Naquela noite, Bia colocou Pedro na caminha improvisada no quarto e ficou sentada na varanda da casa, olhando as luzes do morro brilharem como estrelas inquietas. A brisa leve mexia os fios do cabelo e o silêncio trazia um certo alívio — até Luiz encostar na porta, com o olhar cansado e um copo de água na mão. — Posso? — ele perguntou, apontando com a cabeça para a cadeira ao lado dela. Ela assentiu, sem responder. Ele se sentou, em silêncio também. — Desculpa o que aconteceu hoje… com a Valéria. Eu devia ter cortado isso há muito tempo. — Não é só ela, Luiz — Bia respondeu, firme, mas sem raiva. — É tudo. É esse lugar, essa vida, o que você carrega nas costas. Você ainda tá nesse mundo, mesmo tentando sair. Ele respirou fundo, encarando o horizonte. — Eu não tô tentando sair, Bia. E

