Capítulo 22 Quando salvar alguém exige ser odiado A madrugada chegou arrastada. Dion voltou ao prédio com passos pesados. Passou em frente ao quarto de Esmeralda e parou. A porta estava encostada. Ele espiou. Ela dormia. A cabeça tombada de lado, o lençol cobrindo parte do corpo. O rosto ainda inchado de tanto chorar. A xícara de chá na mesinha, a cartela de remédio aberta com apenas um comprimido faltando. Dion entrou devagar. Cobriu ela com delicadeza. Tocou de leve os fios de cabelo espalhados no travesseiro. — Dorme, Mel — sussurrou com a voz presa. — Dorme enquanto ainda pode sonhar. Fechou a porta e seguiu para o quarto. Entrou no chuveiro, o corpo colado ao azulejo frio. A mente em guerra. Quando deitou, demorou para dormir. Mas, enfim, apagou. Na manhã seguinte, Dion passou

