, o cheiro de asfalto e desespero, e o modo como eu gozei, um orgasmo tão violento que minhas pernas ainda pareciam levemente bambas. Senti meu rosto aquecer, uma reação que eu raramente permitia que acontecesse em público. Pigarreei, tentando recuperar a postura de Aidan Vance. — Só voltei para casa, Peter. Eu estava realmente cansado, o dia foi longo. Menti, mudando de assunto rapidamente enquanto fingia ler um gráfico de barras que não fazia o menor sentido naquele momento. — "Cansado"? Aidan, você tem vinte e oito anos, o mundo na palma da mão e age como um aposentado de oitenta. Peter riu, batendo no meu ombro com a i********e de quem me conhecia desde a faculdade. — Aquela ideia do iate ainda está de pé, hein? Maldivas, sol, mulheres incríveis que não sabem o que é um balanço patrimonial e nada de reuniões. Você precisa disso antes que vire um robô de vez. O silício está subindo para o seu cérebro, amigo. Eu forcei uma risada, um som oco que ecoou na sala vazia. Peter era um bom amigo, talvez o melhor que eu tinha. Eu sabia que, se contasse sobre o prédio abandonado, sobre a culpa que me corroía há treze anos ou sobre as minhas tentativas frustradas e mecânicas com outros caras para tentar sentir qualquer faísca de vida, ele me apoiaria. Mas eu não podia quebrar a imagem. Eu tinha uma reputação a zelar, o solteiro mais cobiçado de Manhattan, o garanhão que estampava as colunas sociais e as revistas de negócios. O mundo me via como um predador alfa, um conquistador insaciável, quando na verdade, eu era apenas uma presa do meu próprio passado, vivendo de migalhas sensoriais. O resto do dia passou em um borrão de assinaturas e chamadas de vídeo. No fim do expediente, quando o sol já se punha entre os arranha-céus, o silêncio do meu escritório privativo se tornou insuportável. A imagem de Kyle entregando o meu dinheiro para um traficante e entrando naquele prédio caindo aos pedaços não saía da minha mente. Eu me sentia sujo por ter sentido tanto prazer com a dor dele, mas a fome por aquele sentimento era maior que qualquer ética. Eu precisava de um teste definitivo. Precisava saber se Kyle era realmente a única chave que destrancava meu corpo, ou se eu ainda conseguia ser o homem que Claire e todas as outras esperavam que eu fosse. Eu precisava provar para mim mesmo que o que aconteceu no carro foi uma anomalia causada pelo choque, e não uma sentença. Sentei-me na minha poltrona de couro, o estofado rangendo sob o meu peso. Peguei o celular pessoal com a mão ainda levemente trêmula. Rolei os contatos até encontrar o nome que brilhara na minha tela naquela manhã, uma lembrança da noite de performance perfeita que eu havia entregado. — Claire?
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