Capítulo 36 Entre o cheiro da carne e o rastro do amor, a vida se reconstrói O corpo ainda vibrava, ainda doía em pontos bons. Mas era a alma que mais pulsava. Laura desceu as escadas descalça, o cabelo preso no alto, o rosto iluminado por um sorriso calmo, pleno. Parou na varanda e se debruçou sobre a madeira quente do corrimão, sentindo o calor do sol ainda forte na pele dos braços. Lá embaixo, a vida pulsava como uma música boa. Dion, Theo e Noah gargalhavam alto, com a boca cheia de carne e os dedos sujos de farofa. Os três riam por qualquer coisa — ou por tudo. Pareciam meninos em férias, apesar da maturidade recente que a vida havia exigido deles. Ricardo e Rafael estavam do outro lado da varanda. Rafael cortava a carne com precisão enquanto falava, e Ricardo, já com a cerveja

